Cloudflare: “Lisboa é um achado. Vai-nos ajudar a construir uma internet melhor"

Celso Martinho, criador do Sapo, é reforço de peso da gigante da internet Cloudflare para ajudar centro de Lisboa “a ser um dos mais importantes”.

“Portugal tem-se revelado um excelente sítio para contratar talento”. Quem o diz é o CTO da Cloudflare, um reputado engenheiro inglês John Graham-Cumming, que desde o verão passado que vive em Lisboa, onde coordena um dos centros técnicos e de desenvolvimento da empresa multinacional com mais de três milhões de clientes e que traz rapidez e segurança a quase 30 milhões de sites e apps pelo mundo - daí ter data centers em mais de 200 cidades. Esse mesmo centro de Lisboa cumpre agora um ano em Portugal, começou com 10 pessoas e num espaço de cowork e, em plena pandemia, estrearam (sem usufruir dele) um escritório próprio e mais amplo para os 45 funcionários atuais, com vista para o Marquês de Pombal.

“Neste momento estamos a contratar 25 pessoas, mas contamos ter 80 até ao final do ano e 200 em 2021”, explica-nos Graham-Cumming. A última contratação foi sonante: Celso Martinho, o criador do Sapo, deixou o cargo de CEO do laboratório de startups Bright Pixel e passa agora a ser diretor de engenharia do escritório português.

O CTO da Cloudflare diz-nos que é uma contratação “importante”, já que “o Celso é bem conhecido a comunidade tech portuguesa e não só tem uma rede de contactos profunda, como experiência técnico e de gestão”. O engenheiro inglês diz-nos mesmo que será uma das peças “para tornar a Cloudflare em Lisboa num dos centro técnicos mais importantes da empresa para construir produtos e ajudar a tornar a internet melhor ”.

“Não podíamos estar mais satisfeitos com o talento português e 51% da equipa já é local e existem 10 nacionalidades”. Além disso o engenheiro que é também autor diz que “é fácil convencer talento estrangeiro a vir para Lisboa”: “este centro tornou-se mais importante do que pensávamos inicialmente, expandindo-se além das áreas técnicas e vai-se tornar num dos maiores da Cloudflare a nível mundial, o segundo da Europa a seguir a Londres”.

A tecnológica criada em 2009 em São Francisco é um dos gigantes de cibersegurança, com 10% de quota de mercado e tem agora em Lisboa as áreas de Engenharia, Segurança, Produto, Estratégia de Produto, Pesquisa Tecnológica e Suporte ao Cliente. “Daqui estamos a alimentar os projetos atuais e novos grandes lançamentos previstos que não posso revelar”, explica o CTO que admite estar “a adorar viver em Lisboa”, embora lamente a crise provocada pela pandemia: “o nosso negócio é online e está a crescer 48% ao ano , mas é triste ver restaurantes e lojas da minha rua fecharem”.

E o que faz, na prática, a Cloudflare?

Serve de base para os sites de 10% das empresas do chamado índice Fortune 1.000 e é um dos gigantes mundiais que gere mais de 26 milhões de propriedades da Internet. Um dos mantras da tecnológica de cibersegurança é precisamente “tornar a internet um lugar melhor”.

Estima-se que a Cloudflare é usada por cerca de 81% dos sites que usam serviços chamados de proxy reverso (que consiste, geralmente falando, num servidor de rede geralmente instalado para ficar na frente de um servidor Web), ou seja, 12,3% dos sites da internet, havendo outras estimativas de analistas que apontam para os entre os 6 e 10% do tráfego na internet passa pela Cloudflare – há rivais sem o mesmo tamanho como Imperva, Akamai, Amazon Cloudfront, etc.

Resumindo: “desempenhamos o papel de intermediário entre um site e o visitante, melhorando a performance e rapidez e filtrando pedidos suspeitos”. De uma forma mais simples, a empresa opera não só nos sites mas também em apps de empresas, tornando-os mais rápidos e "protegidos de hackers e invasões". "Mas também já temos serviços para as famílias protegerem a internet das suas casas”, diz o engenheiro inglês.

Sobre Portugal, o responsável elogia a qualidade e rapidez global da internet no país, “melhor do que na maioria dos países europeus, inclusive do que Londres” e deixa ainda um conselho geral sobre cibersegurança. “Diria aos jovens para evitarem entrar pelo caminho dos hackers, a maior parte é apanhado como vimos com o jovem de 17 anos que invadiu o Twiter, enquanto o utilizar comum deve ter cuidado em que links carrega porque o phishing cresceu com a pandemia”.

Já em abril, Graham-Cumming nos falava que um dos perigos da pandemia e do confinamento era que o aborrecimento dos jovens poderia levá-los para o 'lado' dos hackers.

O responsável também nos traçava na mesma altura os efeitos na pandemia na internet em geral e também no caso concreto de Portugal, com aumento do tráfego a chegar aos 30%, algo que não afetou a empresa, a não ser nas receitas e nos clientes, que cresceram.

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