Ataques de ransomware subiram 160%. Check Point alerta para ataques que controlam dispositivos

A empresa de segurança Check Point alerta para um tipo específico de ransomware, que desta vez está direcionado para o controlo de dispositivos.

Num momento em que os utilizadores estão cada vez mais conectados, a empresa de segurança Check Point alerta para os riscos acrescidos desse aumento da conectividade.

A empresa nota que, no terceiro trimestre de 2020, foi registado um aumento de 160% nos ataques de ransomware, especialmente dirigido às empresas. Neste tipo de ataque, a informação fica retida, sendo habitualmente pedido um resgate para que os utilizadores acedam à informação. A Check Point aponta que, entre julho e setembro, a média semanal de empresas afetadas por este tipo de ataque tenha rondado os 8%.

Esta sexta-feira, é deixado o alerta para um tipo específico de ransomware, desta vez mais focado nos dispositivos. "Embora a informação continue a ser o principal foco dos ciberatacantes enquanto meio para obter um resgate, é cada vez mais frequente que estes ataques se centrem em todo o tipo de dispositivos, não só computadores. Com isto, amplia-se a ameaça, já que o risco deixa de visar apenas empresas, podendo atingir toda a sociedade", afirma Mario García, Diretor Geral da Check Point Espanha e Portugal.

Num momento em que os dispositivos Internet of Things, ligados à Internet, têm entrado, pouco a pouco, na nossa realidade, a Check Point nota que existe um "longo caminho a percorrer no sentido de fazer com que os avanços tecnológicos sejam acompanhados por medidas de cibersegurança adequadas." Nos últimos anos, quase tudo tem passado a estar ligado à Internet, desde máquinas da roupa até simples torradeiras. E, como diz a indústria tecnológica há largos anos, tudo o que possa ser ligado à internet pode ser alvo de ataque.

Como funciona o Ransomware of Things?

Ataques que têm como alvo dispositivos IoT desenrolam-se de forma semelhante às tradicionais ameaças, com a principal diferença de que o seu foco é o bloqueio de dispositivos e não de dados. É utilizado, por norma, um vírus a que se dá o nome de "jackware", um software malicioso que trata de tomar controlo dos dispositivos conectados à internet cuja função não é a de processar dados, explica a empresa de segurança. Significa isto que, por exemplo, num ambiente doméstico, um cibercriminoso poderia manipular todo o tipo de eletrodomésticos conectados, inclusive, em casos mais avançados, recursos essenciais como eletricidade, água ou o controlo domótico da residência.

A empresa nota que os riscos aumentam quando são considerados, por exemplo, os avanços que a indústria rodoviária tem alcançado, nomeadamente no que respeita o número de carros conectados à internet a nível global. Estima-se que, em 2023, o mercado de sistemas avançados de assistência ao condutor (ADAS) atinja um valor de cerca de 32 mil milhões de euros. São cada vez mais as funcionalidades de um carro passíveis de ser controladas via aplicação móvel, como abrir e fechar o veículo ou ligar o motor. Neste caso, tomando controlo de um smartphone, um atacante poderia, por consequência, controlar o carro da vítima.

"As novas gerações de ciberameaças destacam-se por serem muito sofisticadas, mas também por utilizarem velhos recursos, como o ransomware, de forma inovadora para contornar as medidas de segurança tradicionais", explica Mario García.

"O Ransomware of Things é um exemplo claro: os ciberatacantes, aproveitando-se do facto de a conetividade ser o motor do mundo, dirigem os seus ataques a dispositivos móveis pouco protegidos. A tecnologia está a avançar a passos largos, é fundamental adotar medidas de segurança centradas na prevenção contra riscos e ameaças antes que estes se concretizem. Não há segundas chances em cibersegurança. É muito importante que estejamos protegidos desde o primeiro momento com as soluções tecnológicas mais avançadas," conclui Garcia.

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