Parler. Rede social onde extremistas se organizaram está outra vez online

A rede desenhada como alternativa ao Twitter tinha sido banida das lojas de aplicações e da Amazon, que assegurava o alojamento online

A rede social Parler, que tinha sido banida das lojas de aplicações e perdido o alojamento na Amazon Web Services depois do ataque ao Capitólio, em janeiro, está novamente online. A rede foi desenhada como uma alternativa ao Twitter e tornou-se uma favorita dos conservadores norte-americanos no verão do ano passado, tendo acabado por atrair muitos extremistas que foram banidos das outras redes sociais.

O regresso dá-se cerca de um mês depois de a rede ter ido abaixo, quando ficou claro que foi usada pelos grupos de extrema-direita que invadiram o Capitólio a 6 de janeiro para se organizarem. Agora, o site tem um novo design e está alojado nos servidores de uma fornecedora cloud da Califórnia, SkySilk. A CNN citou um porta-voz da empresa que garantiu que a Parler está a tomar as "medidas necessárias" para monitorizar melhor a plataforma.

Este foi o problema central citado por todas as empresas que baniram a rede: a ausência de um mecanismo de regulação interno. Por ser baseada na ideia de discurso livre sem qualquer espécie de censura, a Parler tornou-se terreno fértil para todo o tipo de conspirações, desinformação e incitamento à violência.

O ex-CEO da rede, John Matze, foi entretanto demitido pelo conselho de administração da rede após o que ele descreveu como um conflito com a investidora que controla a empresa, Rebekah Mercer. Matze queria fechar as portas aos grupos de terrorismo doméstico e aos apelos à violência e a investidora não deixou, segundo a sua versão.

Nesta segunda vida da Parler, o conceito-base parece ser idêntico ao que atraiu tantos extremistas no início. "Fale livremente e expresse-se abertamente, sem medo de ficar sem plataforma por causa das suas opiniões", lê-se na página principal do novo site. Na mensagem de regresso, a conta oficial da rede garantiu aos utilizadores que não voltará a ser cancelada.

Há ainda um documento que estabelece as orientações que os utilizadores deverão seguir e que autodescreve a Parler como "uma plataforma social no espírito da Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos."

No documento, os administradores indicam a intenção de manter a censura de conteúdos ou a remoção de utilizadores num nível "absolutamente mínimo." Salvaguarda-se estabelecendo no primeiro princípio que a Parler não irá permitir "ser usada como ferramenta para cometer crimes, delitos civis ou outras ações ilegais", mas indica que só os conteúdos que um observador "razoável e objetivo" consideraria ilegal serão alvo de ação.

É uma orientação que vai ao encontro da ideologia estabelecida no terceiro parágrafo dos termos de utilização: "Em caso algum a Parler irá decidir que conteúdo é removido ou filtrado ou que contas serão removidas, com base na opinião expressada no âmbito da questão."

Antes de ficar offline, a Parler tinha cerca de 15 milhões de utilizadores.

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