Coronavírus

Startups mais otimistas, sem despedimentos e com perspetivas de contratar

empreendedores; fazedores; startups

A Aliados Consulting e a FES Agency voltaram a medir o pulso às startups nacionais e concluiram que, apesar destas empresas terem sido impactadas negativamente pela pandemia, começam a olhar o futuro com maior otimismo que na última análise.

Portugal, tal como outros países da Europa, começa a retomar algumas atividades que, durante o período de Estado de Emergência, estavam encerradas. A economia começa a dar os primeiros passos, apoiada pelas empresas que começam, a pouco e pouco, a laborar. As startups são empresas geralmente relativamente pequenas, mas com uma forte componente inovadora e com crescimentos acelerados mas, tal como outras, sentem os efeitos da pandemia. Numa altura em que o desconfinamento dá os primeiros passos, os sinais que as startups estão a dar são de maior otimismo que em março, a maioria não despediu e até admitem contratar.

A Aliados Consulting e a FES Agency voltaram a inquirir as startups nacionais para medirem o pulso à situação das mesmas. E uma das conclusões, de acordo com o comunicado enviado às redações, é que mais de metade das startups (59% das questionadas) não esconde que está a sentir efeitos negativos da pandemia, “sendo que 32,4% está a sofrer perdas nas vendas superiores a 60%”. Quanto a potenciais encerramentos de portas, o estudo mostra que a preocupação com o possível encerramento “aplica-se a 36,1% e, para 41%, o valor da startup está a ser impactado negativamente”.

“No entanto, o cenário é mais positivo do que o encontrado há pouco menos de dois meses, em que 73,1% das startups afirmava estar a sofrer um impacto negativo e 43,9% se encontrava com perdas nas vendas superiores a 60%. Na altura, 44,9% mostrava receio em relação ao possível encerramento da startup e 62,8% considerava que o valor da sua startup estava a ser afetado. Agora, há mais startups que dizem estar a ser impactadas positivamente (13,1%) e que são das áreas da saúde ou da educação”, pode ler-se no comunicado.

A tónica positiva não se fica por aqui. As perspetivas para as vendas estão também a melhorar: “52,46% das startups espera que a situação relativamente a vendas evolua de forma positiva nas próximas semanas, em contraste com os 60,3% que acreditava, em março, que a situação ainda iria piorar”.

No entanto, quase metade das empresas auscultadas (49,2%) não esconde que só tem liquidez até seis meses, o que significa que se a evolução da situação não permitir uma aceleração das vendas a viabilidade financeira, e consequente sobrevivência da empresas, fica em causa. “Da amostra, 60,7% não está a levantar capital de risco e a grande fatia (72,13%) encontra-se à procura de soluções alternativas para financiar a empresa, seja através de projetos como Portugal 2020 ou setor bancário”, revela o estudo.

Uma grande maioria das startups que participaram neste inquérito (90,2%) admite que não despediu funcionários. No universo dos que participaram 8,2% admitem que despediram entre 1 a 20% da sua equipa e os restantes 1,6% indica que despediu 21% a 40% dos seus recursos humanos. “Dos despedimentos efetuados, a maior parte dos perfis (30%) relacionava-se com Marketing e Vendas. A grande maioria dos fundadores/CEO’s também não realizou cortes nos salários (82%) nem planeia fazer despedimentos nos próximos três meses (91,8%). Uma boa parte (44,3%) pretende até contratar, principalmente pessoas com perfil tecnológico (67,9%)”, pode ler-se no comunicado.

Redução de custos

Tal como muitas outras empresas, as startups procederam a cortes de custos. O estudo da Aliados Consulting indica que: 67,2% das startups teve de tomar esta opção, sendo que 85,4% realizou cortes em serviços contratados e 48,8% cortou no orçamento de marketing.

Em abril, o ministério da Economia tutelado por Pedro Siza Vieira anunciou medidas de apoio específicas para apoiar as pequenas e médias empresas (PME) e microempresas. Contudo, e de acordo com este estudo, as empresas não têm uma posição unânime quanto às medidas. Mais de metade dos inquiridos não usufruiu das medidas e “entre os restantes, a medida mais ‘popular’ é o lay-off simplificado, com 11,5% das startups a ter optado por usufruir deste apoio”.

“De sublinhar ainda que pouco mais de metade da amostra (55,7%) pretende usufruir das medidas específicas para startups anunciadas pelo governo (“StartupRH Covid19”, “Startup Voucher”, “Vale de Incubação”, “’Mezzanine’ funding for Startups” e “Covid-19 – Portugal Ventures”), sendo a medida “StartupRH Covid19” a que conta com mais popularidade. Questionados sobre o que pensam destas medidas no que diz respeito à sua relevância, a medida “StartupRH Covid19” é a que reúne mais simpatia, com 36,06% da amostra a considerá-la relevante ou muito relevante. A medida “’Mezzanine funding for Startups” é, para 32,78%, relevante ou muito relevante. Para 31,2%, a medida “Covid-19 – Portugal Ventures” é também relevante ou muito relevante”.

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