Fraude. Vítimas de phishing duplicaram até julho

Os utilizadores de cartões WiZink foram os mais visados em esquemas de fraude.

As queixas relativas a cartões de crédito e crimes de phishing duplicaram, desde o início do ano até 15 de julho, quando comparadas com os valores de 2020. Os casos ocorreram em todas as marcas que disponibilizam cartões do género, como a Universo, Revolut, Cyrana, mas foi com com a WiZink que se verificou um maior número de denúncias, de acordo com a análise feita pelo Portal da Queixa.

Segundo a maior rede social de consumidores de Portugal, há já um grupo online com o nome "Lesados WiZink", incluindo cerca de 25 pessoas que sofreram perdas que chegam aos 130 mil euros nos cartões de crédito da marca.

Patrícia Furtado, uma das lesadas, perdeu quase 10 mil euros - " no momento em que a fraude decorreu recebi um telefonema da SIBS onde me confirmaram estar a ser vítima de fraude, pois teriam efetuado transferências de 300 euros e outra 4.700 euros, disseram que iriam cancelar de imediato o meu cartão, (cartão esse que ainda nem sequer eu tinha ativado), no entanto para além destas transferências, ainda foi feita uma outra de 4.100 euros, perfazendo o total de 9.100 euros."

Por sua vez, Ivo Dias, outra vítima, percebeu que algo estava errado quando deu conta de movimentos suspeitos na sua conta - "Ao aceder ao site, verifiquei dois movimentos que não reconheci, à entidade Binance.com, realizados no dia 14/05/2021, nos valores de 3.100,00 e 950,00 euros. Tais movimentos não foram autorizados por mim e não recebi qualquer SMS para confirmar, sendo que qualquer movimento carece do código de SMS e o respetivo valor da transação. De imediato, procedi ao cancelamento do cartão de crédito, através do site e remeti um email a participar a situação."

O caso de Clarisse Cunha foi semelhante - "No dia 21 pelas 15h30 fui verificar o meu extrato do cartão Wizink, pois estava à espera de uma devolução de uma compra e verifiquei que havia dois movimentos no dia 13/05 que não foram feitos por mim. Muito admirada, liguei para linha de apoio ao cliente Wizink para saber que pagamentos eram aqueles e fui informada que talvez tenha sido vítima de burla e foi-me dito como proceder para seguir para os movimentos não reconhecidos, sendo meu cartão logo bloqueado."

Para Pedro Lourenço, CEO e Founder do Portal da Queixa, investir na adoção e no ensino de boas práticas de segurança online é a melhor solução no combate a este tipo de crime - "Grandes mudanças, trazem igualmente grandes riscos para todos, e para os combater nada melhor que o conhecimento, que infelizmente tem faltado a grande parte dos novos consumidores digitais, que começam a sentir, cada vez mais, a necessidade de utilizarem mecanismos tecnológicos que não dominam, por forma a não se sentirem infoexcluídos. É urgente que os responsáveis governamentais ajam em prol dos interesses dos consumidores, com vista a garantir-lhes um acesso seguro, capaz e com a equidade necessária."

Tendo em conta a necessidade de desenvolver a literacia digital da população portuguesa, o Portal de Queixa lançou no final de 2020 a campanha #NãoSejasPato, com parceiros como o OLX, o MBWAY, a Worten, os CTT, o Kuanto Kusta e o euPago, para informar os consumidores sobre como se defenderem dos perigos online e evitar que caiam em burlas.

O Centro Nacional de Cibersegurança já tinha alertado para o aumento de casos de phishing, que dispararam de 236 para 613, no ano passado. O recurso cada vez maior do comércio online, que se normalizou ainda mais durante a pandemia, é uma das principais causas que facilitam as práticas de fraude, de acordo com o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI).

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