Devialet Dione e B&W Panorama 3: A sua televisão 4K merece um som assim

Estas duas propostas pretendem proporcionar a experiência do som cinematográfico sem a necessidade de um subwoofer. Conseguirão fazê-lo?

Os televisores estão a ficar cada vez maiores e mais finos, e os conteúdos para ver em casa com melhor qualidade. A culpa é das plataformas de streaming, que apostam em produções milionárias, que anteriormente eram exclusivas dos filmes para passarem nas salas de cinema. No entanto, inversamente proporcional à melhoria da qualidade da imagem dos novos televisores, o som, na maioria dos modelos, está cada vez pior.

É uma questão de física: há um limite para o tamanho e quantidade de altifalantes que é possível instalar dentro de estruturas tão estreitas como são as dos televisores atuais, logo, o seu som ficará sempre a comprometido quando comparado com a qualidade da imagem dos conteúdos que estivermos a ver.

Aqui entram as barras de som, que são colunas cuja configuração obedece normalmente a dois princípios: um retângulo estreito onde estão os altifalantes para as frequências médias e agudos, e uma caixa separada para os graves (subwoofer), que atualmente comunicam com a barra sem fios (wireless), o que facilita o seu posicionamento na sala, necessitando apenas de uma tomada de corrente.

Ainda assim, quem pretendesse algo mais minimalista, não tinha muitas opções até agora. Estas duas propostas pretendem proporcionar a experiência do som cinematográfico sem a necessidade de um subwoofer. Conseguirão fazê-lo?

Comecemos pela Bowers&Wilkins: A Panorama 3 representa a sua terceira geração de barras de som. Tem um objetivo ambicioso, e a marca serviu-se do seu legado histórico para o cumprir. É um facto que muitas bandas sonoras e música são masterizadas em estúdios equipados com colunas B&W.

Para proporcionar uma boa experiência, tanto na reprodução musical, como na imersão ao ver um filme ou uma série televisiva, a Panorama 3 está equipada com uma amplificação de 400 watt distribuída por 13 altifalantes numa configuração 3.1.2. Dois dos quais servem para reproduzir conteúdos em Dolby Atmos, e outros dois são unidades de grave que têm uma resposta de frequência até aos 43Hz, pelo que a B&W justifica não ser necessário juntar um subwoofer.

Caso opte pela Panorama 3, deverá confirmar que o preto fica bem na sua decoração, pois é a única opção disponível. No nosso teste, começámos pela música, sendo que para isso é possível ligar um leitor de CD na entrada ótica, mas acreditamos que a maioria das pessoas irá optar pela conveniência do streaming por Bluetooth. Existe ainda Spotify Connect, e Airplay 2, que cobrem as bases para enviar música a partir do smartphone com a ajuda de uma aplicação que para além das funções básicas, permite controlar um sistema multi-sala, configurar serviços de streaming, "aprender" o controlo remoto da tv, e ajustar a tonalidade dos graves e agudos.

Musicalmente, a Panorama 3 revelou-se competente, fiel à assinatura musical da marca, com um grave redondo e cheio, clareza nos médios e suavidade nas altas frequências. A voz de Win Butler no tema "End of Empire IV" do álbum We, da banda Arcade Fire foi representada com fidelidade, bem como a bateria mais proeminente em "The Lightning I", em que o grave soou bem controlado. Já a experiência cinematográfica pareceu-nos apenas razoável, a verdade é que estamos habituados a um sistema com subwoofer, e tanto na abertura do novo filme Dune, como na cena em que mostra o planeta dos guerreiros Sardukar, o impacto ficou aquém do experienciado através de uma barra de som com uma unidade de grave separada.

O Dolby Atmos é o novo argumento de venda para sistemas de home cinema, e na Panorama 3 está incluído, prometendo uma maior imersão graças aos altifalantes direcionados para cima, tanto em filmes e séries, como em música no formato "spatial áudio". Obtivemos resultados mistos, em que na cena do desembarque na Normandia retratada no filme "O resgate do soldado Ryan" a representação do ambiente é realista com explosões e balas a voarem literalmente de todos os lados, já na música a remistura de temas para 360° nunca foi totalmente convincente, só melhorando em actuações ao vivo.

