TAP: consórcio assume totalidade da dívida

David Neeleman, TAP
David Neeleman, TAP

David Neeleman, o empresário norte-americano que integra com Humberto Pedrosa o consórcio que venceu a compra de 61% do Grupo TAP, disse esta quarta-feira que vai assumir a 100% da dívida da transportadora aérea.

“Assumimos a dívida da TAP”, precisou David Neeleman naquela que foi a sua primeira conferência de imprensa depois de ter sido conhecido o seu interesse na companhia de bandeira naciola. O empresário referiu ainda que já teve reuniões com os bancos credores e que “todos” se mostraram favoráveis a este processo de privatização.

Este apoio dos credores deverá manter-se agora que o consórcio formalizou a compra, através da assinatura do contrato, e vai poder detalhar o seu plano para a empresa, através do qual promete fortalecer a transportadora. Porque, “todos queremos uma TAP mais forte”, precisou, adiantado que esta é também a receita para que a empresa se possa tornar mais eficiente e regressar aos lucros, que serão essenciais para reduzir a dívida.

David Neeleman admite que a TAP possa regressar a resultados líquidos positivos já em 2016. “Este ano vai ser difícil conseguir ter lucro, mas no ano que vem, quando implementarmos a mudança, pretendemos ganhar lucro”, sublinhou o empresário, que é dono da Azul, no Brasil.

O plano estratégico da Gateway para a TAP, cujas linhas gerais foram apresentadas esta quarta-feira, é também o trunfo que David Neeleman conta usar junto dos trabalhadores para conseguir a desejada paz social. É que, precisou, para que a emprega reduza custos e se torne mais eficiente sem que haja despedimentos – e as reduções de pessoal ou cortes salariais estão proibidas durante 3 anos por imposição do caderno de encargos – será necessário o empenho e o envolvimento de todos.

“O melhor que podemos ter para os trabalhadores é um plano para fazer crescer a TAP. Temos de ser ‘sócios’ neste processo de crescimento”, afirmou, sinalizando que pretende envolver todos os trabalhadores nas decisões.

O facto de o sindicato dos pilotos estar fora do acordo que foi assinado pelo Governo não assusta Neeleman: “conheço muito pilotos, e eles querem segurança, querem uma empresa onde possam estar 10,20, 30 anos, onde os seus filhos possam ser pilotos”.

Sobre a participação no consórcio Gateway e perante os avisos de Bruxelas de que estará atenta ao equilíbrio de forças e ao real papel de Humberto Pedrosa, David Neeleman salientou que o dono do Grupo Barraqueiro é de facto quem detém a maioria do capital do consórcio que responde pela compra de 61% da TAP e que tem a opção de compra de mais 34% a partir de 2017.

Humberto Pedrosa esclareceu, por seu lado, que a sua participação no consórcio não é feita através do Grupo Barraqueiro, mas através da sua holding pessoal, que é acionista do grupo transportador que detém hoje ativos nos setores rodoviário, ferroviário e concessões de metro.

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