Superalimentos amigos do ambiente rendem 8 milhões a marca portuguesa líder

O CEO da ISWARI, especializada em comida à base de plantas, bio e sem glúten, explica o crescimento de uma área com cada vez mais clientes. Dois terços dos resultados vêm de fora. E já tem "a mira apontada a Alemanha, Reino Unido e países escandinavos", revela Thomas Reuter.

Depois de dois anos de pandemia, a saúde é eleito como o principal tema de preocupação dos consumidores nos estudos de mercado. De que modo a Iswari está a colher benefícios desta maior preocupação dos consumidores?
A nossa missão é "selecionar e oferecer o melhor que a natureza tem para dar". Partindo do pressuposto que temos conseguido cumprir com essa missão, a maior preocupação dos consumidores pelo seu sistema imunitário, e de uma maneira pela saúde, trouxe visibilidade acrescida à categoria da alimentação funcional. E, como marca de referência em alimentos funcionais (os chamados superalimentos), a Iswari tornou-se obviamente mais relevante para cada vez mais consumidores.

Lançaram a gama Super Vegan Fitness em 2020, assinalando entrada na área da nutrição desportiva, e já em 2021 a gama Baking. Que resultados têm obtido ao nível de vendas?
A entrada da gama Baking (misturas prontas de padaria e pastelaria biológicas, vegan e isentas de glúten) é muito recente, pelo que os resultados mais visíveis estão na nossa gama de nutrição desportiva, a Super Vegan Fitness. Os resultados são felizmente bastante satisfatórios. Nota-se que tal como para a nutrição do dia-a-dia, existe cada vez mais preocupação do consumidor em alimentar-se corretamente quando treina. E foi o que apresentámos ao mercado: soluções para quem faz desporto, saudáveis, com poucos ingredientes, e principalmente sem aqueles ingredientes "ilegíveis" que encontramos quando lemos um rótulo.

Os produtos plant based têm sido uma tendência crescente - tanto ao nível oferta, como de procura - de que modo a companhia está a responder a esta tendência? Ao nível de novas gamas de produtos? Que resultados está a sentir ao nível de vendas?
A essência da Iswari é "plant-based". Um estudo solicitado pela União Europeia mostra que o consumo desse tipo de produtos cresceu 49% entre 2018 e 2020. Esse estudo refere-se principalmente às categorias substitutas de leite, carne, etc., que não é o nosso caso, mas conseguimos perceber que existe de facto essa tendência, e a Iswari faz parte desse movimento. A resposta da nossa marca é a tentativa de ser precursor em gamas de produtos "plant-based" (sendo que no nosso caso adiciona-se o biológico e isento de glúten). Foi por isso que desenvolvemos a Super Vegan Fitness e a gama Bakery. E outras inovações estão a caminho.

As gamas resultam de receitas produzidas pela Iswari? Que investimento alocam à inovação e ao desenvolvimento de produto?
Todas as nossas receitas resultam do nosso "know-how". São receitas nossas. Desde a sua criação em 2010, a Iswari pautou-se pela pretensão de inovar em alimentação saudável. E essa inovação faz-se fundamentalmente através de "horas de laboratório" para encontrar produtos saudáveis que possam ser consumidos por todos. O nosso investimento é maioritariamente em pessoas, já que os processos utilizados são simples e naturais.

Quantas pessoas estão ligadas a esta área de I&D?
Temos uma pequena equipa multidisciplinar de 8 pessoas, que inclui marketing, nutrição, compras e engenharia alimentar. Adicionalmente, recorremos pontualmente a parceiros externos, que nos permitem inovar incessantemente, e sem comprometermos nada.

Qual foi a faturação em 2020 e como evoluíram as receitas face ao ano anterior?
Chegámos em 2020 aos 8 milhões de euros de faturação, com crescimento face a 2019 apesar das contingências de mercado. A verdade é que se por um lado sentimos o efeito positivo da maior preocupação dos consumidores com a saúde, a verdade é que esse efeito está a ser mitigado pelos receios do retalho em investir em novas marcas e negócios, e pelas próprias restrições orçamentais dos lares pela Europa fora. A verdade é que olhando para outros setores fortemente impactados pela pandemia, não nos podemos queixar.

Que peso tiveram as vendas da vossa loja online nesse desempenho?
Não fugimos ao que foi a regra em 2020, que foi o despertar do consumidor para a experiência online.

No Online vão estar/estão disponíveis em outras lojas de terceiros, marketplaces?
A nossa presença online pode segmentar-se em 3 canais: o nosso site, as lojas online dos nossos clientes (que viram esse canal aumentar) e alguns "pure players" de e-commerce espalhados pela Europa.

O que estima que esse canal possa vir a representar nos vossos resultados?
Prefiro não me aventurar em previsões desse tipo. A nossa empresa tem vários desafios no que toca a gestão de canal, cuja resposta varia de país para país. Estou a falar do online vs offline, mas também do canal de lojas especializadas vs hipers e supermercados. Relativamente à questão específica do online, o importante é a Iswari estar disponível para os seus clientes, qualquer que seja a sua preferência de compra. E nesse aspeto estamos a fazer um bom trabalho. Qualquer consumidor em Portugal pode comprar em centenas de pontos de venda em Portugal, ou comprar online, em vários websites.
Para terminar sobre este ponto, a Iswari.com não é apenas a nossa loja online. Existem poucas marcas no mercado com uma gestão de conteúdos tão completa e informativa como a existente no nosso site. É uma ferramenta que os nossos consumidores usam, independentemente do seu local de compra.

Estão disponíveis no canal do retalho alimentar em Portugal, mas estão presentes em mais de 15 países. Quais?
Os nossos principais mercados, para além de Portugal, são França, Espanha, Itália, Irlanda e República Checa. São mercados onde temos um negócio consolidado e duradouro. Temos desde há uns anos para cá desenvolvido negócio noutros territórios, que vão da Suíça a Omã, passando pelos países Bálticos.

Qual o peso do mercado externo nos resultados? Qual o mercado externo com maior peso nos resultados e qual o que tem crescido mais?
O mercado externo vale mais de 2/3 da faturação da empresa, com destaque para o mercado francês. Estamos a falar do mercado que, a par da Alemanha, mais consome produtos biológicos na Europa (11.9 mil milhões de euros de valor de mercado em 2019), e onde a Iswari conseguiu o seu lugar. No que toca a crescimentos, tivemos resultados bastante homogéneos entre geografias, sendo que tivemos uma ótima surpresa com os resultados obtidos na República Checa.

Que novos mercados adicionaram a nível de envios? Em que cadeias estão presentes?
Estamos a desenvolver negócio no Leste Europeu e no Médio Oriente.

Que novos mercados estão na mira ao nível de exportações?
Prefiro não adiantar muito sobre negócios não finalizados, mas o nosso objetivo é consolidar o "footprint" da Iswari e da Super Vegan Fitness na Europa. Os mercados mais apetecíveis não são segredo para ninguém: Alemanha, Reino Unido, países escandinavos. A mira está apontada. Falta agora dar o tiro.

Como tem corrido o ano, ao nível de vendas, até final de abril? Qual a evolução homóloga? Quais as estimativas para este ano?
Apesar de estarmos a comparar um 2021 maioritariamente confinado com um início de 2020 principalmente desconfinado, continuámos a crescer. Não tanto como queríamos, mas a evolução sanitária abre-nos boas perspetivas para o final do ano.

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