Internet por satélite acelera e já há sete prestadores em Portugal

Aceder à net via satélite ainda não é uma solução muito comum no país, mas o regulador das comunicações, a Anacom, aponta este tipo de serviço como uma das soluções para as zonas remotas.

José Varela Rodrigues
tv cabo parabolica inspeccao da tv cabo em pedio de lousada Foto de j paulo coutinho 23.06.2007 © Fernando Timóteo/Global Imagens

A quota de internet que em Portugal é fornecida por satélite ainda é escassa, mas o número de acessos está a crescer bem e já há sete prestadores com ofertas retalhistas, em território nacional, de acordo com os dados divulgados pela Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom), divulgados na sexta-feira.

"A penetração desta forma de acesso em Portugal é muito reduzida, atingindo cerca de 0,03% do total de acessos. O número de acessos à internet via satélite atingiu 1,3 milhares no terceiro trimestre de 2021, um crescimento de 4,7% em relação ao mesmo período do ano anterior", refere a Anacom no relatório "Serviço de Acesso à internet via Satélite - Disponibilidade, mensalidades e atributos".

Desde 2018 que este tipo de acesso à internet apresenta um ritmo de crescimento. Em apenas dois anos - entre 2018 e 2020 - "o número de subscritores deste serviço aumentou 78,5%. No final de 2021, o regulador liderado por João Cadete de Matos identificava sete prestadores com ofertas retalhistas de acesso à internet via satélite, em Portugal.

As entidades que fornecem internet via satélite são a Eutelsat (Konnect), a Greenmill (Tooway), a Nextweb (Onesat), a Satélite da Sabedoria (Bigblu), a skyDSL Europe (SkyDSL), a Starlink e a Vivasat. Destas sete, apenas a Eutelsat, a Nextweb, a Starlink e a Vivasat utilizam rede satélite própria. A Greenmill, a Bigblu e a SkyDSL recorrem à rede da Eutelsat.

"As ofertas de acesso à internet via satélite anunciadas pelos prestadores nos seus sites permitem velocidades de download até 100 Mbps e velocidades de upload até 10 Mbps". Contudo, "ao contrário da maioria das ofertas de rede fixa, as ofertas de acesso à internet via satélite com mensalidades mais reduzidas impõem limites de tráfego", detalha a Anacom.

A mensalidade das ofertas comerciais de acesso à internet via satélite é "genericamente superior às ofertas residenciais" das redes fixas ou móveis dos operadores históricos. No entanto, realça a Anacom, estão "a surgir ofertas cada vez mais competitivas".

Há várias tipologias de ofertas, com as mensalidades dos sete prestadores a oscilarem entre um mínimo de 12,90 euros (por oito gigabytes de tráfego) até um máximo de 770,73 euros (500 por gigabytes de tráfego). De acordo com o relatório, este tipo de serviço "exige a instalação no exterior e alinhamento de uma antena parabólica de pequenas dimensões e de um router". O custo da instalação e ativação de equipamentos pode ficar perto dos 200 euros, em alguns casos.

Os operadores vendem ou alugam os equipamentos, cuja instalação pode ser efetuada pelo cliente ou pelo fornecedor e, após a ativação do serviço, este fica imediatamente disponível.

O acesso à internet via satélite é "um serviço bidirecional de alta velocidade, especialmente vocacionado para o acesso à internet em zonas remotas, de baixa densidade populacional e/ou de orografia mais complexa". Refere o regulador que é "um meio essencial" para minimizar assimetrias digitais no país e fazer face à descontinuidade territorial", tendo em conta o caso dos arquipélagos dos Açores e da Madeira. "Trata-se adicionalmente de um sistema de recurso para efeitos de comunicações de emergência".

"Seja qual for a solução escolhida (satélite GEO, como, por exemplo, os satélites da Eutelsat, da SES ou da ViaSat, ou novos sistemas de órbita baixa, como, por exemplo, o sistema Starlink da SpaceX ou o sistema OneWeb), a internet via satélite contribuirá para atender ao problema do acesso à internet em áreas rurais ou remotas e em pequenas cidades onde a infraestrutura de fibra ótica é inexistente", diz a Anacom.

Em Portugal, estão instaladas três estações gateway, ou seja, que fornecem rede satélite. Uma é a O3B, licenciada desde setembro de 2013, outra é a OneWeb, licenciada desde setembro de 2019, e há ainda a Eutelsat, licenciada em março de 2020. "As duas primeiras estão localizadas no Centro de Satélites de Sintra, e a terceira na Madeira", especifica o regulador das comunicações, revelando que em 2021 foi contactado para o licenciamento de uma estação gateway terrena.

Entre as vantagens e desvantagens de recorrer a um sistema satélite para aceder à internet, a Anacom destaca que "a prestação deste serviço é influenciada pelas condições atmosféricas, que poderão provocar desalinhamento das antenas, reduzir a largura de banda e, eventualmente, exigir assistência técnica especializada". Acresce que, esgotado o plafond de tráfego, verifica-se uma limitação de dados para usar. Não obstante, "o satélite está disponível em qualquer parte" e garante a continuidade do serviço em situações de emergência, além de que "algumas ofertas (não muitas) são mais rápidas do que as oferecidas por cabo, ADSL ou rede móvel 3G".

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