Stratio recebe investimento de 12 milhões e contrata 60 em 2022

Empresa de Coimbra fundada em 2017 recolhe informação de dispositivos em veículos pesados e evita problemas para passageiros e mercadorias.

A Stratio utiliza os sensores instalados em autocarros e camiões para prever as idas à oficina e gerir a frota sem problemas. A solução da empresa de Coimbra voltou a convencer os investidores e valeu uma ronda de investimento de 12 milhões de dólares (10,6 milhões de euros) em série A, anunciada nesta terça-feira.

A injeção de capital permitirá a contratação de mais de 60 pessoas até ao final de 2022 - duplicando a equipa - e ainda acelerar o desenvolvimento da plataforma a nível mundial. As vagas serão praticamente todas para um regime de trabalho totalmente remoto ou híbrido, com apoio dos escritórios de Lisboa ou de Coimbra.

A operação foi liderada pela Forestay Capital, unidade dedicada às empresas de software como serviço (SaaS) da sociedade de capital de risco Waypoint Capital. A anterior investidora, Crane Venture Partners, também juntou-se à operação.

A anterior ronda de investimento da Stratio, em fase seed (semente) datava de 2017 - ano de fundação da empresa - e levou a uma injeção de capital de três milhões de euros, segundo a base de dados Crunchbase.

"A tecnologia da Stratio está a capacitar os operadores de frotas em todo o mundo, fornecendo-lhes a plataforma mais abrangente e fácil de usar neste espaço. Acreditamos que esta tecnologia estará em breve disponível para todos os veículos em todo o mundo e que permitirá um futuro sem paragens forçadas que irá mudar o transporte como o conhecemos, sem excluir o impacto ambiental positivo que geramos", destacam os dois fundadores da Stratio, Rui Sales e Ricardo Margalho, citados em comunicado de imprensa.

Ford Trucks, DAF, CaetanoBus e Kamaz são alguns dos principais clientes da plataforma com sede em Coimbra. A empresa já está presente em 16 países nas regiões da Europa América do Norte, América Latina e Ásia.

Tudo começou com uma avaria

Em 2015, os fundadores, Rui Sales e Ricardo Margalho, estavam a apanhar um autocarro a caminho do aeroporto. Ambos iam apresentar um projeto a uma multinacional que poderia transformar as suas vidas. À conta de uma avaria, Rui e Ricardo perderam o voo e a oportunidade.

Os primeiros anos da plataforma portuguesa, à conta desse episódio, foram mais focados na manutenção de autocarros. Com a chegada da pandemia, no ano passado, os camiões ganharam maior protagonismo, mas sem tirar tração aos pesados de passageiros, conforme o Dinheiro Vivo escreveu em setembro deste ano.

Com recurso a inteligência artificial, a solução interessa a estes clientes porque "querem evitar avarias durante o período da garantia". Além da despesa acrescida com a manutenção, uma avaria impede que a mercadoria chegue no prazo previsto e ainda desgasta a reputação da marca.

Quanto mais modernos forem os veículos, maior será o número de sensores e mais eficaz será o trabalho da empresa de Coimbra. Mesmo assim, a solução pode ser incorporada em veículos fabricados a partir do início dos anos 2000. Por exemplo, num pesado da norma de emissões Euro2, "já se consegue aceder a alguma informação sobre o motor e problemas com perdas de óleo.

Com muitos ou poucos quilómetros, a Stratio recolhe toda a informação dos sensores de origem dos veículos. A tecnológica trabalha com qualquer fabricante de pesados e qualquer combustível e energia. Toda a solução é desenvolvida por uma equipa de 60 pessoas, que inclui engenheiros automóveis, um departamento de investigação e desenvolvimento e a equipa de software para desenvolvimento da plataforma de inteligência artificial.

A empresa desenvolveu ainda uma ferramenta de condução ecológica para os motoristas pouparem combustível e desgaste das peças. Por exemplo, a estimativa de vida útil das pastilhas de travão varia instantaneamente conforme a condução.

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