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Sport TV justifica corte de canais à Nowo por dívida por liquidar

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Empresa dona dos canais desportivos interrompeu a emissão na operadora Nowo

A Sport TV já reagiu à Nowo que acusou a dona dos canais desportivos de ter interrompido unilateralmente a emissão depois de ter apresentado condições “desleais, desadequadas e desajustadas face à realidade do mercado” no novo contrato. A Sport TV responde: Há uma “elevada dívida vencida” no fim do anterior contrato que “continua por liquidar”. O valor da dívida não foi divulgado.

Desde as 00h00 de 9 de novembro que os clientes da Nowo (antiga Cabovisão) deixaram de poder ver os seis canais desportivos, depois de a Sport TV ter interrompido a emissão “por falta de acordo entre as partes.”

O contrato entre a Sport TV e a Nowo terminou em julho e, “apesar das negociações para renovação entre as duas entidades terem sido iniciadas seis meses antes (fevereiro do corrente ano), não foi possível até julho chegar a novo acordo”, informa a Sport TV.

A Sport TV fala ainda da existência de uma “elevada dívida vencida” que a Nowo já tinha “perante a empresa e que continua por liquidar”. “A Sport TV acedeu ainda assim em manter o serviço, desde 1 de agosto até dia 8 de novembro, no sentido de não prejudicar os clientes Sport TV que acedem aos seus canais através deste operador, e, simultaneamente, preservar a relação de parceria entre ambos.”

“Apesar desta cedência e do nosso serviço ter sido sempre assegurado, não houve até hoje qualquer pagamento da Nowo à Sport TV, seja por conta da dívida referente ao contrato antigo e já terminado, seja por conta dos serviços posteriores prestados até 8 de novembro de 2018. Durante todo o período em dívida, a Nowo continuou a cobrar aos seus clientes os serviços da Sport TV”, acusam.

“Sport TV continuará empenhada em restabelecer o serviço dos seus 6 canais aos clientes da Nowo assim que a Nowo pretenda ultrapassar a atual situação.”

Dívida por pagar levou a Altice a pedir insolvência

Dívida por pagar foi também o que levou a Altice Portugal a avançar em setembro na justiça contra a Nowo e a Oni, pedindo a insolvência da empresa. As partes chegaram, entretanto, a acordo, confirmou Alexandre Fonseca, CEO da Altice Portugal.

“Chegámos a um acordo”, confirmou o gestor, quando questionado pelos jornalistas sobre o tema durante a Web Summit, sem especificar de que resulta esta dívida de cerca de seis milhões de euros.

Este acordo foi unicamente de “caráter financeiro”, sublinhou o gestor, salientando que uma parte da dívida foi liquidada no dia 6 de novembro e “outra parte foi alvo de acordo de pagamento”.

Guerra de conteúdos desportivos

Os conflitos entre entre a Nowo/Oni e empresas do sector das telecomunicações e de media têm surgido num momento em que a operadora, entretanto adquirida pelo fundo KKR, tem estado enquanto representante comercial da Eleven Sports a negociar com as operadoras Altice (dona do Meo), NOS e Vodafone a entrada dos canais e conteúdos da empresa britânica em grelha. As negociações decorrem há vários meses, sem sucesso. Resultado? Clientes das operadores estão sem acesso no serviço de pay TV aos jogos da Champions League. Esse, entre outros conteúdos, estão apenas disponíveis para os clientes da Nowo ou através da aplicação da Eleven Sports.

O tema tem gerado desconforto junto dos operadores. Em setembro, durante o debate do Estado da Nação das telecomunicações da APDC, os operadores não pouparam críticas à Nowo.

“É muito surpreendente ver esta forma de atuação da Nowo, que tem tido acesso aos conteúdos da NOS em boas condições e agora tem esta postura de ter conteúdos exclusivos para obter benefícios comerciais”, disse Miguel Almeida, CEO da NOS.

A Nowo foi uma das empresas que assinou um memorando com os concorrentes dando-lhe acesso aos conteúdos da I Liga, fechados pela NOS e pela Altice com os clubes nacionais. O mesmo previa acesso de todos os operadores aos conteúdos desportivos negoaciados por qualquer uma das partes.

“É uma grave falta de ética e que prejudica os nossos clientes”, considera e deixa um aviso: “vamos agir em conformidade”, disse ainda Miguel Almeida. “Vamos continuar a procurar um acordo comercial que permita aos nossos clientes ter acesso aos conteúdos”, diz, mas se tal não for possível “vamos agir numa lógica física de ação/reação”.

Um “processo estranho” considerou, por seu turno, Mário Vaz. “Nunca fomos consultados pela Eleven. A resposta chegou via Nowo que seria a Nowo a negociar”, disse o CEO da Vodafone. “Já fizemos várias propostas com o objetivo de não perder dinheiro, já não digo ganhar, para que os clientes possam ter acesso aos conteúdos.”

E quem beneficia, argumentou Alexandre Fonseca, é a pirataria. “Mais uma vez quem fica a perder é o consumidor”, disse o CEO da Altice Portugal. Há “um processo negocial em curso”, mas que só será concluído quando se chegar a “critérios de razoabilidade económica, operacional e de transparência”. “A pirataria de conteúdos é o único que sai beneficiado com este tipo de postura”, diz o gestor.

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