CTT

“Subidas de preço sempre abaixo do ritmo da inflação são constrangimento sério”

Foto: Gerardo Santos / Global Imagens
Foto: Gerardo Santos / Global Imagens

Albino Oliveira (Patris Investimentos) e Steven Santos (BiG) comentam o impacto das futuras regras impostas pela Anacom na companhia

A Anacom apertou os critérios de qualidade que os CTT têm de cumprir no serviço postal universal a partir de 1 de julho até 2020, data em que termina a concessão do operador postal.

A pressão sobre o operador aumenta. Albino Oliveira (Patris Investimentos) e Steven Santos (BiG) comentam o impacto das futuras regras na companhia, que viu as ações recuar mais de 9% conhecidos os novos critérios.

O regulador apertou os critérios de qualidade que os CTT têm de cumprir no âmbito do serviço universal postal. Que impacto considera que poderá ter na operação num momento em que a empresa se prepara para reduzir lojas e trabalhadores? Que impacto considera que pode vir a ter ao nível das penalizações, com impacto no futuro preço dos serviços postais?

Albino Oliveira, Patris Investimentos: “O grupo terá respeitar 24 indicadores de qualidade de serviço (vs. os anteriores 11). A exigência é superior, sendo obrigatório que seja atingido o valor objetivo estabelecido para cada um dos indicadores de qualidade de serviço. O grupo terá de cumprir estes indicadores para evitar penalizações em termos de preços, inserido no programa de transformação operacional que foi anunciado no final do ano passado.”

Steven Santos, BiG: “A intensificação do contexto regulamentar, com a aplicação de mais indicadores de desempenho e a respetiva penalização caso não sejam cumpridos, poderá dificultar o êxito do plano de reestruturação em marcha, que pretende poupar custos.”

A partir de 2019 até 2020 o mecanismo de formação de preço foi alterado, com as atualizações de preços a serem sempre abaixo da inflação. Como comenta? Que impacto pode ter na companhia?

Albino Oliveira, Patris Investimentos: “O impacto está naturalmente dependente da evolução dos volumes no segmento do Correio. A ANACOM apresenta um cenário para a sua evolução nos próximos anos. Contudo, tendo em conta o comportamento nos últimos trimestres é possível, por exemplo, ter um cenário mais cauteloso, o que teria implicações diferentes em termos das receitas e do EBITDA.”

Steven Santos, BiG: “Subidas de preço sempre abaixo do ritmo da inflação parecem-me ser um constrangimento sério, sobretudo se considerarmos que é o principal negócio da empresa e que já está num declínio secular. ”

CTT referiu esperar as que as soluções encontradas não “condicionem a viabilidade ou a sustentabilidade da prestação do serviço postal universal à população”. Como comenta? Considera haver esse risco?

Albino Oliveira, Patris Investimentos: “Teremos de esperar pela forma como os CTT irão enfrentar os novos indicadores de qualidade de serviço, e até que ponto tal irá afetar as poupanças de custos associadas ao plano de transformação operacional.”

Steven Santos, BiG: “O principal risco é a execução, com os sinais de descontentamento dos colaboradores e a redução da estrutura a dificultarem a manutenção de níveis altos de qualidade na prestação do serviço postal universal. Apesar de ser um negócio em declínio, o serviço postal universal está intimamente associado à imagem de confiança e proximidade transmitida pelos CTT, pelo que problemas na entrega de um serviço de qualidade poderão deteriorar a marca.”
A rede payshop vai passar para o banco CTT. Como comenta?

Albino Oliveira, Patris Investimentos: “É possível ler a notícia como inserida no plano de transformação operacional que o grupo está a implementar. A execução deste plano deverá manter-se o principal tema para os investidores ao longo dos próximos meses, com impacto na evolução da cotação.”

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