Mark Zuckerberg critica "esforço coordenado" para pintar "quadro falso" do Facebook

CEO endereçou o que está a acontecer com o vazamento de documentos internos durante a conferência com analistas que se seguiu à apresentação dos resultados trimestrais

O fundador e CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, criticou hoje a forma como a empresa está a ser retratada após o vazamento de milhares de documentos internos pela ex-funcionária e agora denunciante Frances Haugen.

"Acredito que as grandes organizações devem ser escrutinadas. As críticas em boa fé ajudam-nos a melhorar", afirmou o executivo, em declarações durante a conferência com analistas que se seguiu à apresentação dos resultados financeiros do terceiro trimestre. "Mas o que estamos a ver é um esforço coordenado para usar documentos vazados de forma seletiva para pintar um quadro falso da nossa empresa", considerou.

Esta segunda-feira marcou o início da publicação de notícias por um consórcio de 17 órgãos de comunicação social nos Estados Unidos - a que se juntarão mais na Europa - com base em documentos internos que estão a ser apelidados de "Facebook Papers."

Entregues pela denunciante Frances Haugen, os papéis revelam pesquisas e discussões internas sobre problemas como desinformação, polarização e incitação à violência na plataforma. Haugen acusou o Facebook de colocar os lucros à frente do bem-estar dos utilizadores, escondendo os resultados de pesquisas que mostraram um efeito negativo das redes na sociedade.

Mark Zuckerberg não se referiu diretamente a Haugen nem aos "Facebook Papers, mas elogiou o trabalho da empresa por oposição à forma como esta está a ser retratada.

"Estou orgulhoso da forma como temos navegado isto, e da pesquisa e transparência que trazemos para o nosso trabalho", afirmou, considerando que o modelo de autorregulação da empresa é exemplar. "Acreditamos que o nosso sistema é o mais eficaz da indústria a reduzir conteúdos prejudiciais", considerou.

Zuckerberg falou do papel da inteligência artificial na deteção de conteúdos nocivos mas sublinhou a dimensão e dificuldade da tarefa, numa plataforma que opera em 150 línguas e que precisa de levar em conta as nuances culturais e especificidades locais.

"A realidade é que temos uma cultura aberta, que encoraja a discussão, a pesquisa sobre o nosso trabalho, para que possamos fazer progresso em questões complexas que não são exclusivas da nossa empresa", afirmou o CEO. "Temos programas líderes na indústria para estudar o efeito dos nossos produtos e oferecer transparência sobre o nosso progresso."

Zuckerberg disse que as decisões tomadas pela cúpula diretiva da empresa, que controla não só o Facebook mas também o Instagram e o WhatsApp, têm de levar em consideração pressões sociais concorrentes, como preservar a liberdade de expressão e ao mesmo tempo mitigar o discurso nocivo.

"A realidade é que estas questões não são primariamente sobre o nosso negócio, são sobre equilibrar diferentes valores sociais", disse.

O CEO também lembrou que tem pedido aos legisladores maior clarificação regulatória, considerando que o ónus destas decisões não deve cair apenas nos ombros das empresas e que estes problemas não são sequer específicos das redes sociais.

"Isso significa que, não obstante tudo o que possamos fazer, nunca vamos resolvê-los sozinhos", afirmou, referindo que a polarização começou a crescer nos EUA antes de o próprio Zuckerberg ter nascido.

"As redes sociais não são os principais impulsionadores destes problemas e provavelmente não os conseguem resolver sozinhos", reiterou.

As declarações do CEO aconteceram horas depois de Frances Haugen ter testemunhado perante um comité parlamentar no Reino Unido e de o consórcio de meios de comunicação ter começado a publicar artigos com base nos Facebook Papers. São esperadas mais revelações nos próximos dias.

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