Stanley Ho "adorava Portugal"

Mário Assis Ferreira, que lidera os Casinos de Stanley Ho em Portugal, através da Estoril Sol, fala “do apego de Ho a Portugal"

 

Lidera o Grupo Estoril-Sol em Portugal e em conversa com o Dinheiro Vivo não poupa elogios a Stanley Ho.

Mário Assis Ferreira que saudade guarda dos tempos em que trabalhou com Stanley Ho? E porquê?

Todas as referências que eu possa fazer a esse homem de excepção, que é Stanley Ho, só podem ser de gratidão, amizade e admiração. Tal não invalida quer a gratidão, quer as excelentes relações pessoais e profissionais que mantenho com a sua filha mais velha Pansy Ho, uma empresária de mérito internacional que a ele sucedeu como actual accionista maioritária do Grupo Estoril-Sol. Mas a verdade é que foi nos 28 anos de convivência com Stanley Ho que aprendi o que sei sobre casinos e, mais que isso, aprendi a assimilar a sua visão estratégica e a admirar o seu apego a Portugal.

Como assim?

Na sua excepcional perspicácia, ele sabia ser completamente distinta a realidade socioeconómica e política de Portugal e de Macau e, como tal, serem exigivelmente diferenciados os modelos de casinos a operar nos respectivos espaços territoriais.

Confiou em mim e, praticamente, deu-me “carta-branca” para configurar e operacionalizar um novo conceito de casino capaz de corresponder plenamente às exigências e apetências do público português. E assim se reconfigurou totalmente e quadruplicou em espaços o Casino Estoril.

Seguiram-se vários negócios depois?

Veio, a seguir, a aquisição do Casino da Póvoa e, em 2006, a construção e inauguração do Casino Lisboa. Stanley Ho não interferia ou obstaculizava: aconselhava e orientava! E, como gostava do que via, a sua palavra sempre foi de estímulo, de incentivo a novos desafios. Quando a doença o forçou a retirar-se da vida activa empresarial, continuei a admirá-lo e, quando ía a Hong Kong, sempre procurei estar com ele. A última vez que o visitei, recomendaram-me que não ultrapassasse os 10 minutos para não o cansar. A verdade é que a nossa conversa se ramificou ao longo de mais de uma hora, até que eu, por uma questão de atenção e para não o cansar, arranjei um pretexto para me despedir dele e, como ele estava com luvas que só descobriam os dedos, peguei-lhe na mão para os beijar, em sinal de respeito.

Ele chamou o médico e as três enfermeiras e disse-me “não Mário, não é assim que eu me despeço de si” e diz “ponham-me de pé, que eu quero dar um abraço a este homem que fez tanto por mim e pelos meus desígnios em Portugal”. Foi profundamente comovente e devo confessar-lhe que as lágrimas me correrem pelos olhos… No fundo ele teve também essa capacidade de ler os sinais da cultura portuguesa. Porque ele adora Portugal. E diga-se a propósito, agora que tanto se fala de investidores chineses em Portugal, que Stanley Ho foi o pioneiro, já lá vão 33 anos, com investimentos na “Estoril-Sol”, no “Hospital Particular”, na “Portline”, nos empreendimentos urbanísticos da “Alta de Lisboa”, e do “Complexo Imobiliário da Boavista”, no Porto.

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