TAP arrisca perdas de 70 milhões com greve de pilotos

Fernando Pinto enfrenta nova ameaça de greve na TAP
Fernando Pinto enfrenta nova ameaça de greve na TAP

No mês em que o Governo começa a receber as propostas para compra da TAP, a empresa de aviação arrisca novos prejuízos. O Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil convocou uma greve de 10 dias, com início a 1 de maio, que poderá ter um impacto de até 70 milhões de euros para a empresa. Cada dia em terra custa entre 6 e 7 milhões de euros à TAP.

Os pilotos do SPAC, que se reuniram ontem em Plenário, voltam a afastar-se do Governo e da gestão da companhia para reivindicarem reposições salariais e ainda uma parcela até 20% na privatização da empresa, alegando um acordo de 1999, altura em que João Cravinho liderava o sector dos transportes. Na proposta aprovada perante cerca 500 pilotos, o SPAC apela, por isso, à TAP e ao Governo para “honrarem e valorizarem os acordos de 23 de dezembro de 2014 e de 10 de junho de 1999 e os contributos dos seus pilotos ao longo dos últimos 15 anos, de um modo equilibrado”.

A TAP, por seu lado, tal como o Governo, recebeu o anúncio com surpresa e não entende a razão do protesto. É que no acordo assinado em dezembro do ano passado, ficava clara a necessidade de se manter o clima de paz social. “Nas rondas de negociações de dezembro e no acordo assinado, o SPAC assumiu um compromisso e três meses depois avança com uma intenção que vem ao arrepio do que estava acordado”, afirmou fonte oficial da TAP ao Dinheiro Vivo, acrescentando que, sem verbas provenientes do Estado, a companhia “depende exclusivamente das receitas que gera”, valores esses que ficarão fortemente comprometidos com uma paralisação de dez dias. “Foi feito um apelo ao bom senso”, refere ainda a companhia aérea, lembrando que não está em causa apenas o impacto financeiro que pode chegar aos 70 milhões de euros, como também os danos de imagem que a companhia vai sofrer. Isto tudo numa altura em que começavam a crescer, depois do abalo sentido com a ameaça de greve de dezembro do ano passado.

Com janeiro e fevereiro de baixa procura, a TAP conseguiu crescer 2,9% em março, tendo superado em 2,7% o número de passageiros transportados na mesma altura do ano passado. A boa prestação “ajudou a colocar o trimestre acima do verificado há um ano”. No entanto, uma nova greve “obviamente que desvaloriza a TAP e tem um impacto direto na confiança dos investidores”, lembra a companhia aérea.

A última greve convocada pelos pilotos, a que se juntou toda a plataforma sindical da TAP, acabou por ser travada pelo Governo por uma requisição civil. No entanto, para já, o Executivo não coloca essa opção em cima da mesa: “Em dezembro, o Governo decretou a requisição civil em circunstâncias muito excecionais, muito excecionais”, disse o primeiro-ministro, lamentando a convocatória dos pilotos. “Eu espero que esteja ao alcance do sindicato dos pilotos repensar esta atitude”, adiantou.

Ainda sem receber qualquer pré-aviso de greve, “a TAP mantém-se disponível para negociar, dentro daquilo que lhe for possível”, no sentido de minimizar os impactos que a greve pode ter. O SPAC também admite vir a desconvocar a paralisação, mas para isso, diz, têm de ser “assegurados de forma inequívoca” os direitos que reclama.

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