Tecnológica da Maia quer contratar 200 engenheiros

Empresa especializada em software de gestão da produção perspetiva boom no negócio. No ano passado, as vendas aumentaram 65%.

Sónia Santos Pereira
Francisco Almada Lobo - CEO e co-fundador da Critical Manufacturing. © Amin Chaar/Global Imagens

A Critical Manufacturing, empresa de produção de software criada por antigos quadros da extinta Qimonda, quer recrutar neste exercício 200 colaboradores para responder ao hiper crescimento que o negócio está a registar. No ano passado, a empresa contabilizou um volume de negócios de 33 milhões de euros, um crescimento de 65% face a 2020, e para o atual exercício as previsões apontam para um aumento de 60% nas vendas. O processo de recrutamento arranca já no próximo mês e visa a contratação de engenheiros de gestão industrial e de desenvolvimento de software, mas também abrange profissionais para áreas como gestão de projetos, suporte, marketing e comercial. Atualmente, a empresa emprega mais de 300 colaboradores, sendo que no último ano reforçou as equipas com mais 100 pessoas.

Segundo Francisco Almada Lobo, CEO e cofundador da Critical Manufacturing, as condições dos contratos de trabalho estão em linha com o que oferece a concorrência direta no que toca a remunerações, flexibilidade e benefícios. No entanto, sublinha, há um aspeto diferenciador: o centro de decisão é nacional. Na Critical Manufacturing, "desenvolvem-se soluções made in Portugal para o mundo", sendo que esta é uma área "extremamente aliciante", que "está a ajudar a concretizar a quarta revolução industrial", realça o gestor.

Investimento de dois milhões

Para acompanhar o crescimento dos recursos humanos e também para criar melhores condições para o modelo de trabalho híbrido que quer implementar, vai ser realizado um investimento de dois milhões de euros no espaço de 3500 metros quadrados que ocupa no Tecmaia - Parque de Ciência e Tecnologia da Maia. O foco está na reformulação das áreas, com vista à coabitação de soluções habituais de trabalho, como secretárias, e de zonas de caráter colaborativo, com sistemas de videoconferência. Atualmente, 99% dos colaboradores da Critical Manufacturing continuam em teletrabalho, sem se registar quebra de produtividade nestes quase dois anos de pandemia. Contudo, Francisco Almada Lobo não acredita num regime laboral 100% remoto, antes numa alternância entre os modelos presencial e digital. E até admite que se neste momento todos os funcionários regressassem ao escritório, depois das contratações em 2021, seria difícil acomodar todos.

A Critical Manufacturing trabalha, desde a sua criação, a 100% para o mercado externo. Como refere o presidente executivo, "somos, desde a génese, uma empresa global, que trabalha soluções para indústrias de alta tecnologia no centro da Europa, Ásia, com destaque para a China, e Estados Unidos". Na Maia, é criado software de gestão da produção, que permite verificar as linhas industriais a níveis como qualidade, processos de fabrico, manutenção de equipamentos ou rastreabilidade, e mais recentemente soluções nas áreas da automação e da análise de dados. Estes produtos têm sido adquiridos por empresas de semicondutores como a Infineon, Osram, Philips e Wolfspeed, de dispositivos médicos como a B. Braun e a Medtronic, e de eletrónica como a TDK. São mais de 80 clientes, essencialmente grupos de grande dimensão, sublinha o gestor.

A Critical Manufacturing é detida, desde 2018, a mais de 90% pelo grupo ASM, com sede em Singapura e cotado na Bolsa de Hong Kong. Foi com esta aquisição que o líder mundial de equipamentos para semicondutores entrou na atividade do software, sendo que perspetiva criar uma área de negócio neste domínio. O restante capital está nas mãos de um conjunto de quadros fundadores.

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