Super Bock vai despedir 10% dos trabalhadores. Sindicato antecipa possível venda

Cervejeira já anunciou decisão aos trabalhadores. Despedimento vai afetar todas as áreas do grupo.

"A significativa redução da atividade do Super Bock Group, provocada pelo efeito da pandemia covid-19, bem como o cenário de recessão previsto para o futuro próximo, forçam a empresa a reajustar a sua estrutura para defender e proteger a sustentabilidade do grupo", comunicou esta tarde a cervejeira, assumindo que o contexto forçou a empresa a reorganizar-se e reduzir a sua estrutura.

Significa isto que a cervejeira terá mesmo de avançar com despedimentos, esclarecendo a empresa que essa decisão "difícil" irá afetar 10% da força de trabalho e que já comunicou a decisão à Comissão de Trabalhadores e a todos os colaboradores do grupo, para arrancar com o processo que ainda neste mês de junho.

Em 2018, últimas contas disponíveis, o grupo contava com 1413 trabalhadores e atingira um resultado líquido na ordem dos 51 milhões de euros, com vendas de 458 milhões. Contactado pelo Dinheiro Vivo, o sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal (SINTAB) diz que os despedimentos rondarão cerca de "120 pessoas".

Os valores concretos da proposta de rescisão com que o grupo irá avançar não são ainda conhecidos pelos sindicatos "mas o que nos foi dado a entender é que será ao mesmo nível de reestruturações anteriores, com um valor acima do legal para o despedimento, que andará pelos 1,2 salários por cada ano de trabalho, sendo ainda proposto um serviço de outplacement" para a colocação dos trabalhadores, diz José Eduardo, dirigente sindical do Sindicato.

 

Com grande fatia dos resultados a vir de fora e outra parte significativa do canal HORECA, a crise da covid e o confinamento que ainda mantém encerrados bares e discotecas, por exemplo, terá sido um grande abalo para a cervejeira.

"O canal HORECA foi forçado a uma paragem obrigatória de dois meses", lembra a companhia, sublinhando que se mantêm os constrangimentos ao desenvolvimento normal da atividade que representa cerca de 70% do mercado de bebidas refrescantes em Portugal, "pelo que os seus efeitos vão prolongar-se e continuar a ter um significativo impacto no desempenho do Super Bock Group".

Os despedimentos necessários nesta "conjuntura excecional" irão afetar "diferentes áreas da organização", avança a Super Bock, que se diz empenhada em "implementar soluções de compensação pelo impacto desta medida, tendo constituído um programa de apoio que inclui condições acima do quadro legal, bem como um programa de outplacement e formação focados na empregabilidade".

O grupo lembra ainda a complexidade da realidade atual "num mundo cada vez mais volátil", assumindo continuar a ser sua prioridade "a sustentabilidade da empresa, adequando de forma contínua a sua estrutura às necessidades atuais e futuras do negócio".

Sindicato acredita que há venda no horizonte

Recorde-se que há cinco anos o mesmo grupo fechou a fábrica de Santarém, tendo então despedido 70 trabalhadores da unidade de refrigerantes, aos quais se juntam outros 70 que estavam afetos à unidade de Leça do Balio (leia mais aqui). A unidade industrial de Santarém foi encerrada em março de 2016, num processo de reestruturação ligado ao arrefecimento do mercado angolano (saiba mais aqui).

Agora, o sindicato prevê que esteja em curso mais uma reestruturação com objetivos que vão além da resposta à covid. "Em março, numa comunicação aos trabalhadores, o presidente do conselho de administração já tinha dado sinais de que podia haver uma reestruturação no grupo", adianta José Eduardo, que considera "estranho que uma empresa que entrega cerca de 50 milhões de dividendos aos acionistas (em 2019 referente a 2018) seja a mesma que agora reduz em 10% a força de trabalho". Uma situação que, diz, "nos faz acreditar que o boato de que o grupo se prepara para emagrecer para vender tem fundamento".

(Notícia atualizada às 19.45 com declarações do sindicato)

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