privatização da TAP

TAP. “O nosso ativo é a nossa gente. Aeronaves todos têm”

Acionistas da TAP entraram definitivamente em novembro
Acionistas da TAP entraram definitivamente em novembro

Os novos donos prometem “mais mil milhões de euros” para a TAP. “Foi já decidida a encomenda de 53 aviões novos, de última geração, mais confortáveis e eficientes, novos interiores de cabina, com produtos adequados a cada segmento de clientes”, afirmou David Neeleman a propósito da encomenda dos 14 aviões Airbus 330--900 e dos 32 A320 NEO, mais eficientes e mais económicos, a centenas de trabalhadores da companhia aérea nacional que ontem se juntaram no refeitório da empresa.

A casa encheu-se para receber os líderes do consórcio, com Fernando Pinto como mestre-de-cerimónias no evento que também foi transmitido para todos os funcionários por streaming: “É um dia importantíssimo para a TAP e tenho a certeza de que para todos nós. Para mim, especialmente porque trabalhei 15 anos para isto.” Os mais distraídos perceberiam facilmente a que se referia o presidente da TAP: a privatização, para a qual foi chamado no princípio do milénio, aconteceu.

Não se demorou em introduções. Falou da TAP e das dificuldades que, durante 15 anos, enfrentou para sobreviver. “Vivemos sem capital. O crescimento foi passo a passo, sempre em grandes dificuldades. E sempre pedindo dinheiro à banca, um dinheiro caro.” Mas como o próprio admitiu, “até com uma certa emoção”, não foi por ele que o grupo parou nesta sexta-feira, mas para conhecer os novos donos, que um dia depois de assinarem o contrato final de compra da companhia vieram falar do plano que já têm para a companhia: novos aviões, reforço da operação com mais frequências e novos destinos e um ambiente laboral que permita a cada trabalhador dizer que tem o melhor emprego do mundo.

Um salto para o futuro

Não foi o primeiro a falar, mas, talvez pelo currículo, ou somente pela experiência, foi a David Neeleman que coube a tarefa de falar de futuro. O gestor que trata os 11 mil colaboradores da Azul por “tripulantes” e que acredita que empregados felizes são os melhores empregados, não mudou o discurso neste primeiro encontro depois de fechado o processo de venda. “O melhor ativo é a nossa gente. Aeronaves todos podem comprar. As nossas pessoas são o nosso valor. É esse o nosso foco”, afirmou o norte-americano num português com sotaque do Brasil e muitas nuances inglesas. “Eu quero que digam ‘é o melhor emprego da minha vida’, para que o cliente possa dizer ‘é o melhor voo da minha vida’”, afirmou.

E, para que a TAP possa dar o melhor voo da vida dos passageiros, terá de haver mudanças, adiantou Neeleman. “Temos de competir com a Ryanair. Então vamos criar uma Ryanair dentro das nossas aeronaves”, disse, para explicar que a TAP vai ter uma diferenciação de tarifas: quem quer viajar por menos, 39 euros, terá menos privilégios – refeições ou bagagem de porão – e os lugares serão na cauda do avião; quem estiver disponível para pagar um bilhete mais caro, terá um serviço mais personalizado e um assento mais central. Também os aviões serão renovados e diferentes, com a compra dos 53 novos aparelhos.

Mais, mais, mais

Entre as novidades e a segurança laboral que tentou passar para os novos colaboradores, David Neeleman  fez várias promessas. A palavra “mais” foi, por isso, a grande constante de toda a tarde. Haverá mais aviões, mais económicos, mais flexíveis, que permitirão mais rotas e melhor operação para a companhia aérea. “Começámos num buraco de 600 milhões de onde temos de sair. Não podemos tirar um euro até pagar aos bancos”, lembrou Neeleman. Mas, enquanto isso, as promessas: “Maior frequência entre Lisboa e Porto. Um a cada hora e a cada 30 minutos em alturas de pico. Entre 14 e 17 frequências por dia”, um plano que “estamos a ver com muito cuidado”. E os planos para as rotas são, igualmente, grandes, tendo, na tarde de ontem, sido mencionados vários destinos: “Podemos ir sete dias por semana para Natal [Brasil], em vez de três”. Brasília, Toronto e até Boston também entram nos planos.

Os Estados Unidos são, aliás, prioridade. “Até dezembro de 2014 não conhecia Portugal. Nos EUA ninguém conhece. Se tivermos mais oferta, muito mais gente vai querer conhecer. Precisamos dos dólares deles.”

Para a Portugália, o plano também parece traçado: “Precisamos de aviação regional. A Portugália tem essa capilaridade.” E, apesar de não estarem previstos novos aviões, também esta frota poderá ser alvo de renovação.

O destino de Fernando Pinto também passará pela nova TAP.  “Obrigado Fernando. Vamos trabalhar muito próximos para implementar todas as coisas de que falámos hoje”, disse.

E, assegura o novo dono privado, este não é um negócio para fazer e desfazer: “Eu tenho bastante dinheiro para o resto da vida. Não preciso de ganhar dinheiro na TAP.”

A grande responsabilidade

“A responsabilidade é muito grande, é uma responsabilidade de todos nós”, afirmou Humberto Pedrosa. O sócio maioritário do consórcio Atlantic Gateway não escondeu a emoção: “Nunca pensei ter uma audiência como esta”, afirmou lembrando que também ele não concordava com uma TAP privada. “Quando se começou a falar da privatização da TAP pensei que não devia ser vendida: devia ser portuguesa.” A necessidade de capital fê-lo mudar de ideias, mas foi David Neeleman que o convenceu a dar o salto: “O meu coração dizia que tinha de participar para haver presença portuguesa”, disse, admitindo, que sentiu, “a confiança de que estava com boa gente”.

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