Bosch quer tornar as casas mais inteligentes com tecnologia made in Ovar

Alemã Bosch cria grupo de desenvolvimento de produtos para as Smart Homes em Ovar que está a contratar. "Queremos ser a referência no conforto e segurança nas casas inteligentes", diz líder de desenvolvimento e investigação português Sérgio Salústio.

As casas estão cada vez mais inteligentes e a gigante alemã Bosch quer acrescentar algo a essa onda de aparelhos conectados entre si que permitem, cada vez mais "um maior conforto, segurança e eficiência energética". No centro dessa estratégia está a nova unidade de (I&D) investigação e desenvolvimento da Bosch em Ovar e que recebe agora o novo projeto de expansão da área de Smart Home da Bosch.

É no centro de Ovar que está a principal fábrica (com 4000 m2) de videovigilância, sistemas de comunicação e deteção de incêndios da Bosch a nível mundial. Já a área de I&D conta com 120 engenheiros e um investimento de 2,1 milhões de euros e em breve haverá um laboratório completo.

O novo grupo de trabalho para casas inteligentes em Ovar vai desenvolver, para já, software para gerir vários aparelhos de forma centralizada e mais inteligente e "permitir, assim, expandir o ecossistema da Bosch Smart Home, como novas funcionalidades e aparelhos". Sérgio Salústio, engenheiro há 22 anos na empresa, que lidera a área I&D da Bosch, explica-nos que a ideia passa por criar uma equipa de talentos portugueses na área de engenharia de software, mas com elementos também em eletrónica, que já conta com quatro pessoas e chegará às 15 ou 16 em 2021.

Sobre a contratação em tempos de pandemia, o responsável explica que "não prejudicou muito", apesar da procura por "este tipo de talento seja muito elevada". "De qualquer forma, se por um lado a pandemia tem dificultado o contacto pessoal entre candidatos e empregadores, por outro lado acabou por generalizar e normalizar as entrevistas online, facilitando o acesso a um maior número de candidatos em fases iniciais e intermédias do processo", avança Sérgio Salústio, que acredita que a Bosch em Ovar "é atrativa".

Para expandir a área de smart homes que estava centrada apenas na Alemanha e fazer da Bosch uma referência nesta área, a sua nova equipa vai alimentar o ecossistema da Bosch constituído por sensores, atuadores e controladores que operam de forma integrada para proporcionar um ambiente residencial mais seguro e confortável na casa inteligente. O investimento em infraestrutura nova em Ovar só para esta divisão é de 500 mil euros, já em 2021.

E em que é que consistem os novos desafios? "Vamos criar novas versões mais capazes de câmaras de videovigilância inteligentes para as casas e desenvolver um novo tipo de sensores, que é uma área onde temos tradição aqui em Ovar", explica Salústio. Os novos sensores podem levar à criação de novos produtos em torno de avisos de incêndio ou de qualidade do ar, de presença (inclusive fechaduras de portas), termóstatos inteligentes, entre outros, "mantendo um foco em tornar o nosso Controlador Smart Home, que é o centro do ecossistema, mais robusto, inteligente, simples e capaz".

O português espera que a sua equipa torne o pequeno equipamento que parece um router numa espécie de cérebro da casa, que vai gerir de forma mais eficiente, segura e confortável os novos produtos inteligentes a chegar à casa, da Bosch ou dos vários parceiros (iluminação Philips Hue, Google Assistant, Amazon Alexa e Apple Home Kit incluídos).

"Também queremos usar o nosso conhecimento na Bosch para que o Controlador faça uma instalação quase imediata dos novos produtos IoT que chegam à casa e use os dados recolhidos para facilitar a vida do utilizador, dando conforto mas mantendo a segurança", explica o responsável da Bosch.

Sérgio Salústio dá o exemplo do que é possível fazer com as câmaras em casa, que numa primeira fase classificam apenas os objetos. "Além de reconhecerem quem está na imagem, podem também perceber que evento (classificação de eventos) está a acontecer e agir em conformidade - seja um intruso, onde é possível chamar a polícia, um ruído estranho que indica que algo de anormal se passa ou o dono da casa que chega e espera que a luz de ligue automaticamente e a música preferida comece a tocar".

