TAP paga o dobro a quem trabalhar nas férias ou folgas

O atraso na entrega dos aviões comprados pela TAP para fazer o reforço de verão obrigou a companhia a cancelar mais 48 voos em três dias. Só hoje e sábado haverá 24 cancelamentos, a que se juntam outros 14 que ficaram em terra na semana passada. Ainda assim, a TAP tem operado cerca de 350 voos por dia. Um esforço dos funcionários que o presidente da companhia, Fernando Pinto, vai recompensar.

Numa circular enviada aos trabalhadores, o presidente da TAP explicou que vai adotar "algumas medidas excecionais e transitórias", "sinal de reconhecimento e incentivo", que passa por dar uma majoração de 100% aos pilotos que trabalhem em dias de folga ou férias, pagamento de horas extras para o restante pessoal de bordo e um acréscimo na remuneração do pessoal de terra que pode chegar a 125%.

A companhia espera, porém, que a normalidade regresse já em agosto, quando chegam os três aviões em falta. Fonte oficial da TAP explicou ao Dinheiro Vivo que a TAP encomendou "atempadamente" seis aviões - dois de longo curso e quatro de médio - e foi a contar com eles que fez reforços de verão e previu a abertura de 11 novas rotas. Mas ainda só chegaram três. Enquanto o problema se mantiver, a TAP está a apelar aos passageiros que marcaram os voos diretamente na companhia que entrem em contacto para serem encontradas alternativas - encaixá--los em horários distintos, por exemplo, ou alterar a marcação para qualquer outra data sem custos -, admitindo o reembolso quando não haja acordo.

Até ao final de junho, a TAP cancelou apenas 250 em 50 800. Só este mês ficaram em terra 62. No mês passado, a companhia sofreu o efeito negativo adicional de fatores externos - as greves de controladores aéreos em França e na Bélgica.

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O que levou Fernando Pinto a dar a cara e pedir desculpa aos passageiros. Num vídeo dirigido aos clientes, lembrou que a empresa está a sofrer de "dores de crescimento" e garante estar a trabalhar para conseguir ultrapassar os problemas. "Nada se deve a um fator só", recorda, evidenciando o "crescimento acima do normal" - 7% mesmo antes das novas rotas - mas também greves e atrasos nas entregas. "É uma bola de neve."

Nos últimos dias têm aumentado as dificuldades de resposta dos aparelhos que estão a "tapar" as faltas. Na semana passada, uma avaria técnica fez disparar as máscaras de oxigénio num voo Lisboa--Amesterdão, que teve de aterrar em Paris; no sábado, um problema num motor obrigou um avião com destino a São Paulo a regressar a Lisboa; outro ficou atolado em Belém, no Brasil, acabando por ter de ficar retido durante dias. Fernando Pinto admite que este mês ainda possa haver mais cancelamentos.

Em resposta ao Dinheiro Vivo, a TAP diz que ainda não fez as contas ao impacto destes problemas. Mas é certo que vão pesar nas contas, com a despesa a aumentar, entre fretamentos a outras companhias, indemnizações aos passageiros e estadas pagas nos casos de cancelamento dos voos.

Entretanto, os partidos da oposição querem que Fernando Pinto vá ao Parlamento para falar dos problemas da TAP e detalhar qual a situação de segurança da companhia aérea. A maioria já chumbou este pedido de audição, mas ainda ontem o PS voltou a sublinhar a importância. O maior partido da oposição quer ainda ouvir o ministro da Economia.

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