"6G permite criar a Internet dos Sentidos" e esbate "a divisão entre mundo físico e virtual"

Manuel Ricardo, diretor do INESC TEC, explica que o 6G já está a ser preparado e irá abrir um mundo novo (hologramas e sensações incluídas) em Portugal. Especialista organizou o 6G Summit, que decorreu a semana passada de forma remota e incluiu dois mil especialistas.

João Tomé
Ilustração de holograma (que poderá ser moda quando o 6G chegar em 2030) na saga de Star Wars © Unsplash/Becky Fantham

Tudo o que se possa dizer sobre o 6G está no domínio ainda da imaginação dos especialistas, que estão a começar a criar as bases para um objetivo que só começa a ver a luz do dia em 2030. A nova tecnologia de redes de vai substituir o 5G - de que falamos com Manuel Ricardo aqui - só dentro de um ano e meio começa a ganhar forma definitiva mas parece que irá permitir maior capacidade de sonhar com soluções que estávamos mais habituados a ver em filmes de ficção científica.

"Com o 6G já estamos a falar de outra loiça (em relação ao 5G). A ambição é ter 100 Gbps de velocidade com atrasos (latência) na transmissão que serão um décimo do que se fala para o 5G". Ou seja, "será a rede perfeita, de rapidez supersónica em que comandos que damos e os dados que enviamos para a Ásia chegam ao mesmo tempo ao outro local, quase como o teletransporte", diz Manuel Ricardo.

A explicação que se segue faz lembrar a "Força" mencionada nas sagas de Star Wars. "A sua energia está à nossa volta, liga-nos, deves sentir a Força a circular à nossa volta, entre nós os dois, na árvore, na rocha", uma citação adaptada da personagem Yoda parece não estar muito longe do que o especialista imagina, embora sem o poder mágico visto em Star Wars.

"Vamos assistir a um contínuo entre o digital e o físico, tudo vai parecer juntar-se e misturar mais do que nunca entre os dois mundos", diz. O especialista explica ainda que para o 6G imaginado ser realidade a rede terá de trabalhar a frequências muito elevadas, a mais de 1000 GHz, o que poderá dar quase funcionalidades de radar a um telemóvel, "com precisões de poucos centímetros para saber onde está e capacidade de percecionar bem o que está à nossa volta e potenciando classes de aplicações que ainda não são concebíveis hoje".

(Pode ouvir a entrevista completa ao diretor do INESC TEC no podcast Made in Tech)

Comunicação por hologramas o novo Zoom

Para o utilizador comum a nova tecnologia de rede "vai permitir comunicações holográficas", capturando de forma instantânea a informação de uma pessoa e os seus movimentos para o mundo virtual, numa espécie de avatares". Além das comunicações de áudio e vídeo que conhecemos hoje, "será possível ter o tacto e o cheiro presente nestas aplicações, no que será a Internet dos Sentidos".

Manuel Ricardo, diretor do INESC TEC, o Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência, um centro de pesquisa e desenvolvimento localizado no campus da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. © INESC TEC

O 6G vai permitir, depois, expandir a comunicação entre máquinas: "Dentro de 10 anos vamos ver carros robô e veículos voadores sem condutor por todo o lado e o 6G será fulcral porque lhes dá o que precisam para perceberem tudo o que está à sua volta e comunicarem em tempo real uns com os outros, algo com o potencial de quase acabar com os acidentes e tornar as viagens mais eficientes".

A massificação dos robôs e sistemas robotizados (incluindo os humanóides como nós) "será desbloqueada e, em vez de termos apenas 10 mil milhões de pessoas conectadas, vamos ter muitos mais robôs ligados e com necessidades de comunicação pelas redes superiores às nossas porque terão mais tecnologia".

O diretor do INESC TEC admite que a comunicação entre pessoas e robôs ou máquinas "vai passar a ter outra dimensão pela possibilidade de nos podermos transportar para mundos virtuais não só para jogos com avatares, mas para fazer operações cirúrgicas a grande distância ou fazer a manutenção de máquinas em que o técnico em Portugal consegue operar uma máquina no Brasil, conseguindo inclusive sentir os movimentos em tempo real".

O novo paradigma que o 6G promete trazer "irá tornar todos os equipamentos na periferia de uma rede como telemóveis, sensores ou máquinas em cérebros digitais parecidos com redes neuronais em que o que um aprende todos aprendem". Ou seja, cada vez mais próximo do que o ser humano consegue fazer, mas com partilha de dados, experiência e conhecimento disseminada de forma imediata por milhões de robôs pelo mundo.

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