Governo em silêncio sobre 11 milhões à Web Summit (mesmo com estudo na gaveta)

Um estudo recente sobre impacto da Web Summit em Portugal, da Universidade do Minho, está pronto mas ainda não é conhecido. Ministério da Economia em silêncio sobre valor investido no evento - este ano será apenas online - e sobre o tal estudo. Paddy Cosgrave acredita no valor do evento para Portugal.

O Ministério da Economia (tal como a Câmara de Lisboa) têm-se mantido em silêncio sobre a decisão que terá sido tomada de manter na íntegra o valor pago à empresa que gere a Web Summit.

Os 11 milhões de euros anuais (três milhões da Câmara de Lisboa e oito de entidades sob a tutela do Ministério da Economia) previstos pagar à dona do evento para que este se realize no país foram contestados esta semana pelo deputado do CDS, João Gonçalves Pereira, com várias questões que não obtiveram resposta no Parlamento. Em causa está o facto de, por causa da pandemia, o evento ter passado a ser online.

O valor foi o determinado em 2018, num acordo de 10 anos, até 2028, que começou a contar em 2019 e que permitiu a Lisboa vencer a corrida onde também estavam outras cidades, como Valência e Paris - ambas dariam valores superiores.

A decisão - de não ter haver nenhuma versão do evento presencial - foi tomada em Outubro e Paddy Cosgrave indica que foi "em conjunto com o Governo, que era quem tinha o poder de decisão nessa matéria".

Estudo na gaveta

O Dinheiro Vivo já tinha tentado obter esclarecimentos junto do Ministério da Economia (e da Câmara) há uma semanas e voltou a pedi-los esta sexta-feira, sem obter qualquer resposta, inclusive sobre a não divulgação de um estudo recente sobre o impacto da Web Summit no país.

O novo estudo em causa foi feito por João Cerejeira, investigador da Universidade do Minho, que já tinha feito antes outros estudos. Ao Dinheiro Vivo explica que o trabalho está feito e entregue ao Ministério da Economia - que foi quem o encomendou - mas admite que só o Governo o poderá divulgar.

"Em análise esteve o impacto do evento "na atração de investimento estrangeiro e na atividade / performance das startups participantes", adianta, no entanto: "só com autorização da entidade contratante é que poderemos fazer algum comentário aos mesmos", explica. A entidade que está a gerir o processo é o Gabinete de Estudos e Estratégia do Ministério da Economia.

Cerejeira já tinha coordenado um estudo que estimou o impacto da Web Summit entre os 51,6 milhões e os 105 milhões de euros no PIB em Portugal no evento em 2017 - o evento aumento de dimensão em 2018 e 2019. Deixava ainda estimativas para que esse valor possa chegar aos 226 milhões em 2028, altura em que se prevê 130 mil participantes.

Desconto ou cancelamento?

O deputado do CDS citou o contrato (nunca divulgado oficialmente) feito com a dona do evento, a irlandesa Connected Intelligence Limited (CIL), indicando que está previsto nos seus termos "que no caso de um evento de força maior", no qual se incluem "epidemias e pandemia", a "parte afetada não será considerada como tendo violado" o contrato, "nem será responsabilizada por qualquer incumprimento ou atraso no cumprimento das suas obrigações".

O que não fica esclarecido em relação ao contrato é se um possível desconto ou ausência de pagamento faria com que a Web Summit não se realizasse por completo este ano, nem mesmo online, algo que Cosgrave já deu a entender que se tivesse acontecido poderia ter levado o evento para a Ásia este ano. O deputado pediu esclarecimentos no Parlamento sobre se houve negociações para baixar o valor, mas não as recebeu.

Em entrevista ao Dinheiro Vivo - que publicamos no suplemento este sábado -, Cosgrave não quis entrar em polémicas e admite querer "fugir à discussão política, que é legítima". "O que peço é que as pessoas usufruam da Web Summit e da plataforma que criámos e só depois tirem conclusões e avaliem o impacto que teve", avisa.

Relativamente a um possível desconto devido ao evento ser online, indica que não esteve propriamente em cima da mesa, admitindo que o evento deste ano será o mais caro (entre receitas e despesas) para a empresa irlandesa que gere o evento, a CIL.

Cosgrave garante que a plataforma online criada este ano e vários extras dados ao país - incluindo 50 mil bilhetes gratuitos a estudantes portugueses - trazem um valor acrescido, num ano em que não haverá as receitas habituais em restauração e hotelaria dos visitantes do evento.

Pode ler mais esclarecimentos do líder da Web Summit, bem como estratégia para ter 140 mil pessoas no evento nos próximos cinco anos e desejos de aumentar o evento para outras partes de Lisboa e do país, veja este sábado a entrevista no suplemento do Dinheiro Vivo, bem como em dinheirovivo.pt.

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