Taguspark investe 50 milhões para crescer e atrair novas empresas

O parque empresarial em Oeiras quer ser uma referência a nível europeu. Está a receber novas multinacionais, quer apostar no aeroespacial, na oceanografia e, a prazo, estuda criar uma componente residencial

Mudar a assinatura, apostar no desenvolvimento tecnológico e projetar uma estratégia de futuro. O Taguspark, parque empresarial no concelho de Oeiras, está a preparar uma nova fase de crescimento e tem uma estratégia pensada a curto e médio prazo. Eduardo Baptista Correia, CEO do Taguspark, explica ao DV que estão a acabar agora um investimento de 50 milhões de euros com o objetivo de "trazer o parque para o século XXI", mantendo as cerca de 160 empresas já instaladas, 22 startups e 16 mil pessoas que ali entram diariamente.

Mas os planos são de crescimento. A aposta vai instalar em breve mais duas multinacionais no parque, a PHC, da área da gestão, e a Miniclip, uma multinacional de desenvolvimento de jogos eletrónicos. Eduardo Baptista Correia explica que cada uma das empresas tem um edifício novo, com uma área de 4 mil m2 para cada e feitos à medida. O da PHC está já concluído e a receber cerca de 250 trabalhadores, no primeiro passo de renovação do parque criado em 1992, enquanto que o edifício para a Miniclip estará concluído até ao fim de 2021. "O Taguspark tem 28 anos e havia uma enorme necessidade de o trazer para o século XXI", o que tem passado muito pela renovação dos edifícios já existentes e que justifica parte do investimento de 50 milhões: nove milhões foram para a renovação dos oito edifícios de Tecnologia e Inovação, a concluir ainda neste primeiro trimestre, e já permitiu a instalação no parque de uma empresa como a LG. "Temos sido bem-sucedidos e hoje quem vê o parque pensa que foram construídos no ano passado. Essa modernização teve lugar de forma muito intensa e em simultâneo com o novo edificado", diz.

Mas a renovação passa também por novas vertentes e o CEO destaca ainda a aposta nas artes: "Estamos a a querer encontrar uma forma de termos aqui um grande museu de arte urbana. Essa poderá mesmo ser uma das próximas grandes construções. Consideramos que este parque tem muito a ganhar." Mas o investimento em arte está já em curso com o convite que foi feito a cinco graffiters portugueses para transformarem as paredes de garagens de oito edifícios. Clo Bougard, Youthone, Gonçalo Mar, The Caver e Stylerone inspiraram-se em temas "que subscrevemos, como a poesia portuguesa, a História de Portugal, a filosofia e a amizade ou o próprio desenvolvimento tecnológico." Há ainda dois projetos de artistas plásticos nacionais nos jardins do parque: Osir e Bordalo II. "Reconhecemos a necessidade de ter um edificado moderno, confortável e bonito, de ter o espaço público irrepreensível. Reconhecemos que há um conjunto de fatores que tornam a vida das pessoas no seu quotidiano laboral mais agradável, como a presença das artes, e por isso temos investido muito nas artes e exposições. A nossa visão é criar um ambiente de bem-estar, de criatividade e propício ao desenvolvimento empresarial".

Espaço e Oceanos na nova estratégia
Eduardo Baptista Correia conta que está já a preparar a próxima fase do parque e que isso passa por uma "mudança de assinatura. Vamos passar a definir-nos como Cidade do Conhecimento. Aquilo que fazemos aqui é conhecimento e queremos usar isso a favor do desenvolvimento tecnológico". O parque está a atrair "um conjunto de novas empresas que estão a dirigir para aqui o seu local de trabalho. Empresas pequenas, médias, grandes e multinacionais", o que leva "a um conjunto de pessoas dos mais diversos cantos do mundo. Portugal tornou-se mais aberto, mais atrativo à comunidade internacional e o Taguspark não é exceção. O core business é muito ligado a eletrónica, telecomunicações, ciências da saúde. Temos farmacêuticas (caso da Novartis ) , empresas de equipamento médico e são áreas que têm vindo a desenvolver-se".

Agora, o CEO quer atrair duas novas áreas que, diz, são "duas áreas onde Portugal deve investir": aeroespacial e investigação oceanográfica. "Somos donos da maior Zona Económica Exclusiva Marítima da Europa e isso permite-nos antever um potencial económico muito grande" e há ainda o potencial do aeroespacial. O responsável admite que já há interessados destas duas áreas em estabelecerem-se no parque. "Temos um grupo muito interessante ligado ao aeroespacial e estamos, neste momento, com essas instituições - que são várias - a tentar determinar a melhor forma de introduzir essa economia no parque. E isso pode ser feito através do ensino, o primeiro passo pode ser esse; como pode ser também através de um conjunto de empresas que já desenvolvem as suas atividades aqui."

O Taguspark tem já uma área potencial de construção de 180 mil m2 e o crescimento "depende muito da forma como evoluiremos nessa matéria. Mas é muito mais importante assumir uma estratégia de desenvolvimento dessas duas áreas", aeroespacial e oceanografia, "até pelo governo português. Podem ser áreas que vão alicerçar a investigação científica, o ensino universitário e o investimento e podem ser o alicerce de uma recuperação económica que Portugal está a adiar há muito tempo. O parque está pronto para acolher isso e a nossa localização, o próprio ambiente do Oeiras Valley, de forte investigação científica, com a presença do Instituto Gulbenkian de Ciência, do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, do Instituto de Tecnologia Química e Biológica, criam uma efervescência e um ecossistema propício ao desenvolvimento dessas atividades".

No entanto, há outras possibilidades na calha e também para breve: "Temos continuamente um conjunto de empresas a querer vir para o parque e posso dizer que temos em fila de espera e estamos a analisar os contratos ao detalhe, em pré-assinatura, de um grande banco, de uma grande empresa na área da construção e de uma grande referência na área das artes. São três grandes peças. Associado a isso, temos mais de 15 propostas na rua feitas em novembro, algumas para espaços pequenos. O facto é que o Taguspark é hoje uma referência, porque somos competitivos na localização, na atratividade do edificado e no preço. De algum modo, isso justifica muito a procura que tem vindo a existir."

Acrescentar a área residencial
Para uma segunda fase, Eduardo Baptista Correia tem já objetivos delineados, que está a analisar com a Câmara Municipal de Oeiras, o maior acionista do parque, com 19,16%. "Estamos a analisar tudo devidamente enquadrado com os novos eixos viários que estão pensados para a região", mas há planos de se poder investir numa área residencial.

"Não tivemos ainda essa componente e percebemos hoje que há uma necessidade de criar habitação mais próxima. Estes jovens profissionais que aqui trabalham, ligados às tecnologias, ambicionam ter residência nas proximidades e, numa segunda fase, ambicionamos ter essa componente residencial que permita às pessoas ter casa perto do local onde trabalham", revela. O investimento para essa área não está ainda definido, mas "a capacidade construtiva total é de 130 mil a 200 mil m2. Diria que entre 20% e 40% dessa capacidade poderá ser direcionada para a componente residencial."

Energia limpa
O parque está a investir ainda na transição energética. Foram instalados 1500 painéis fotovoltaicos, que permitem a produção de 1 Gigawatt anual e a redução em 25% do consumo da rede de energia.

Ao mesmo tempo, tem "a maior densidade de carregadores elétricos para viaturas. Decidimos investir forte e está a aumentar a utilização, mesmo em tempos de pandemia a maior parte desses carregadores está a ser utilizada", tanto por parte de frotas das empresas instaladas no parque, como de trabalhadores.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de