Orcam. Inteligência artificial ajuda invisuais num mundo sem toque

Os dispositivos da Orcam, que recorrem a inteligência artificial para identificar objetos ou mesmo ajudar a ler, têm sido instrumentos usados por invisuais num ano em que a pandemia pede menos recurso ao tato.

Desde março de 2020 que as recomendações para conter a propagação da covid-19 pedem menos recurso ao contacto com superfícies, limitando o toque. Mas, para quem é cego ou visualmente incapacitado, não poder recorrer ao toque obriga a outro tipo de adaptações.

A empresa israelita Orcam Technologies, fundada em 2010, desenvolve dispositivos que utilizam a inteligência artificial (IA) para auxiliar pessoas cegas ou visualmente incapacitadas, recorrendo menos ao contacto com superfícies. O resultado são dispositivos wearable, que podem assegurar diversas tarefas, como auxílio à leitura, reconhecimento de cores ou produtos em lojas, dinheiro ou mesmo caras. No caso do OrCam MyEye, este dispositivo permite a utilização mãos-livres: ao apontar para um ponto ou objeto, o utilizador poderá receber a informação através de áudio.

Já o OrCam Read está focado na leitura, funcionado como um assistente que captura páginas de texto e as lê em voz alta ao utilizador. Neste caso, o objetivo não é apenas ser uma ferramenta para quem tem incapacidades visuais, mas também para quem tenha dislexia, afasia, fadiga ou seja obrigado a ler grandes quantidades de texto. Este equipamento é ativado por dois lasers de precisão, que guiam o utilizador para ler o texto numa zona selecionada ou para escolher onde começar a ler.

"A inteligência artificial do OrCam permite que a pessoa a utilizar o aparelho não toque em nenhuma superfície para ativar o aparelho", explica Fabio Rodriguez, regional manager da Orcam Technologies para Portugal e Espanha. "De modo prático, isto permite ao indivíduo apontar para um sinal na rua (direções por exemplo), para um menu num restaurante ou mesmo para um folheto e lê-lo a uma certa distância", exemplifica.

Em contexto de pandemia, a empresa explica que "vários utilizadores em vários países" recorreram às redes sociais para mostrar como usam estes dispositivos de inteligência artificial. "Muitas histórias tinham um ângulo semelhante: idosos que agora viam-se com menos acesso ao mundo exterior e menos auxílio conseguiam com o dispositivo ler livros e jornais independentemente, o que apesar de tudo levantava o seu ânimo, ou alunos na escola ou na universidade que se viram obrigados a aderir às aulas online, e graças ao OrCam conseguiam colmatar a falta de assistência em pessoa dos professores ou auxiliares, progredindo com o seu trabalho nestes meses mais desafiantes." Além disso, com a rápida passagem para o uso de máscaras, a Orcam explica que "todos os desenvolvimentos de I&D [investigação e desenvolvimento] demoram muitos meses a concluir", mas considera que a tecnologia de IA utilizada atualmente "está apurada o suficiente para conseguir reconhecer um rosto com uma máscara", apesar de a "utilização do dispositivo com as máscaras não ser ideal, claro".

A empresa explica que está a adaptar os equipamentos para dependerem mais da voz e menos de gestos e funções de toque. "Neste sentido, recentemente lançámos a versão Pro do OrCam MyEye e do OrCam Read com comandos de voz em quatro idiomas (inglês, espanhol, francês e alemão), algo que já está a ter frutos", explica o responsável para o mercado português e espanhol. "Em 2021 ambicionamos adicionar o idioma português", avança.

Presente no mercado português desde outubro de 2019, a Orcam revela que "Portugal tem sido um importante mercado e temos ficado muito satisfeitos em ver o número de utilizadores a crescer em todo o país - apesar de existirem ainda muitas oportunidades de crescimento e de melhorar as vidas de milhares de portugueses com problemas de visão", diz Fabio Rodriguez.

Embora não sejam concretizados valores, o responsável refere que, no ano passado, o país "excedeu as expectativas de lucro, tornando-o num dos melhores mercados para a empresa (em termos relativos à sua população)." Ainda assim, a pandemia teve um "grande impacto nas operações em ambos os territórios", adiando "iniciativas de marketing e eventos planeados".

A empresa indica que, perante a situação, precisou de "reinventar" o modelo de negócio: "Reforçámos o trabalho com os parceiros locais e aumentámos fortemente a nossa presença digital."

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