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Stanley Ho “adorava Portugal”

Mário Assis Ferreira com Stanley Ho, no Casino do Estoril, em 1997.
Mário Assis Ferreira com Stanley Ho, no Casino do Estoril, em 1997.

Mário Assis Ferreira, que lidera os Casinos de Stanley Ho em Portugal, através da Estoril Sol, fala “do apego de Ho a Portugal"

 

Lidera o Grupo Estoril-Sol em Portugal e em conversa com o Dinheiro Vivo não poupa elogios a Stanley Ho.

Mário Assis Ferreira que saudade guarda dos tempos em que trabalhou com Stanley Ho? E porquê?

Todas as referências que eu possa fazer a esse homem de excepção, que é Stanley Ho, só podem ser de gratidão, amizade e admiração. Tal não invalida quer a gratidão, quer as excelentes relações pessoais e profissionais que mantenho com a sua filha mais velha Pansy Ho, uma empresária de mérito internacional que a ele sucedeu como actual accionista maioritária do Grupo Estoril-Sol. Mas a verdade é que foi nos 28 anos de convivência com Stanley Ho que aprendi o que sei sobre casinos e, mais que isso, aprendi a assimilar a sua visão estratégica e a admirar o seu apego a Portugal.

Como assim?

Na sua excepcional perspicácia, ele sabia ser completamente distinta a realidade socioeconómica e política de Portugal e de Macau e, como tal, serem exigivelmente diferenciados os modelos de casinos a operar nos respectivos espaços territoriais.

Confiou em mim e, praticamente, deu-me “carta-branca” para configurar e operacionalizar um novo conceito de casino capaz de corresponder plenamente às exigências e apetências do público português. E assim se reconfigurou totalmente e quadruplicou em espaços o Casino Estoril.

Seguiram-se vários negócios depois?

Veio, a seguir, a aquisição do Casino da Póvoa e, em 2006, a construção e inauguração do Casino Lisboa. Stanley Ho não interferia ou obstaculizava: aconselhava e orientava! E, como gostava do que via, a sua palavra sempre foi de estímulo, de incentivo a novos desafios. Quando a doença o forçou a retirar-se da vida activa empresarial, continuei a admirá-lo e, quando ía a Hong Kong, sempre procurei estar com ele. A última vez que o visitei, recomendaram-me que não ultrapassasse os 10 minutos para não o cansar. A verdade é que a nossa conversa se ramificou ao longo de mais de uma hora, até que eu, por uma questão de atenção e para não o cansar, arranjei um pretexto para me despedir dele e, como ele estava com luvas que só descobriam os dedos, peguei-lhe na mão para os beijar, em sinal de respeito.

Ele chamou o médico e as três enfermeiras e disse-me “não Mário, não é assim que eu me despeço de si” e diz “ponham-me de pé, que eu quero dar um abraço a este homem que fez tanto por mim e pelos meus desígnios em Portugal”. Foi profundamente comovente e devo confessar-lhe que as lágrimas me correrem pelos olhos… No fundo ele teve também essa capacidade de ler os sinais da cultura portuguesa. Porque ele adora Portugal. E diga-se a propósito, agora que tanto se fala de investidores chineses em Portugal, que Stanley Ho foi o pioneiro, já lá vão 33 anos, com investimentos na “Estoril-Sol”, no “Hospital Particular”, na “Portline”, nos empreendimentos urbanísticos da “Alta de Lisboa”, e do “Complexo Imobiliário da Boavista”, no Porto.

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