TAP projeta capacidade em linha com cenário moderado da IATA para os próximos meses

Em informação enviada aos trabalhadores, a companhia aérea indica que a retoma foi adiada para o segundo trimestre, mencionando a projeção da IATA.

Para os próximos meses, a TAP projeta uma capacidade em linha com o cenário moderado traçado pela IATA (International Air Transport Association), de acordo com a mensagem enviada aos trabalhadores por Ramiro Sequeira, à qual o Dinheiro Vivo teve acesso.

Nesta mensagem, o CEO da companhia aérea aponta para uma "retoma adiada para o segundo trimestre", tendo em conta as projeções de capacidade da IATA, revistas em baixa em todos os cenários, "particularmente no curto prazo".

"No curto prazo e no cenário moderado, a projeção da IATA no que respeita à procura agregada nos mercados onde a TAP opera (África, Europa, América do Norte e do Sul) para junho de 2021 prevê recuperação de 63% do tráfego global e 55% do tráfego internacional, comprovando a retoma lenta estimada, particularmente no trafego internacional", é indicado na mensagem.

"A TAP projeta, para os próximos meses, uma capacidade em linha com o cenário moderado da IATA. Em consequência, a 10 de março ajustámos a nossa oferta de capacidade em menos 10% face à operação publicada em janeiro para o 1º trimestre deste ano, em virtude do impacto das restrições em mercados como Angola, Brasil e UK, resultando numa variação de menos 83% face ao 1º trimestre de 2019", é possível ler na mensagem do CEO.

"Para o segundo trimestre as projeções são um pouco mais otimistas, prevendo-se que a percentagem da capacidade (ASK) suspensa, face a igual período de 2019, venha a diminuir, gradualmente", é referido. Para o mês de abril são projetados valores de menos 61%, em maio 58% e em junho de 45%.

O CEO da TAP sublinha que estas projeções têm em conta a evolução positiva da pandemia, a expansão da vacinação e ainda o levantamento de algumas restrições à mobilidade das pessoas, dando exemplos como Angola ou o Reino Unido. "Como é evidente, este cenário pode-se alterar rapidamente em virtude da evolução das restrições e imposições à mobilidade das pessoas."

Na mensagem de Ramiro Sequeira é ainda indicado que, perante este contexto operacional, a TAP mantém-se confiante "de que que o Plano de Reestruturação, que agora carece de definição e implementação concreta, é chave para alcançar o gradual e progressivo reequilíbrio económico-financeiro."

O CEO da companhia aérea reforça ainda as prioridades da empresa neste momento: "o bem estar físico e psicológico das nossas pessoas, sendo que devemos permanecer próximos e atentos entre nós, colegas"; "operar o nosso dia-a-dia com foco em Safety e na eficiência operacional"; "retomar progressivamente a nossa atividade com segurança e sustentabilidade"; "Implementar plano de restruturação e recuperação que a TAP necessita" e ainda "reduzir custos não essenciais."

Voos desceram pelo quarto mês consecutivo

Em fevereiro acentuou-se a tendência decrescente relativamente ao número de voos e capacidade (ASK - Available seat kilometer), face aos números de fevereiro de 2020, período ainda antes de a pandemia chegar à Europa. A TAP indica na informação enviada aos trabalhadores que reduziu em 89% o número de voos e em 92% a capacidade, tendo em conta as medidas restritivas adotadas em várias partes do mundo para conter a pandemia.

"Esta tendência decrescente é também visível na evolução do número de voos, ao longo dos últimos meses", refere a companhia. "Pelo quarto mês consecutivo o número de voos tem descido, com fevereiro a verificar uma queda mais acentuada, tendo-se realizado apenas 1.077 voos, um terço do número de voos de janeiro. Ambos os números muito distantes dos mais de 10.000 voos/mês operados em janeiro e fevereiro de 2019 e 2020."

A taxa de ocupação média global da TAP, quando ponderada com o volume de voos realizados em cada mês, entre outubro e dezembro de 2020, é de 52%; valor que está 26 p.p abaixo da taxa média global de 2019, mesmo tendo em conta os sucessivos e constantes ajustes de capacidade realizados ao longo do último ano.

A companhia refere que estes números resultam do agravamento das medidas restritivas adotada para conter as segundas e terceiras vagas da pandemia, bem como da identificação da novas estirpes do novo coronavírus. "Estas medidas têm-se centrado em quarentenas, fechos parciais e totais e têm tido um impacto muito significativo na indústria da aviação mundial, e na TAP em particular", indica Ramiro Sequeira na mensagem.

Com Ana Laranjeiro

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