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Sonae SPGS com lucros de 200 milhões até setembro

Paulo Azevedo, Chairman e Co-CEO da Sonae, e Ângelo Paupério, Co-CEO da Sonae.

(Leonel de Castro / Global Imagens)
Paulo Azevedo, Chairman e Co-CEO da Sonae, e Ângelo Paupério, Co-CEO da Sonae. (Leonel de Castro / Global Imagens)

Vendas consolidadas cresceram 7% nos primeiros nove meses do ano. Cotação em bolsa da Sonae MC? “Estamos atentos, mas sem planos para voltar no curto prazo”, diz fonte da Sonae

As vendas consolidadas da Sonae SGPS cresceram 7% nos primeiros nove meses do ano para 4.236 milhões de euros, num período em que o grupo liderado por Paulo Azevedo e por Ângelo Paupério registou um EBITDA de 270 milhões de euros, 1,7% acima do verificado em igual período do ano passado. Os lucros cresceram 50,1% para 200 milhões de euros, impulsionados pelo “aumento de vendas e da rentabilidade, bem como dos resultados indiretos”, designadamente por via da aquisição de 20% da Sonae Sierra. Uma operação que, associada ao plano de expansão e remodelação de lojas do grupo, fez ascender a 480 milhões de euros o investimento da Sonae no período.

“Nos primeiros nove meses de 2018, a Sonae continuou a apresentar resultados sólidos em todo o seu portfólio de negócios”, refere Ângelo Paupério no comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, destacando a operação de compra de 20% da Sonae Sierra como um “importante marco no aumento do perfil internacional” do grupo. Apesar desta aquisição e da consolidação do balanço da Sonae Sierra, a holding “continuou a reforçar a sua estrutura de capitais e a reduzir os seus níveis de alavancagem”, acrescenta.

No final do terceiro trimestre, a dívida líquida da Sonae ascendia a 1.539 milhões de euros, valor que inclui o negócio da Sonae Sierra, por 256 milhões, e a consolidação da dívida da empresa. “Tendo em conta os valores reexpressos (pro-forma), ou seja, incluindo a consolidação integral da dívida líquida da Sonae Sierra no final dos nove meses de 2017, a dívida líquida do grupo teria diminuído 144 milhões em termos homólogos (-10,1%) para 1.283 milhões de euros”, pode ler-se no comunicado. Com esta transação, a Sierra passará a ser consolidada integralmente a partir do quarto trimestre deste ano.

Por áreas de negócio, o principal contributo é da Sonae MC, que cresceu 7% para 3.012 milhões de euros, com a empresa a ser capaz de “aumentar a quota de mercado e, assim, reforçar a sua liderança num ambiente tão desafiante”. Nos primeiro nove meses do ano, a insígnia de retalho alimentar do grupo abriu oito novas lojas Continente Bom Dia e um espaço Continente Modelo, sendo que o crescimento de vendas comparável ao mesmo período de 2017 foi de 2,5%.

No retalho especializado, o volume de negócios da Worten foi superior em 7,3% ao período homólogo, atingindo os 752 milhões de euros, sendo que, numa base comparável de lojas, a variação de vendas foi de 5,5%. Já o retalho de moda, que inclui marcas como a Zippy ou a Salsa, manteve-se praticamente estável (+0,4%) nos 269 milhões de euros, enquanto a área do desporto cresceu 9,8% para 262 milhões de euros entre fevereiro e julho.

A expansão da rede de lojas do grupo ajudou a reforçar em 2,8% o volume de negócios da Sonae RP, a unidade responsável pela gestão do portefólio de imobiliário de retalho da Sonae, para 71 milhões de euros. Este portefólio estava avaliado, no final de setembro, em 1.303 milhões de euros (valor contabilístico bruto). Quanto à Sonae FS, a unidade de negócio que coordena os serviços financeiros, o acréscimo de vendas foi de 31,9% para 22 milhões de euros.

