NOS autonomiza consultoria e cria Ten Twenty One

Consultora apoia grandes e médias empresas no digital. Arranca com uma equipa de 60 pessoas, mas serão 120 até ao fim do ano. Atingir 10% de quota é o objetivo inicial.

O grupo NOS decidiu autonomizar os serviços de consultoria tecnológica e criar a Ten Twenty One. Assumindo o crescimento do segmento empresarial à boleia das necessidades de transformação digital das empresas, e o peso de uma carteira de serviços cada vez mais alargada, a telecom libertou uma nova linha de negócio por uma questão de foco e especialização de serviços que, embora complementares, não entram no núcleo duro das telecomunicações.

A operação autónoma da Ten Twenty One arrancou em janeiro, mas só agora a nova marca de serviços de consultoria do grupo começou a ser oficialmente apresentada ao mercado.

O managing director da consultora, Tiago Ribeiro, revela ao Dinheiro Vivo que a Ten Twenty One surgiu com uma equipa de 60 profissionais e o objetivo de duplicar os quadros até ao final do ano. "O foco primário incide sobre organizações de média e grande dimensão, porque são provavelmente as que beneficiarão mais da transformação digital", afirma o gestor. Atualmente, a empresa tem "meia centena de contratos ativos" relacionados com projetos de modernização de sistemas - migrando-os para uma cloud pública - tratamento de dados e integração de Inteligência Artificial.

Tiago Ribeiro diz que os projetos em causa incidem sobre empresas na área da banca, indústria, energia, retalho e serviços.

O responsável não detalha perspetivas quanto ao volume de negócios, mas assegura existir uma "ambição elevada" para o papel da Ten Twenty One no setor da consultoria tecnológica. Foi desenhado um plano de negócios a cinco anos, que define como meta final a conquista de uma quota de mercado de 10%. No final de 2023, o volume de negócios da consultora deverá ficar "acima dos dez milhões de euros".

Mercado de 6,7 mil milhões de euros em vista

Qual o racional por trás da nova consultora? Tiago Ribeiro esclarece, primeiro, que apesar da Ten Twenty One ter ter sido "desenhada para ter autonomia total", tendo equipas de gestão próprias, continua "dentro do grupo". Por exemplo, os escritórios da consultora em Lisboa e no Porto localizam-se nos edifícios da NOS.

O gestor prossegue indicando que a NOS "tem tido um bom crescimento no segmento empresarial [receita de 336,5 milhões de euros em 2022, mais 20 milhões do que em 2021]", suportando diretamente "grandes clientes empresariais nas suas componentes tecnológicas".

No entanto, num "contexto de enormíssima volatilidade" em que as organizações "estão a repensar como podem ser mais ágeis", o grupo concluiu que esse processo iria colocar "uma pressão muito grande para toda a tecnologia que suporta as operações". Quer isto dizer que para continuar a apoiar as empresas em processos de transformação digital, a NOS sabe que esse "caminho depende de outro tipo de competências".
"Por um lado, da hiperespecialização em temáticas como cloud, que obriga a que existam consultores que saibam fazer a ponte entre os desafios do negócio e a transformação necessária da tecnologia", segundo Tiago Ribeiro. Por outro, "a modernização tecnológica com algumas alavancas que podem acelerar a transformação, obriga a um pensamento mais estruturado dos gestores das organizações na transformação dos negócios e da tecnologia que os suporta", realça.

"Por isso, decidimos autonomizar competências e esta equipa. Temos um modelo operativo de serviços diferente do core da NOS. Temos um negócio exclusivo de serviços de consultoria tecnológica", reitera o managing director.

Não obstante, um contributo relevante para a criação da Ten Twenty One passou por dados de mercado. Segundo Tiago Ribeiro, um estudo da IDC para a Microsoft prevê que, em Portugal, as empresas estão dispostas a gastar 6,7 mil milhões de euros na modernização de tecnologias da informação (TI), até 2026.

Só em cloud pública, o investimento previsto será de 1,1 mil milhões de euros. "E a componente de serviços associados está estimada em 500 milhões de euros. É este o nosso território, desde a assessoria à transformação e à operação", sublinha o gestor, lembrando que a consultora conta com as parcerias da Google, Microsoft e AWS.

Que transformação procuram as empresas

A nova consultora quer acelerar a transformação tecnológica das empresas portuguesas. Para se diferenciar, o plano passa por fornecer uma "visão não-binária da transformação digital".

O que significa isso? "A modernização tecnológica, alavancada pela cloud, big data e automação, é um fator essencial para assegurar a flexibilidade e resiliência das operações e do negócio. Para as grandes empresas, este é um desafio complexo que implica uma visão transversal e um mapa sistematizado nos pilares pessoas e competências, processos e negócios, e tecnologia. Neste contexto, a Ten Twenty One posiciona-se e diferencia-se aliando a experiência na gestão de arquiteturas TI tradicionais e modernização do TI e jornada para a cloud, a uma abordagem pragmática aos desafios da segurança, governance, modernização aplicacional e controlo de custos em arquiteturas híbridas e em transformação", responde Tiago Ribeiro.

Admitindo existir aqui um "mercado extremamente competitivo, sem vencedores óbvios, onde há posicionamentos diferentes", Tiago Ribeiro acredita que a Ten Twenty One tem a vantagem de se posicionar entre o que é feito pelas grandes consultoras, que não gerem a operação das empresas, e os "integradores intermédios", "que não têm escala e estão focados em áreas específicas".

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