TAP: Sindicato preocupado com setor da manutenção alerta para falta de técnicos

O Sindicato de Técnicos de Manutenção de Aeronaves (Sitema) quer saber o que vai acontecer à operação da TAP Manutenção e Engenharia, perante o plano de restruturação, alertando para a falta de técnicos por aeronave.

"O Sitema quer saber o que vai acontecer à operação da TAP Manutenção e Engenharia (TAP ME), estrutura operacional da TAP exclusivamente ligada à manutenção de aeronaves, que apresenta resultados positivos e à qual estão ligados estes profissionais. Em 2019, a TAP ME apresentou um resultado positivo de 47 milhões de euros", sublinhou, em comunicado, o sindicato.

Perante o anunciado despedimento de três mil trabalhadores da companhia portuguesa, o sindicato alerta para o facto de o rácio de técnicos de manutenção por aeronave estar abaixo da média praticada em companhias de referência, nomeadamente, Air France-KLM, Turkish Airlines ou Swiss International Airlines.

Conforme apontou o Sitema, estas companhias apresentam um rácio de técnicos de manutenção de aeronaves entre os três e os cinco por avião, enquanto o da TAP está fixado em 1,44.

"A saída destes profissionais da TAP, fruto das fracas condições salariais e outras, tem atingido valores absurdamente elevados, sendo que existem áreas onde nos últimos anos saíram mais de 60% destes trabalhadores. A diminuição deste rácio ameaça a qualidade do trabalho efetuado por estes profissionais e, assim, a segurança dos passageiros que viajam nestes aviões", apontou, citado no mesmo documento, o presidente do Sitema, Paulo Manso.

A estrutura sindical vincou ainda que a reestruturação da transportadora deve "considerar a rentabilização da TAP ME", apostando na prestação destes serviços para outras companhias aéreas, "rentabilizando as estruturas operacionais existentes em Faro e no Funchal".

De acordo com os dados avançados pelo sindicato, até ao momento, a empresa já dispensou 47 técnicos de manutenção de aeronaves e cancelou a formação de mais de 80.

"É essencial para nós, e para todos os trabalhadores da TAP, conhecermos o que se propõe para o futuro da companhia que é o futuro de milhares de trabalhadores e respetivas famílias. Temos o direito a opinar sobre esse plano. E os portugueses também. Afinal a empresa é nossa, de todos nós portugueses, e os seus trabalhadores são a parte mais interessada em que esta reestruturação seja eficaz. São os nossos impostos que lá estão a ser investidos", acrescentou Paulo Manso.

No sábado, o Sindicato dos Pilotos de Aviação Civil (SPAC) escreveu ao Governo apelando para que se negoceie com Bruxelas o adiamento da apresentação do Plano de Reestruturação da TAP, denunciando que este está baseado em previsões de mercado "completamente desatualizadas".

Numa mensagem enviada, à data, aos associados, a que a Lusa teve acesso, a dar conta da carta enviada ao ministro das Infraestruturas e Habitação, Pedro Nuno Santos, datada de 30 de novembro, o SPAC garante que da reunião que teve com a administração da companhia houve um ponto que "ficou absolutamente claro": "todo o Plano se baseia numa previsão de evolução de mercado que se encontra completamente desatualizada".

"As projeções de evolução do mercado subjacentes ao Plano datam de outubro de 2020, e nelas não se encontram refletidas as evoluções recentes da situação da pandemia Covid-19, designadamente o impacto da descoberta das vacinas e dos planos de vacinação que se encontram neste momento em elaboração", escreveu o sindicato ao ministro.

Na quarta-feira, centenas de trabalhadores da TAP concentraram-se em frente à Assembleia da República, em Lisboa, a pedir diálogo e transparência, no âmbito do processo de reestruturação do grupo.

A iniciativa foi promovida pelo movimento "os números da TAP têm rosto", sem qualquer ligação aos sindicatos que representam os trabalhadores da companhia aérea, na sequência de notícias sobre despedimentos e cortes salariais que têm sido anunciados.

O plano de reestruturação da TAP tem que ser apresentado à Comissão Europeia até 10 de dezembro, sendo uma exigência da Comissão Europeia pela concessão de um empréstimo do Estado de até 1.200 milhões de euros, para fazer face às dificuldades da companhia, decorrentes do impacto da pandemia de covid-19 no setor da aviação.

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