Há 3 empresas portuguesas em missão para desviar asteroides da Terra. Contrato é de 2,9 milhões

Efacec, GMV e Synopsis Planet em projeto de defesa planetária da Agência Espacial Europeia que testa as hipóteses de desviar grandes asteróides da rota da Terra. Empresas nacionais recebem 2,9 milhões de euros. É o segundo maior contrato de sempre da Efacec.

Há muito que o cinema imagina um futuro distópico onde um asteroide em rota de colisão com a Terra põe toda a humanidade em causa. Ainda este mês, foi noticiado que um potencial asteroide descoberto em rota de aproximação à Terra poderá, afinal, ser apenas o que resta de um foguetão lançado há 54 anos numa missão falhada à Lua, segundo peritos da NASA.

Uma das mais ambiciosas missões da Agência Espacial Europeia envolve três empresas portuguesas e tem como propósito testar a possibilidade de desviar grandes asteroides da rota da Terra. Em comunicado a Agência Espacial Portuguesa dá agora mais alguns pormenores sobre a missão, incluindo que as empresas com sede em Portugal recebem ao todo 2,93 milhões de euros.

As empresas em causa são a Efacec, GMV (neste caso a divisão portuguesa da multinacional espanhola) e Synopsis Planet (de Almada) e foram subcontratadas pela alemã OHB, para trabalhar no desenvolvimento do projeto, fabrico e testes da missão Hera, que irá lançar, em 2024, uma sonda com destino a um sistema binário de asteroides.

A sonda Hera será a contribuição europeia para o projeto internacional que pretende desviar um asteroide da rota de colisão com a Terra e realizar o estudo de um sistema de asteroides duplo. Esta é a primeira missão de defesa planetária da ESA. A Efacec, GMV e Synopsis Planet serão responsáveis, a partir de Portugal, pelo desenvolvimento de alguns dos elementos fundamentais para o sucesso da missão, tais como o sistema autónomo de Orientação, Navegação e Controlo que permitirá à sonda espacial manobrar autonomamente em torno de um corpo celeste.

Ricardo Conde, o novo presidente da Agência Espacial Portuguesa, que tem entre as suas áreas de atuação a Segurança Espacial, explica em comunicado: "as empresas portuguesas passaram os últimos anos a acumular experiência, conhecimento e a desenvolver as competências necessárias para a criação de soluções ímpares, que começaram por ser pequenos projetos e que hoje são essenciais em alguns sistemas e subsistemas de grandes missões internacionais"

Para acompanhar o esforço europeu e contribuir para o desenvolvimento de competências do setor espacial português, Portugal subscreveu, na última Cimeira Ministerial da ESA, Space19+, um total de 2,8 milhões de euros para o envelope da missão Hera.

Vasco Granadeiro, responsável pelo departamento de aeroespacial da Efacec, ​​​​​​​afirma em comunicado que o contrato com a OHB representa a "segunda maior encomenda de sempre em mais de 15 anos de atividade" no setor espacial da tecnológica com origem na região norte e escritórios em seis países.

Em termos financeiros, a encomenda para a missão Hera é apenas "ultrapassada pelo monitor de radiação que integrará a missão JUICE", a missão da ESA que tem por objetivo explorar as luas de Júpiter.

Nesta nova missão, a Efacec ficará encarregue de desenvolver um dos instrumentos fundamentais para o cumprimento dos objetivos da Hera: um altímetro LIDAR (LIght Detection And Ranging). "Trata-se de um equipamento baseado em tecnologia laser capaz de medir distâncias até 20 quilómetros com uma precisão de 10 centímetros", explica Vasco Granadeiro, acrescentando que a contribuição da Efacec nesta missão se traduz no chamado PALT (Planetary ALTimeter). Para o desenvolver, a Efacec lidera um consórcio composto por mais uma empresa portuguesa, a Synopsis Planet, duas empresas romenas (Efacec-Roménia e INOE) e uma empresa da Letónia (Eventech).

Com lançamento previsto para 2024, a sonda Hera irá testar o desvio de um asteroide potencialmente perigoso para Terra. Tendo como destino a deflexão do sistema de asteroides duplo batizado de Didymos, a ESA cumprirá a segunda fase de uma missão partilhada com a NASA. Os norte-americanos levarão a cabo o Double Asteroid Redirect Test (DART, ou Teste de Redireccionamento de Asteroide Duplo), que prevê que a nave colida com o menor dos dois corpos, na segunda metade de setembro de 2022, através de um método designado de "impacto cinético", a uma velocidade de cerca de 6,6 km/s.

Os sistemas binários de asteroides representam cerca de 15% de todos os asteroides conhecidos, mas esta será a primeira vez que se fará a sua aproximação e exploração.

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