Organizações portuguesas sofreram 881 ciberataques por semana em 2021

Uma análise da Check Point Research concluiu que os ataques informáticos cresceram 81% em Portugal, no último ano. Uma entidade portuguesa foi atacada, em média, 881 vezes por semana.

As organizações portuguesas sofreram ataques informáticos, em média, 881 vezes por semana em 2021, o que se traduz num crescimento de 81% dos ciberataques face a 2020, de acordo com uma análise da Check Point Research, divulgada esta segunda-feira. As entidades dos setores da educação, saúde e da administração pública ou militar e o setor das utilities foram os principais alvos.

Em comunicado, a empresa de cibersegurança explica que o pico dos ataques observou-se em dezembro, após a revelação de uma vulnerabilidade crítica para todos as organizações que utilizam o framework Apache Struts. Em causa está a vulnerabilidade Log4J (Apache Log4j 2.14.1), que pode permitir a execução de código remoto malicioso e "fazer um takeover completo ao servidor".

Segundo o site IT Security, a falha foi revelada em sites referentes ao jogo Minecraft, que tem uma versão Java, sendo que hackers conseguiam lançar códigos maliciosos, tanto em servidores como nos utilizadores dos sites que corriam a referida versão do jogo. O código malicioso era lançado através da manipulação de mensagens de log.

A referida falha informática "fez com que o número de ciberataques por semana contra organizações chegasse aos 925, a nível global". Portugal não foi exceção, segundo a Check Point Research.

Para o data research manager da Check Point Software, Omer Dembinsky, o mundo "está a viver uma ciberpandemia". E 2022 pode ser muito mais grave que 2021, segundo este especialista. "O que é mais alarmante é o facto de estarmos a ver algumas indústrias fulcrais para a sociedade subir cada vez mais na lista dos mais atacados. A educação, os serviços de administração pública, e o setor da saúde constam do top 5 de setores mais visados em todo o mundo. Acredito que estes números vão aumentar em 2022, com os hackers a inovar continuamente e a procurar novos métodos para executar ciberataques, especialmente ransomware.

Só em em Portugal, as organizações dos setores da educação, saúde, administração pública ou militar e utilities registaram mais de mil ataques informáticos por semana, em 2021. As entidades do setor da educação foram atacadas 2.480 vezes por semana (+57% face a 2020), as organizações da área da saúde foram atacadas 2.290 vezes por semana (+108% face a 2020), os organismos da administração/militar foram atacados 1.116 vezes por semana (+106% face a 2020) e as entidades do setor das utilities foram atacadas 1.023 (+371% face a 2020), segundo a análise da empresa de cibersegurança.

Em termos globais, África, bem como as regiões Ásia-Pacífico e América Latina foram os principais alvos dos piratas informáticos, sendo as regiões com maior número de ataques. No entanto, foi na Europa que se registou o maior crescimento homólogo de ciberataques: os ataques informáticos cresceram 68% no Velho Continente, segundo a Check Point Research.

"No mundo, apesar de África ser a região mais atacada [por hackers], foi a Europa que, de 2020 para 2021, registou o maior aumento do número de ciberataques sofridos", concluiu a empresa de cibersegurança, adiantando que o número de ataques informáticos contra empresas e outras entidades cresceu 50% por semana, face a 2020.

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