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Super Bock Group encerra centro de produção de água no Caramulo

O CEO da Unicer, Rui Lopes Ferreira.
O CEO da Unicer, Rui Lopes Ferreira.

O Super Bock Group (antiga Unicer) vai encerrar em fevreiro o centro de produção do Caramulo, onde trabalham 26 pessoas e que se dedicava às águas lisas, anunciou a empresa.

“O Super Bock Group vai ajustar o modelo industrial nas águas lisas, com a descontinuação da atividade no Centro de Produção do Caramulo, no próximo mês de fevereiro. A restante estrutura da organização nas águas engarrafadas permanece inalterada”, lê-se no comunicado divulgado.

A empresa justifica a decisão com “a quebra significativa de volumes ao longo dos anos considerando a baixa procura pela marca nos mercados externos e interno”.

Existe “uma tendência de queda de volumes da marca ao longo desta década – na ordem dos 50% -, encontrando-se a produção atual em cerca de um terço da capacidade total desta unidade”, adiantou o grupo.

O Super Bock Group revelou ainda que já informou os 26 funcionários que trabalham neste centro de produção e concedeu a todos “a possibilidade de transferência para uma outra unidade do grupo”, garantindo que serão encetados “todos os esforços no sentido de assegurar esta mobilidade”.

Para os que optarem pela rescisão, salienta o grupo, “o Programa Social de Apoio inclui condições acima do quadro legal, contemplando ainda um plano de ‘outplacement‘, com iniciativas à reintegração profissional; a identificação de oportunidades de emprego; formação focada na empregabilidade; e formação para apoio à criação de negócio próprio”.

O Super Bock Group realçou ainda que esta decisão “não representa qualquer alteração na estratégia de negócio do grupo”, com as águas engarrafadas a manterem-se “um negócio prioritário”, que será assegurado pela restante estrutura da empresa. Os volumes de águas lisas do grupo serão assegurados através da capacidade instalada nas unidades de Envendos e Castelo de Vide.

O Dinheiro Vivo tentou contactar a empresa, que remeteu para o comunicado. Documento onde se pode ler que a empresa se rege por “princípios de sustentabilidade e eficiência a longo prazo, considerando sempre a volatilidade da conjuntura económica, exigências dos mercados e necessidades dos consumidores”. A prioridade, sublinha o Super Bock Group, presidido por Rui Lopes Ferreira, “é e será a manutenção dos mais de 1300 postos de trabalho diretos, contribuindo, de forma positiva, para a economia nacional”.

Recorde-se que, em outubro de 2015, a então Unicer anunciou o encerramento da fábrica de refrigerantes do grupo em Santarém, devido aos “baixos níveis de utilização da capacidade instalada”. Foram despedidos então 140 trabalhadores, em resultado da queda de vendas no mercado angolano, então o principal mercado externo do grupo.

“A redução no volume de negócios da empresa, subjacente a uma quebra no mercado cervejeiro angolano que se estima em 30%, terá impacto no desempenho de 2016, com o exercício de 2015 ainda a beneficiar dos efeitos de um rigoroso plano de contenção de custos oportunamente implementado”, explicava, então. Dois anos antes, a Unicer havia suspendido a produção de cerveja em Santarém, concentrando toda a sua produção em Leça do Balio, onde investiu, na altura, 80 milhões de euros na expansão e modernização da fábrica.

A quebra de vendas em Angola, por via da crise que este país atravessa desde 2015, levou a empresa a procurar novos destinos e tem, agora, na China o seu principal mercado externo. Mas as exportações nacionais de cerveja estão, este ano, em queda. Entre janeiro e novembro, as cervejeiras portuguesas exportaram 121 milhões de euros, menos 28 milhões que no período homólogo. Angola, que em 2012 comprou quase 150 milhões de euros às cervejeiras portuguesas, comprou, até novembro de 2018, apenas 12 milhões, menos de metade do ano anterior (30,4 milhões). E até as exportações para a China estão a cair: 31,4 milhões de euros versus 59 milhões nos primeiros 11 meses de 2017.

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