Congresso CIP

Sonae. “Empresas precisam de contratar, não de barreiras à contratação”

A digitalização e a automação trazem desafios acrescidos ao mercado de trabalho. Fotografia: DR
A digitalização e a automação trazem desafios acrescidos ao mercado de trabalho. Fotografia: DR

As empresas, as pessoas e o trabalho do futuro estiveram em debate no Congresso da CIP, no Europarque

O impacto da revolução tecnológica e da chegada dos millennials ao mercado de trabalho, verdadeiros nativos digitais, já se faz sentir nas empresas, garante a diretora de Recursos Humanos da Sonae, para quem “os paradigmas do passado”, em termos de legislação laboral e de mecanismo de flexibilização do trabalho, “não se compadecem com a situação atual”. Para Ana Cristina Fonseca o importante é flexibilizar o sistema de contratação. “Havendo economia, há emprego, há trabalho. E nós precisávamos era de contratar com mais facilidade e não de criar barreiras à contratação”, defende.

Ana Cristina Fonseca falava, esta manhã, no Congresso da CIP, no Europarque, no painel subordinado ao tema ‘As empresas, as pessoas e o trabalho do futuro’, defendendo que o banco de horas individual – um mecanismo que os sindicatos gostariam de extinguir – é benéfico para empresas e funcionários. “Os trabalhadores também usam o banco de horas em seu favor, para gerirem a sua própria vida. É uma forma de dotar naturalmente as empresas de maior flexibilidade, dentro do cumprimento das normas da lei laboral”, argumenta.

Já Jorge Portugal, diretor-geral da Cotec, considera que o importante é proteger o trabalhador e não o posto de trabalho e sugere que isso seja tido em conta na agenda da concertação social, na criação de uma “hipotética concertação 4.0”: “O posto de trabalho está a mudar todos os dias. As tarefas mudam e algumas até desaparecem totalmente. O trabalhador adapta-se. A proteção da pessoa é muito importante”, frisa.

Por outro lado, lembra que a automação e a robótica “liberta o homem para tarefas mais evolutivas e mais bem pagas”, mas que falta regular esse trabalho conjunto do operário com a inteligência artificial. Para Jorge Portugal, o aumento da produtividade por via da Indústria 4.0 deve traduzir-se em menos horas de trabalho, mas sem que isso signifique perdas ao nível de rendimento. “Trabalhar menos horas não significa ganhar menos, pode, até, significar ganhar mais. É preciso valorizar esses ganhos de produtividade”, defende.

Do lado dos sindicatos, Ana Paula Bernardo, da UGT, reconhece que a adaptabilidade e a flexibilidade são questões “importantes” tanto para as empresas como para os trabalhadores, mas defende que “uma das grandes questões de futuro será a forma como as empresas conseguem oferecer aos seus funcionários uma melhor conciliação do tempo pessoal e familiar. A dirigente sindical recusa, de todo, que a legislação laboral portuguesa esteja assente em paradigmas do passado e argumenta: “Se houve área onde os últimos anos foram particularmente riscos em termos de alterações foi na esfera laboral”.

E onde os empresários pedem menos regulação, a UGT contrapõe: “A inovação, só por si, não significa bem-estar para todos. Temos que a regular”. Por fim, e no que às competências diz respeito, Ana Paula Bernardo lamenta que, apesar de termos a geração “mais qualificada e mais produtiva” a entrar no mercado de trabalho, “tal não significa, necessariamente, que todas as organizações reconheçam o valor dessas competências e o traduzam na componente remuneratória”. A comprová-lo está a emigração de muitos jovens, um fenómeno que considera “muito preocupante”.

 

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