MOBI.E ganha mil utilizadores em 2020, mesmo com a pandemia. "Queremos 20 mil postos até 2025"

Em 2011 Sócrates anunciava 1350 postos para veículos elétricos. Hoje ainda só existem mil, mas responsável da MOBI.E está entusiasmado com chegada dos privados e admite: "Queremos 20 mil postos até 2025". Consumo de eletricidade duplicou em três anos.

Luís Barroso é o CEO da MOBI.E e admite que o organismo estatal que gere e que durante a crise de 2011 caiu no esquecimento (foi reanimado em 2015) vive tempos entusiasmantes, com a passagem de testemunho da exploração dos postos de carregamento elétrico para concessionários privados. "Com o lançamento do mercado dos postos de carregamento e a entrada dos privados podemos finalmente tornar a Mobi.E num instrumento relevante do Estado no desenvolvimento das políticas de sustentabilidade", explica ao Dinheiro Vivo.

O gestor admite que esse sempre foi objetivo, mas que o caminho nem sempre tem sido fácil para a entidade responsável pelos postos de carregamento para veículos elétricos no país. Com perto de 10 mil utilizadores com cartão MOBI.E, que serve para carregar veículos elétricos, houve uma subida de 11% durante este ano, mesmo com a pandemia - no final de 2019 eram menos de 9 mil os utilizadores registados. Luís Barroso explica que o maior aumento de utilizadores e de consumo tem-se verificado nos últimos anos, com o crescimento no país das vendas de veículos elétricos ou híbridos plug-in. "Duplicámos desde 2018 o consumo de energia nos nossos postos, o que é um óptimo sinal", avança.

Mil postos agora, 20 mil em 2025

Já o número de postos de carregamento ainda está bem longe do ideal. Em janeiro de 2011 o Governo de José Sócrates garantia que a meio desse mesmo ano (em abril caíria o governo e chegaria a Troika e o resgate económico) seriam 1350 os postos de carregamento em território nacional - o primeiro-ministro na altura também previa que em 2020 já cerca de 10% do parque automóvel português fossem veículos 100% elétricos (deverá ainda ser em décimo disso, embora as vendas tenham disparado nos últimos três anos).

Nove anos depois existem cerca de 1000 postos ligados à rede MOBI.E, indica-nos Luís Barroso, admitindo que a crise de 2011 veio mudar por completo o cenário da mobilidade elétrica. "Em breve vão ser ligados mais 300 a 400 postos, já com a intervenção de privados no novo mercado de postos de carregamento e em 2021 já devemos ter dois mil postos", avança. O objetivo, até para que o país cumpra os seus compromissos de sustentabilidade, "é ter mais de 20 mil postos até 2025, mesmo que até seja possível chegar a esse número antes".

Certo é que agora também já há vários postos privados fora da rede MOBI.E. "Não temos é forma de os quantificar nesta altura", adianta. O governo vai investir até 2021 cerca de 3 milhões de euros em novos postos, para que o setor privado possa fazer depois a exploração. "É importante ajudarmos nesta aceleração", indica o CEO da MOBI.E que admite que existem já 60 operadores privados para os postos de carregamento (uns públicos e outros privados) e "há vários, inclusive grandes players, interessados em entrar". "Nesta altura há espaço para todos".

(Pode ver aqui a entrevista completa)

MOBI.E que ir além da mobilidade elétrica

O gestor lembra ainda que a MOBI.E pode ter um papel mais amplo do que apenas o carregamento de veículos elétricos. "A mobilidade sustentável não se esgota na mobilidade elétrica e é aí que queremos operar". Ou seja, o organismo pode ser facilitador de postos de hidrogénio para camiões, transportes públicos pesados, mobilidade de last mile dentro das cidades "ou, no limite, de abastecimento sustentável de aviões e navios".

No entanto, todas essas possibilidades "terão de fazer parte de um conjunto de políticas estratégicas que devem chegar no futuro e a MOBI.E poderá vir a formar-se como um instrumento relevante do Estado no desenvolvimento das políticas de sustentabilidade".

EDP e os problemas de licenciamento

A EDP tem admitido que os postos da MOBI.E que está a explorar devem manter-se inativos para já por falta de condições. Luís Barroso admite que há licenciamentos previstos na lei que tem levado a atrasos. "Dependem de outros organismos do Estado que não controlamos, mas são questões burocráticas de licenciamento e ligação dos postos que vão ser solucionadas em breve", adianta. A sua expetativa é que o organismo ganhe "mais força enquanto instrumento público, para ter maior capacidade de intervir junto das outras agências públicas".

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