TAP vê sinais de retoma, com o Brasil a animar as vendas

CEO confirma que companhia vai ligar o Porto ao Brasil e Nova Iorque no inverno. Despedimento coletivo abrange 78 pessoas.

Christine Ourmières-Widener admite que os ventos parecem começar a soprar de forma mais favorável para a TAP. Depois da travagem forçada imposta pela pandemia, o levantamento da obrigatoriedade de os passageiros oriundos do Brasil terem de fazer quarentena na entrada em Portugal, bem como a autorização para viagens não essenciais para o Brasil, animou as vendas da companhia aérea.

"Tem havido pontos positivos, nomeadamente a abertura das fronteiras com o Brasil a partir de 16 de setembro. É muito importante o Brasil para a TAP. Para dar uma ideia, o peso do Brasil nas nossas vendas é quase o mesmo que Portugal", disse Christine Ourmières-Widener, presidente executiva da TAP (CEO), durante uma audição parlamentar, no âmbito da comissão eventual para o acompanhamento da aplicação das medidas de resposta à pandemia de covid-19 e do processo de recuperação económica e social.

O Brasil, antes da pandemia, era já dos principais mercados para a TAP e, com o levantamento das restrições, dá sinais de ser, pelo menos para já, um impulsionador da atividade da transportadora. No final de agosto, a companhia anunciou que no chamado "inverno IATA", que arranca no final de outubro e se prolonga até março, prevê realizar 941 voos por semana, mais 91 que neste verão. Sendo que para o mercado brasileiro vai disponibilizar 52 voos semanais nas 12 rotas que vão ser operadas.

Perante os deputados, a CEO da TAP - que entrou em funções no final de junho - mostrou-se esperançosa e disse que já vislumbra "sinais claros" de recuperação, nomeadamente com a reabertura do mercado brasileiro.

Mas nem só de Lisboa se voará para o Brasil. A presidente executiva, questionada sobre o desinvestimento da empresa no Porto nos últimos anos, confirmou que "vai haver voos do Porto para Nova Iorque e para o Brasil". "Os restantes voos vão ser analisados e decididos numa base casuística. Estou a falar dos voos de longo curso que servem também para alimentar o hub de Lisboa", acrescentou

Sobre a ligação à região madeirense, sublinhou que as novas campanhas para esse destino "vão ter preços muito competitivos" e que estão a "trabalhar com a Madeira, [até porque] queremos investir na Madeira".
Despedimento coletivo

Quando, em dezembro passado, o governo enviou para Bruxelas o plano de reestruturação da TAP e depois revelou alguns dados, a saída de trabalhadores sempre esteve em cima da mesa. O plano, que ainda não teve luz verde da Comissão Europeia, apontava para o despedimento de perto de dois mil funcionários. Mas, após negociações com os sindicatos, que permitiram o corte dos salários e a abertura de processos voluntários - como rescisões por mútuo acordo, que permitiram a saída de centenas de trabalhadores -, o despedimento coletivo ficou reduzido a cerca de uma centena.

No final de julho, aquando do arranque do processo de despedimento coletivo, o número de funcionários a sair por esta via era de 124, 35 dos quais pilotos, 28 tripulantes de cabina, 38 trabalhadores da manutenção e engenharia e 23 funcionários da sede. Em agosto, esse número foi reduzido para 82 e, de acordo com a CEO, os trabalhadores afetados por esta medida são agora 78.

"Este processo tem sido muito complicado, mas temos de facto um processo de despedimento coletivo de 78 pessoas", avançou a nova presidente executiva da companhia portuguesa.

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