Startup de Cantanhede no top mundial da saúde

Uma das dez melhores startups da área da saúde a nível mundial é portuguesa: a HeartGenetics. Em Berlim, na Cimeira Mundial de Saúde, a empresa portuguesa deixou para trás 70 concorrentes de 17 países.

A partir do parque tecnológico Biocant, em Cantanhede, distrito de Coimbra, quer "levar a genética para a clínica do dia-a-dia", explica Ana Teresa Freitas, CEO da HeartGenetics. Já trabalham para o mercado brasileiro e italiano. O próximo passo é uma "entrada no mercado internacional adaptando o nosso produto às várias tecnologias que são usadas para ler a informação do DNA", atingindo, assim, mais hospitais e laboratórios. Para isso, precisam de 10 milhões de investimento e estão já a preparar uma nova ronda de captação de investimento junto de empresas de capital de risco.

A startup portuguesa de biotecnologia, que arrancou em 2013 com financiamento da ES Ventures e de outros business angels, alia a genética cardiovascular a ferramentas computacionais para criar dispositivos médicos que permitem, através de testes genéticos, detetar doenças ou adequar melhor medicamentos que estão a ser prescritos. Ou seja, coloca ao serviço dos médicos uma série de testes - com preços entre os 120 e os 200 euros - que podem auxiliar no diagnóstico e adequação do tratamento, no sentido de uma "medicina mais personalizada".

Começou por criar testes para a deteção da cardiomiopatia hipertrófica (morte súbita nos atletas, como no caso de Miklós Fehér , o futebolista do Benfica), mas neste momento tem disponível testes que permitem a deteção precoce da trombofilia, colesterol e da hipertensão arterial. Esta última doença tem em Portugal uma incidência de risco de 45%, sendo que 25% têm origem genética, explica Teresa Freitas.

O teste criado pela HeartGenetics permite não só verificar se o indivíduo tem propensão genética para desenvolver essa doença, mas se a medicação/dosagem é a mais adequada ao seu perfil genético. Essa desaquação da dosagem resulta muitas vezes em internamentos que, diz a CEO da startup, têm um custo de 800 euros por paciente para o Sistema Nacional de Saúde. Ou seja, resultam em gastos anuais de 300 milhões de euros. Os testes, acredita a CEO da HeartGenetics, permitiriam reduzir esses gastos.

Os kits incluem um dispositivo informático, cujo software faz a leitura e produz relatórios que podem ser usados pelos médicos. "Há reduções de 20% a 30% nos custos operacionais de um laboratório", destaca, além de que encurta do tempo de obtenção de uma resposta de "uma a dois meses, para cerca de quatro dias".

A HeartGenetics está ainda a negociar com uma "empresa líder no mercado na área de equipamento de testes"adianta, Ana Teresa Freitas. Assim, quando essa empresa for ao mercado vender o seu equipamento de testes aos laboratórios clínicos ou hospitais, os testes da HeartGenetics fazem parte dos testes que estão prontos a serem usados com estas máquinas.

Da Cimeira Mundial de Saúde em Berlim, a startup portuguesa veio ainda com uma carteira de contactos e pedidos de informação que poderão resultar em novos negócios com países como a Eslovénia ou a Dinamarca.

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