No segmento das tecnológicas, a Sonae IM atingiu um volume de negócios de 112 milhões de euros, um aumento de 18,1% em termos homólogos, impulsionado pela integração da Nextel e pelo desempenho da Bizdirect. Esta é uma área de negócio que foi reforçada com novos investimento no terceiro trimestre de 2018, como é o caso da Reblaze, especializada em tecnologia de cibersegurança para proteção de ativos, e da ciValue, uma plataforma cloud de marketing segmentado e portal de fornecedores para retalhistas, ambas com sede em Israel.

Na NOS, as receitas operacionais totalizaram 1.167 milhões de euros, mais 0,7% do que em 2017, enquanto os lucros cresceram 17% e atingiram os 123 milhões. Por fim, as vendas da Sonae Sierra cresceram 9,7%, numa base proporcional face a 2017, para 159 milhões de euros, com o resultado direto a totalizar 50 milhões de euros. “A área de serviços da Sonae Sierra registou um desempenho positivo nos nove meses de 2018, tendo continuado a crescer o seu portefólio de contratos de serviços de desenvolvimento, gestão de investimentos e gestão de centros comerciais. A área de serviços de gestão de investimentos, especificamente a ORES Socimi, continuou a registar um bom ritmo de crescimento, tendo atualmente 30 ativos no seu portefólio com um valor de mercado de 328 milhões”, pode ler-se no comunicado.

Resultados globais que agradam ao grupo Sonae, que fala num ano “bastante positivo, em crescendo, e com crescimento em todos os negócios”. Um ano em que, apesar do crescimento de 11%, numa base comparável, ou seja, retirados os 256 milhões de euros da compra da participação dos 20% na Sonae Sierra, do investimento, de 202 para 224 milhões de euros,o grupo conseguiu “reforçar a sua solidez financeira”, diminuindo, em 10%, a dívida líquida da Sonae SGPS, destacou fonte do grupo em declarações ao Dinheiro Vivo. A maturidade média da dívida é de três anos, “o que nos deixa confortáveis relativamente ao planeamento financeiro dos próximos anos”, com “fôlego para continuar a investir e explorar oportunidades”.

Sobre a suspensão da entrada em bolsa da Sonae MC, a referida fonte assume que “os méritos estratégicos da operação se mantêm válidos”, mas que “não há planos para voltar ao mercado no curto prazo”. “Estamos atentos ao mercado e, no futuro, avaliaremos, se fizer sentido”, acrescenta.

A digitalização dos negócios e a internacionalização são dois temas estratégicos de desenvolvimento da Sonae nos próximos anos. No primeiro caso, a fase mais visível desta aposta é o crescimento do grupo no e-commerce a dois dígitos nos primeiros nove meses do ano, tanto em Portugal como em Espanha. “Acreditamos que só com competências digitais muito fortes será possível reforçarmos a nossa posição de líderes no e-commerce”, refere a mesma fonte, destacando a criação do Marketplace, a nova plataforma digital da Worten que irá vender artigos de casa e decoração de empresas parceiras, bem como o projeto similar que está em desenvolvimento em parceria com os CTT.

Embora o comércio eletrónico tenha, ainda, uma “taxa de penetração muito baixa” em Portugal, a Sonae acredita que “tem de estar na linha da frente deste mercado” que, em 2017, gerou já mais de 100 milhões de euros de vendas para o grupo. E se na Sonae MC a aposta passa pelo crescimento nos formatos de proximidade e de conveniência, com a expansão da rede Bom Dia a um ritmo de 20 novas lojas ao ano, a par do reforço do e-commerce e do negócios das parafarmácias e da alimentação saudável, na Worten a estratégia passa pelo crescimento da proposta de valor omnicanal, “com uma forte componente de serviço e de proximidade ao cliente”. Refira-se que, até ao final do ano, o objetivo com o novo Marketplace da Worten é integrar nesta plataforma um milhão de referências de vendedores externos.

 

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