Facebook proíbe notícias de meios legítimos na Austrália como resposta a nova lei

É uma decisão radical, sem precedentes e que torna o Facebook na Austrália um espaço sem acesso a notícias legítimas. A empresa de Zuckerberg responde assim a nova lei que irá obrigar plataformas como Google e Facebook a abrirem os cordões à bolsa. Medida já está em vigor e afetou também páginas oficiais de autoridades da Austrália.

O Facebook anunciou esta tarde que impede com efeitos imediatos que os utilizadores australianos e os meios de comunicação do país partilhem links para artigos com notícias ou coloquem conteúdo noticioso na plataforma, numa resposta à nova lei de Media Bargaining, que está em discussão esta semana.

A nova regulação vai forçar os gigantes tecnológicos Google e Facebook a que cheguem a acordo com os meios de comunicação da Austrália, para quem possam usar o seu conteúdo. O novo código foi criado após estudos indicarem que a esmagadora maioria da publicidade online no país ia para o duopólio Google-Facebook e surge como forma das tecnológicas "contribuírem para uma sociedade mais informada e democrática na qual os meios de comunicação saudáveis são parte crucial", indicava há dias o líder da autoridade da concorrência da Austrália, Rod Sims.

O projeto, aprovado ontem na Câmara dos Representantes da Austrália e que deve seguir o mesmo caminho no Senado do país, também tem como alvo o Google, que ameaçou há duas semanas deixar de disponibilizar o seu motor de busca no país.

Entretanto, a Google já anunciou esta quarta-feira alguns acordos com organizações de comunicação. O mais mediático foi com a News Corp, de Rupert Murdoch, o que dá a entender que a Google vai tentar através de acordos manter-se no país - embora a Microsoft já tenha anunciado que está disponível em substituir a Google com o serviço Bing no país.

Num post no blog oficial do Facebook, William Easton, diretor da rede social na Austrália e Nova Zelândia, explica: "A lei proposta interpreta mal o relacionamento entre a nossa plataforma e os editores de conteúdos que a usam para partilhar conteúdo de notícias. E deixou-nos perante uma escolha difícil: tentar cumprir uma lei que ignora a realidade dessa relação ou deixar de permitir conteúdo de notícias nos nossos serviços na Austrália. É com o coração pesado que vamos escolher este último".

Easton diz mesmo que os meios de comunicação tiram mais vantagens do Facebook do que o Facebook tira deles, daí a decisão.

O post explica depois os efeitos que parecem ser devastadores para a experiência online dos utilizadores australianos, já que deixam de poder ver notícias de meios de comunicação oficiais no seu mural do Facebook (incluindo de meios internacionais). Isto apesar dos sites de desinformação proliferarem na internet (curiosamente sites não oficiais podem continuar a publicar links no Facebook) e de estudos indicarem que o número de pessoas que se informa através do Facebook é cada vez maior.

Os quatro efeitos

Publicações australianas: "Estão proibidos de partilhar ou fazer posts com qualquer conteúdo nas suas páginas de Facebook. Ainda assim, os administradores das páginas oficiais dos meios de comunicação podem aceder a outros recursos da sua página do Facebook, incluindo informações da página e Estúdio de Criação, bem como ferramentas de dados e o serviço CrowdTangle."

Publicações internacionais: "Podem continuar a publicar conteúdo de notícias no Facebook, mas links e posts não vão poder ser vistos ou partilhados pelo público australiano."

Utilizadores australianos: "Não vão poder ver ou partilhar conteúdo de notícias australianas ou internacionais no Facebook ou conteúdo de páginas de notícias australianas e internacionais."

Utilizadores internacionais: "Não podem visualizar ou compartilhar conteúdo de notícias australianas no Facebook ou conteúdo de páginas de notícias australianas."

O Facebook argumenta que está a usar uma "combinação de ferramentas tecnológicas" para restringir o conteúdo de notícias e terá processos para rever o conteúdo que foi removido inadvertidamente. Também indica que as mudanças no conteúdo das notícias não afetarão nenhum dos produtos ou serviços da empresa na Austrália.

Esta promete ser uma guerra entre Estados e gigantes tecnológicos que vai continuar, já que na Europa também há vários países que estão a preparar algumas medidas semelhantes às da Austrália.

(atualização 18/02, 10h)

Tentativa de "intimidação"

Entretanto a proibição por parte do Facebook não só já motivou reações das autoridades do país, que alertam que esta é uma tentativa de "intimidação" e que o Facebook pode tornar-se "numa plataforma prejudicial e que não é de confiança" - os posts mais lidos ontem ao final do dia no país eram de artigos de desinformação.

Na remoção dos conteúdos de páginas de meios de comunicação no país (que já não podem publicar artigos ou informação de nenhum nível, nem mesmo conteúdo escrito ou fotos) também foram afetadas páginas oficiais do governo australiano, inclusive de autoridades de saúde do país. Páginas como de meios de comunicação internacionais como Guardian ou New York Times também deixaram de ter conteúdo e

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