Madeiras e Derivados

Sonae Indústria com armas para entrar na aeronáutica e transportes

Cláudia Costa, responsável de I&D da Sonae Indústria. Fotografia:  Pedro Granadeiro / Global Imagens
Cláudia Costa, responsável de I&D da Sonae Indústria. Fotografia: Pedro Granadeiro / Global Imagens

A mais recente criação do grupo, o FlexComp, será apresentado ao mundona próxima semana, na Alemanha

Especializada na produção de painéis derivados de madeira e de laminados e componentes, a Sonae Indústria está apostada em entrar no negócio da indústria de transportes, fornecendo estruturas “mais leves, resistentes e sustentáveis” para interiores de aviões, de comboios e de autocarros. Em causa estão desde tejadilhos a estruturas internas divisórias ou, simplesmente, assentos.

As potencialidades do FlexComp, o novo material termomoldável desenvolvido em parceria com a Universidade do Minho, são “imensas” e o objetivo é que substitua os metais e polímeros atualmente utilizados, por soluções “mais amigas do ambiente. E a conjugação da sua “enorme resistência estrutural”, designadamente ao fogo, com uma forte componente “decorativa e de design” torna o novo material adequado a outros fins, como os decorativos. Não admira, por isso, que o pré-lançamento mundial aconteça na Interzum, a feira de mobiliário e design que decorre, na próxima semana, em Colónia, na Alemanha.

“O FlexComp vem mostrar que conseguimos fazer coisas robustas e bonitas, mas, também, sustentáveis. Sendo um termoplástico moldável, a que conseguimos dar novas formas, quando chegar ao fim do seu ciclo de vida na aplicação inicial para que nasceu pode ser triturado e reconstruído, no limite, como banco de jardim, por exemplo”, diz Cláudia Costa, responsável de Investigação & Desenvolvimento da Sonae Indústria, destacando a componente ecológica “muito forte” do novo material. Criado em parceria com a Fibrenamics, a plataforma internacional da Universidade do Minho, o FlexComp é um projeto apoiado pelo Compete 2020, que arrancou em novembro de 2017 e termina em outubro de 2019, tendo um custo total elegível de quase meio milhão de euros.

A substituição das resinas industriais endurecidas, tradicionalmente usadas no fabrico dos laminados, por resinas termoplásticas permitiu a criação de um novo produto termomoldável, ou seja, é produzido em plano, com espessura ajustável ao pedido do cliente mas que, pela aplicação de pressão e calor contra um molde, pode adquirir uma nova forma.

A Sonae ainda não definiu como vai fazer a industrialização deste material. “O business plan ainda não está decidido, temos várias possibilidades, designadamente podemos vender compactos de FlexComp em forma plana e caberá ao cliente dar-lhe a forma final que pretende. Aquilo que até agora só conseguia cortar ou furar, pode agora assumir uma nova 3D”, sublinha Cláudia Costa.

A gestora reconhece haver um grande interesse do mercado pela nova solução, desenvolvida à medida das necessidades do setor, acredita. “Já vendemos alguma coisa para a indústria dos transportes, mas é um segmento em que queremos entrar em força e, por isso, a ideia foi acrescentar valor àquilo que sabemos. E como não queremos ser seguidores mas líderes de tendências, apontando o caminho, o que fizemos foi perguntar à indústria e aos potenciais clientes quais eram as suas necessidades e quais as características de produto a que deveríamos dar resposta. Desenhámos o projeto à medida dessas respostas e isso resultou muitíssimo bem”, sublinha, admitindo que foram contactadas empresas “de todas as áreas, incluindo a aeronáutica”.

Este é apenas um dos exemplos dos resultados da aposta da holding na investigação e desenvolvimento, contando com um departamento de I&D com duas pessoas a tempo inteiro e um bolseiro. Mas Cláudia Costa destaca que todos os projetos são resultado de “muito trabalho de equipa” e que envolvem “muitos recursos da empresa da área comercial, da produção e do marketing”.

Novidades em perspetiva
Há, ainda, outras áreas de investigação em curso, por exemplo, ao nível da sensorização dos laminados. E as potencialidades são, igualmente, imensas. Imagine que chega a um grande hospital (ou a qualquer edifício de grandes dimensões) e não sabe para onde se dirigir. Hoje, muito provavelmente, dir-lhe-ão para seguir a linha amarela, azul ou vermelha até ao fim. No futuro, essas linhas serão inexistentes a olho nu, mas acender-se-ão à medida da necessidade e solicitação de cada um.

O mesmo se aplica às linhas no chão de um pavilhão multidesportivo,, mas há outras vertentes, como o do mobiliário. Imagine a cabeceira de uma cama de criança que se ilumina com uma infinidade de opções, sejam ursinhos, estrelinhas ou outro padrão, em função da história que escolheu para lhe ler.

São só alguns casos ilustrativos do que poderá ser o futuro dos pavimentos e outras superfícies dotadas de interatividade, por via da integração crescente da eletrónica e da Internet of Things nos materiais, e que a Sonae Indústria está a investigar, também, através do projeto DecoChrom, que engloba 15 entidades, de países como Portugal, Dinamarca, Reino Unido, França, Alemanha e Finlândia, apoiado por fundos comunitários através do Horizon 2020. E há mais projetos em preparação para submeter no próximo ano e meio, com investimento associados na ordem dos dois milhões.

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