privatização da TAP

TAP. Administração e pilotos cada vez mais distantes

Fernando Pinto, presidente da TAP
Fernando Pinto, presidente da TAP

O presidente da TAP, Fernando Pinto, escreveu aos pilotos a rejeitar o incumprimento do acordo firmado em dezembro, acusando o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) de invocar "acordos" inexistentes, distorcendo ou omitindo factos. O Sindicato respondeu pela mesma via, acusando a TAP de pretender promover uma "encenação para consumo interno e não um verdadeiro exercício de compromisso simétrico e autêntico".

Na carta enviada aos pilotos na terça-feira, citada pela agência Lusa, Fernando Pinto insiste que “a TAP cumpriu rigorosamente a sua parte do compromisso assumido quanto à negociação dos domínios do Acordo de Empresa”, considerando que o SPAC — bem como os demais sindicatos — alcançaram “conquistas muito relevantes”.

“É, neste contexto, incompreensível a acusação do SPAC de que houve incumprimento, invocando ‘acordos inexistentes, distorcendo ou omitindo factos provados e apresentando montantes imaginários de prejuízos dos pilotos, que não têm fundamento racional e razoável”, acrescenta o responsável da companhia de aviação.

Já o Sindicato dos Pilotos respondeu a Fernando Pinto, com cópia para o secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações, Sérgio Monteiro, sublinhando que “regista e lamenta a indisponibilidade da TAP” para cumprir o Acordo de Empresa em vigor, previamente à eventual reprivatização do grupo, “no que constitui um prenúncio preocupante do que se anuncia para o futuro”., designadamente no que se prende com a atribuição e/ou compensaçao de todos os períodos de folgas em atraso.

“O impasse a que este processo chegou”, pode ainda ler-se na extensa missiva, distribuída por quatro páginas e em que, ao longo de 25 pontos, o sindicato expõe as suas queixas, ficou “mais uma vez confirmado” na reunião entre o SPAC e a TAP, alegam os pilotos, e na qual os responsáveis da transportadora aérea portuguesa reiteraram “a sua intransigência na não reposição das cinco diuturnidades suspensas desde 2011”.

A direção do sindicato reitera que, na ausência da concretização dessa reposição, o SPAC considera “não estarem reunidas as condições para ratificar” o acordo proposto pela TAP, por ser “manifestamente incompatível” com o que houvera sido acordado com o Governo e “por ser instável, face à vontade coletiva dos pilotos e do SPAC, para além de ser flagrantemente inconstitucional”.

A missiva termina recordando que está convocada para hoje uma Assembleia de Empresa para que os pilotos “apreciem e deliberem” sobre este processo negocial.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Outros conteúdos GMG
Hoje
Utentes à saída de um cacilheiro da Transtejo/Soflusa proveniente de Lisboa, em Cacilhas, Almada. MÁRIO CRUZ/LUSA

Salário médio nas empresas em lay-off simplificado caiu 2%

Mealhada, 3/7/2020 -  O complexo Turístico Três Pinheiros, um espaço emblemático da Bairrada, apresentou um pedido de insolvência  na sequência das quebras provocadas pela pandemia de Covid-19.
(Reinaldo Rodrigues/Global Imagens)

Mais insolvências e menos novas empresas em julho

A ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho (D), ladeada pelo secretário de Esatdo dos Assuntos Parlamentares, Duarte Cordeiro (E), intervém durante a interpelação do Partido Comunista Português (PCP) ao Governo sobre a "Proteção, direitos e salários dos trabalhadores, no atual contexto económico e social", na Assembleia da República, em Lisboa, 19 de junho de 2020. MÁRIO CRUZ/LUSA

Já abriu concurso para formação profissional de 600 mil com ou sem emprego

TAP. Administração e pilotos cada vez mais distantes