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Taxa nos EUA tira 277 milhões à Navigator em Bolsa

Diogo da Sílveira, CEO da Navigator
(Paulo Spranger/ Global Imagens)
Diogo da Sílveira, CEO da Navigator (Paulo Spranger/ Global Imagens)

A papeleira desvalorizou 7,7%. Os EUA aplicaram uma taxa retroactiva sobre as suas vendas de papel que vai tirar 20% ao lucro da Navigator este ano.

A sexta maior empresa cotada portuguesa perdeu esta segunda-feira em bolsa 277 milhões de euros. Mas chegou a estar a perder mais.

No final da passada sexta-feira, dia 10, a empresa anunciou que o Departamento Comercial norte-americano decidiu alterar uma decisão e aplicar uma taxa de 37,34% às vendas de papel da empresa nos Estados Unidos. A taxa será aplicada retroativamente em relação ao período entre agosto de 2015 e fevereiro de 2017s.

Hoje na abertura da Bolsa, as suas ações afundaram mais de 18% para fecharem a cair 7,74% para 4,602 euros, com um valor de mercado de 3,3 mil milhões de euros, segundo dados da Euronext Lisbon. Foram negociadas 3,2 milhões de ações da empresa, muito acima da média diária de 635 mil desde o início do ano.

A Navigator exporta mais de dois-terços da sua produção de papel. Os EUA correspondem a 10% das vendas do grupo. Segundo a empresa, a Navigator é responsável por metade das vendas dos produtores europeus nos EUA.

“As vendas da Navigator nos EUA rondam os 10% e há a possibilidade de subirem preços aos clientes de modo a aliviar em parte este impacto da taxa portanto no longo prazo não vemos um impacto significativo na avaliação da empresa que justifique as quedas de preço que assistimos hoje”, refere uma análise do Banco BiG.

Em 2015, a empresa do grupo Semapa, de Pedro Queiroz Pereira, foi alvo de uma investigação de alegadas práticas de venda abaixo dos preços de mercado dumping). Na altura, foi imposta uma taxa provisória anti-dumping sobre as vendas de 29,53%. Em janeiro de 2016, o Departamento do Comércio baixou a taxa para 7,8%. A mesma acabou por cair para 0% em abril deste ano.

Menos 20% de lucro

A nova taxa “tem um impacto estimado (à taxa de câmbio atual) de aproximadamente 66 milhões de euros no EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) e de 45 milhões de euros nos lucros líquidos do ano em curso” da Navigator, informou a empresa no final da passada sexta-feira, em comunicado. Em 2017, a empresa fechou o exercício com um lucro de 208 milhões de euros.

A empresa liderada por Diogo Silveira garantiu que vai recorrer “a todos os meios processuais disponíveis e está convencida que vai conseguir demonstrar perante os tribunais norte-americanos que a taxa acima mencionada para o período em causa é totalmente injustificada”.

Sublinhou, no mesmo comunicado ao mercado “que tem vindo a desenvolver as suas atividades comerciais nos EUA nos últimos 18 anos e o sucesso da sua estratégia tem sido sustentado nas vendas para o segmento de papel premium, com preços médios mais de 15% acima do benchmark do mercado norte-americano”.

O governo português escusou-se comentar a decisão das autoridades dos EUA.

Os EUA adotaram uma postura mais protecionista sob a presidência de Donald Trump que pretende maximizar a produção nacional e defender as empresas norte-americanas. A estratégia tem levado à renegociação de acordos comerciais e imposição de tarifas sobre diversos tipos de produtos e matérias-primas oriundos de outros mercados.

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