TAP. Novo CEO já terá sido escolhido pelo governo

Plano de reestruturação da TAP continua a ser analisado por Bruxelas. Short-list de candidatos incluía alemão Jaan Albrecht Binderberger.

O Estado, maior acionista da TAP, já terá escolhido o novo presidente executivo da companhia aérea. O Ministério das Infraestruturas, contactado pelo DN/Dinheiro Vivo, não faz comentários, mas a notícia foi avançada ao final do dia de ontem pela SIC Notícias: o sucessor de Ramiro Sequeira, atualmente CEO interino, será uma personalidade ligada ao setor da aviação. No início de janeiro, o Jornal Económico avançava que havia uma short-list de candidatos identificados para assumir a presidência executiva da companhia. Jaan Albrecht Binderberger, gestor alemão, com mais de 40 anos na indústria de aviação, tendo estado à frente dos destinos da Saudi Arabian Airlines (Saudia) até ao início do ano passado, era um dos nomes. Ramiro Sequeira vai manter-se na administração da empresa, segundo o Negócios.

A manutenção de Miguel Frasquilho, presidente do conselho de administração, também ainda não será certa. No entanto, Diogo Lacerda de Machado - advogado e a elemento que liderou o processo de reversão da privatização da TAP - e Esmeralda Dourado já fizeram saber que não estão disponíveis para continuar depois de abril. O mandato do conselho de administração da TAP terminou a 31 de dezembro. Contudo, e dado que o plano de reestruturação da transportadora aérea está ainda a ser negociado com Bruxelas, a assembleia geral eletiva está atrasada, ainda não estando marcada uma data, o que segundo o Eco, precipitou a saída destes dois gestores.

Nova gestão executiva
No início de julho, quando o Estado ficou com a participação de David Neeleman no consórcio privado da TAP, tornando-se acionista com 72,5%, o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, disse em conferência de imprensa que "no imediato, o CEO da TAP terá de ser substituído". O mal-estar entre o governo e presidente executivo da transportadora não era recente e a troca de Antonoaldo Neves por Ramiro Sequeira - até então diretor de operações - aconteceu semanas depois, sendo que o português foi mandatado para ocupar o cargo de forma interina.

Em dezembro de 2020, o governo fez chegar a Bruxelas o plano de reestruturação da TAP, uma obrigação devido à ajuda de Estado de 1200 milhões de euros concedida à empresa. O plano está ainda a ser negociado com a Comissão Europeia. Na semana passada, Miguel Frasquilho admitiu no parlamento que o documento não deverá estar fechado até ao final deste trimestre, como acreditava o governo. O executivo, segundo a imprensa, estará a negociar uma injeção de 200 milhões na TAP para que esta possa cumprir com as suas obrigações financeiras.

Nas últimas semanas, a companhia aérea tem estado na ribalta. O plano de reestruturação previa a saída de dois mil funcionários: cerca de 750 tripulantes, 500 pilotos e 750 elementos de terra. Para despedir, a empresa foi considerada em situação económica difícil e os sindicatos negociaram com a TAP e o governo acordos de emergência, o que suspende algumas cláusulas dos acordos de empresa. Foram implementadas medidas voluntárias - como cortes nos salários, reformas antecipadas, cessação de contrato por mútuo acordo - cujo período de adesão termina a 14 de março. No entanto, e apesar destas medidas, devem sair ainda do grupo 800 trabalhadores.
Por outro lado, e dado nestes primeiros meses de 2021 o transporte aéreo continuar a sentir fortemente os efeitos da pandemia, a TAP está apenas a operar a 7% da sua capacidade, algo que deverá manter-se até ao final do mês.

A nova equipa executiva terá a seu cargo a implementação do plano de reestruturação da TAP, que termina em 2024, e a negociação de acordos de empresa.

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