Quando comparada com a Bowers & Wilkins, que existe desde 1966, a Devialet, criada apenas em 2007 parece ainda uma marca adolescente. Na verdade, a jovem marca francesa entrou no mundo da alta fidelidade com uma premissa diferente: em vez de começarem por fabricar colunas de som, como a marca britânica, começaram pelos amplificadores com tecnologia analógica, digital e híbrida (ADH). São aparelhos minimalistas, com uma estética intemporal e que os seus proprietários vão ter orgulho de os ter expostos na sala. Até hoje já vão com mais de 80 patentes registadas e 50 prémios recebidos.

Entre as tecnologias desenvolvidas pela marca destaca-se o "SAM" (speaker active matching), que define em tempo real o sinal necessário a partir do amplificador para a melhor performance das colunas. O que permite níveis de volume muito elevados sem distorção a partir de altifalantes relativamente pequenos.

O que nos leva à Phantom, que na versão II, tem um amplificador de 350 Watt RMS, e é capaz de produzir 95 dB de pressão sonora a 1 metro. Nada mau para uma coluna que mede cerca de 20 cm de comprimento por 17 de altura.

Todas estas inovações estabeleceram o caminho necessário para o desenvolvimento de um produto como uma barra de som. Com 1,20 m de comprimento por 16,5 cm de largura, a Dione é uma das maiores soundbars do mercado. Tem uma amplificação total de 950 Watt RMS, distribuída por 17 altifalantes numa configuração 5.1.2, dos quais 9 reproduzem todas as frequências, e 8 são unidades de grave. Para responder à exigência do mercado a Dione está equipada com Dolby Atmos, e a Devialet refere que a é capaz de "descer" até aos 24Hz na reprodução de graves.

A Dione tem uma função de autocalibração que utiliza 4 microfones para ajustar o som às condições específicas da sala. Para a comparação ser justa, utilizámos os mesmos conteúdos. Logo na reprodução do filme "O resgate do soldado Ryan", fomos surpreendidos com a profundidade do grave na reprodução das explosões na cena do desembarque, para além do realismo do trajeto da chuva de balas que atravessa o ecrã. Já no filme "Dune", tanto a abertura, como a cena no planeta dos guerreiros Sardukar teve um impacto impressionante, com um palco sonoro que não se limita ao plano horizontal, pois os altifalantes com a orientação vertical completam a imersão prometida pelo Dolby Atmos. Não detetamos direcionalidade no grave, ficando muito próximo do desempenho obtido por uma barra com uma unidade de grave em separado. A pequena bola ao centro a que a marca chama de Orb é a responsável pelo canal central, e pode ser reorientada caso se opte por colocar a Dione na parede.

Tal como na B&W Panorama 3, reprodução de música está assegurada por uma entrada ótica, bem como as opções elegidas pela maioria: streaming por Bluetooth, Spotify Connect, e Airplay 2. Como a Dione não vem com controlo remoto, o melhor mesmo é usar a aplicação para smartphone, que também permite para além da função básica de levantar e diminuir o volume, configurar serviços de streaming, ou ainda controlar unidades Phantom num ambiente multi-sala. A capacidade da Dione como sistema para ouvir música foi surpreendente desde logo pela facilidade com que produz graves profundos sem contaminar o resto das frequências. No tema "Loose Youself to Dance" do álbum Random Access Memories, do duo Daft Punk, somos rapidamente transportados para um ambiente festivo de discoteca, em que por mais que aumentemos o volume, não ouvimos o menor sinal de distorção.

A premissa destas barras de som é ambiciosa, em que uma delas, a Dione consegue cumprir o prometido, embora para isso se tenha de pagar um preço elevado. Tendo isso em conta, o que a B&W Panorama 3 consegue fazer pelo preço pedido, torna-a uma opção para quem pretende melhorar o som do seu televisor 4K.

Bowers & Wilkins Panorama 3

Preço: 999 euros

Devialet Dione

Preço: 2 190 euros

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