O responsável explica também que a Bosch espera fazer a diferença "com o conhecimento amplo que tem em várias áreas, da casa aos carros", lembrando que "a Bosch fabrica circuitos integrados (e acelerómetros) para quase todos os smartphones do mundo e em todos os automóveis no planeta".

Centro de controlo da casa

"Temos tudo para sermos uma referências a prevenir e otimizar os recursos utilizados em casa para o melhor ambiente e conforto possível e para isso será preciso interligar sistemas diferentes e usar a informação que vem deles para os controlar e otimizar o comportamento da casa inteligente como um todo". Salustio admite que é uma área entusiasmante, repleta de inovação e para a qual a Bosch "pode contribuir de forma decisiva" reforçando a sensorização, recolha de dados e a valorização dessa informação com a ajuda da empresa já estar presente "em todas estas áreas de produtos, incluindo eletrodomésticos que vão passar a gerir melhor a informação".

O Controlador Smart Home, o tal aparelho do tamanho de um router que estará em casa a centralizar todos os aparelhos e sensores IoT, "deverá permitir que numa instalação o utilizador não tenha de fazer nada, ele instala e interliga o novo aparelho" e ajuda "ser um aparelho físico em casa e não na cloud, para manter a segurança e mantê-lo inviolável e sem a dependência da cloud".

Ovar vai ajudar a desenvolver as apps ou interfaces para smartphones, tablets ou aparelhos como colunas com Alexa ou Google Assistant, que vão permitir gerir a casa.

Já o laboratório que está a ser desenvolvido em Ovar vai permitir fazer ensaios, que serão complementados com "ensaios de campo, em ambientes controlados com vários utilizadores onde pomos à prova a experiência de utilizador".

Parceria com universidades e o INL

Integrado nos novos projetos de I&D em Ovar está o recém-criado Sensitive Industry, um projeto estratégico para esta unidade, que procura encontrar soluções ajustadas às exigências da Indústria 4.0. A Bosch atua assim parceria com a Universidade do Porto e o INL (International Iberian Nanotechnology Laboratory), sediado em Braga, num investimento de cerca de 17 milhões de euros.

O objetivo passa pela criação de um sistema com componentes inovadoras que permitirão recolher e analisar dados de produção com recurso a câmaras e outros dispositivos sensoriais, que podem ser fulcrais para o projeto de Smart Home. "Desta forma será possível a criação de um digital twin da área produtiva e logística, minimizando desperdícios e otimizando recursos", é indicado pela Bosch.

O futuro trará mais robôs para a casa autónoma

Para o futuro, Sérgio Salústio acredita que a presença de robôs dentro de casa "é irreversível". "Em 10 a 15 anos podemos esperar um nível elevado de automação e inteligência nas nossas casas, que irá tornar as casas autónomas como já começa a haver carros autónomos que circulam sozinhos sem intervenção do condutor". O engenheiro espera que a casa ajuste os gastos de energia e o conforto para os habitantes sem necessidade de intervenção humana.

Para já, o foco na atividade doméstica tem sido a recolha de informação por sensores e a gestão dessa informação. "Em cinco a 10 anos, começa a entrar a logística em cena, o transporte ou transferência de recursos de um sítio para o outro da casa, com robôs ou com a reorganização da casa que pode incluir um repensar na forma como os eletrodomésticos são feitos". O engenheiro lisboeta admite que os eletrodomésticos atuais são feitos para ajudar o ser humano a colocar coisas lá dentro, como se vê nas máquinas de lavar loiça ou roupa, "mas isso pode mudar, com máquinas integradas na casa que ajudam o próprio sistema a tratar de roupa ou loiça quase sem intervenção humana".

Como exemplo, como se após uma refeição, a loiça colocada no lava-loiça fosse diretamente transferida, lavada e arrumada num sistema completo.

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