Portugal espera pela OCDE para taxar gigantes tech. "Com Biden tudo será mais fácil"

Siza Vieira admite que Portugal não vai avançar já com impostos às gigantes tecnológicas. Ministro francês da Economia acredita que administração Biden vai desbloquear acordo global "histórico que irá permitir taxar de forma justa as empresas digitais e ter impostos mínimos para as populações".

Pedro Siza Vieira, o ministro da Economia português, esteve ao lado de Bruno Le Maire, o ministro da Economia e das Finanças de França, numa conferência de imprensa online na Web Summit para falar sobre o encontro entre os dois hoje em Lisboa para discutir a presidência de Portugal da União Europeia, já em janeiro.

Desde logo foram anunciados projetos em conjunto entre Portugal e França na indústria, hidrogénio verde, baterias para carros elétricos e cloud públicas e seguras.

"Precisamos de ter a nossa própria tecnologia na Europa", disse Siza Vieira.

Um dos temas quentes em debate tem sido os novos impostos que França vai impor às grandes tecnológicas. Siza Vieira respondeu a pergunta do Dinheiro Vivo indicando que Portugal não vai seguir o mesmo caminho de França, com impostos nacionais para as grandes empresas online.

"Vamos favorecer uma abordagem multilateral, global e europeia e não nacional em relação a esses impostos digitais, esperamos que os esforços da OCDE de chegar a um acordo global para criar esses impostos cheguem a bom porto, caso contrário a União Europeia deve achar uma forma para essas empresas pagarem um imposto justo que tem faltado", explicou o ministro português que admite que será importante ter a breve techo esse imposto em vigor.

Bruno Le Maire foi mais longe e admitiu que com Biden haverá uma relação mais fácil com os EUA neste domínio. "Trump não quis participar na criação destes impostos digitais, mas acreditamos que com Biden pode haver o acordo que falta em sede da OCDE para construir um novo sistema de impostos digitais internacional que será mais favorável e importante para todos".

O ministro francês diz mesmo que as grandes empresas tecnológicas têm beneficiado da falta de regulação e de impostos e "devem pagar o que é justo" e espera que o acordo seja obtido antes do verão - "seria um passo histórico e muito importante e que trará receitas fundamentais para financiar os serviços públicos". A ideia do político francês é assim o de "evitar evasão fiscal, optimizar impostos (colocando maiores taxas nas empresas digitais) e ter impostos mínimos para a maioria da população".

O responsável diz mesmo que um acordo a nível internacional "seria incrível para a economia do mundo".

Sobre o papel de Portugal, agora que vai assumir a presidência da União Europeia, Le Maire diz que o país "terá um papel importante na construção europeia no próximo ano" e que a aposta da Europa em cooperar na cloud, hidrogénio e baterias de carros elétricos "é fulcral para o reforço da soberania europeia".

Já sobre a recuperação económica, lamentou a falta de cooperação para desbloquear os fundos europeus da Hungria e Polónia: "todos precisamos desse dinheiro".

A Europa deve estar do lado dos vencedores tecnológicos

O ministro francês admite que com a pandemia e a digitalização crescente "haverá vencedores e derrotados e haverá continentes enfraquecidos tecnologicamente depois da crise". Por isso diz ser importante "enfrentar o mais cedo possível os desafios do século XXI para nos mantermos no topo da corrida". Apostar, assim, "no 5G, hidrogénio, cloud e dados sensíveis e baterias". E deu mesmo o exemplo que para tornar a Europa líder nas baterias para carros elétricos é preciso investir 20 mil milhões de euros "e isso só é possível com investimento conjunto e não ao nível nacional".

Siza Vieira explicou ainda que a tecnologia permitiu a Portugal operar durante o primeiro confinamento e mostrou como o país "tem boas redes e tem pessoas capazes de aderir à digitalização". "Foi uma boa surpresa ver como a tecnologia permitiu que tudo funcionasse bem e ver a população a adoptar as novas tecnologias. O ministro português admite que o país beneficiou com novas ideias "de startups portuguesas e do talento de estrangeiros que vivem no país".

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