Tecnologia

Startups portuguesas aprendem a ser negócios de milhões com a Google

Google Campus Madrid
Todos os dias dezenas de pessoas passam pelo Google Campus Madrid. O edifício tem quatro pisos e atualmente é casa para mais de 20 startups. Foto: Google

Centro de empreendedorismo já foi rampa de lançamento para dezenas de empresas. Fomos saber como funciona o Campus Madrid.

A poucas centenas de metros do Palácio Real, em Madrid, há um edifício de tijolo que em tempos foi a primeira fábrica de baterias elétricas de Espanha. Mais de um século depois, a energia é outra: o espaço foi recuperado e transformado pela Google para ser um centro de empreendedorismo.

Inaugurado em 2015, o Campus Madrid rapidamente se tornou na referência para empreendedores que vivem ou passam pela capital espanhola. Agora também é a casa de duas startups portuguesas: a Barkyn, uma plataforma de comércio eletrónico que vende comida e brinquedos para animais; e a Unono, uma plataforma de recrutamento direcionada para jovens. Ambas estão a participar no programa de incubação Campus Residency – dois meses já estão cumpridos, restam outros quatro pela frente.

Quando falámos com André Jordão, diretor executivo da Barkyn, e Luís Mendes, diretor-geral da Unono, ambos estavam a recuperar de duas semanas de mentoria intensiva com funcionários da Google, que vieram de todo o mundo para ajudarem estas e mais seis empresas a escalarem os seus negócios.

“Estar com eles, a receber esse feedback todo, vai permitir-nos melhorar a nossa proposta de valor de forma radical”, confessou o porta-voz da Unono.

Já o cofundador da Barkyn diz que a empresa pode agora aplicar uma “metodologia de alta performance” à gestão da equipa, o que vai torná-los mais capazes na hora de se lançarem para novos mercados. “Já não me sentia a aprender tanto há muito tempo mesmo. (…) É conhecimento em estado puro.”

Além do investimento humano, a Google apostou num espaço descontraído, confortável e moderno para que todos se sintam em casa. Ao todo existem quatro pisos, sendo que os dois primeiros são de livre acesso para qualquer pessoa, mediante um registo online.

“Criámos o sítio onde todos do ecossistema das startups querem ir, não só de Espanha mas também de pessoas que vêm de fora”, começou por contar Sofia Benjumea, diretora do Google Campus Madrid, ao Dinheiro Vivo.

“As startups da nossa comunidade, em 2017, criaram mais de mil empregos e angariaram 76 milhões de euros. Isto é incrível e prova que as startups não são apenas um grupo de amigos que querem brincar com tecnologia.”

A líder do Google Campus Madrid mostrou-se bastante satisfeita com aquelas que são as duas primeiras empresas portuguesas a serem incubadas diretamente por um programa da gigante tecnológica.

“Há uma coisa fantástica nas startups portuguesas: pensam de forma global desde o primeiro dia, são extremamente ambiciosas”, disse, para depois acrescentar: “Estamos muito entusiasmados por aproximar os ecossistemas português e espanhol. (…) O André e o Luís vão ser, espero, nossos embaixadores e esperamos que através deles possamos começar uma comunidade e uma ligação com o ecossistema de Lisboa”.

O contacto com outras startups, fundadores e empreendedores também é uma parte importante da experiência. “Como é que aguentas estar a trabalhar numa empresa em que não te pagam, a tua família diz que és maluco, a namorada e os amigos dizem que nunca mais te veem, está toda a gente contra? Psicologicamente é bom estar e conviver com pessoas que pensam da mesma maneira que tu”, explicou Luís Mendes.

“Começamos a conhecer a realidade de outras startups, quais são os desafios na equipa e no crescimento. Começamos a criar alguma empatia entre nós e até algum suporte, damos dicas uns aos outros”, acrescentou André Jordão.

A Barkyn e a Unono acreditam que, quando chegarem ao final do programa, as suas empresas estarão transformadas. A Barkyn vai estar “diferente por dentro”, defende o CEO, enquanto a Unono vai estar mais focada num número mais pequeno de clientes, explicou o diretor-geral.

Depois de Madrid, ninguém pensa num regresso a casa. Pensam, sim, no próximo mercado para onde vão expandir o negócio.

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