Presidente da Microsoft alerta para perigos da inteligência artificial e cibersegurança

"De muitas formas, a ciência alcançou a ficção científica", disse Brad Smith, presidente da Microsoft, na apresentação da empresa no CES 2021. Citando cenários que anteriormente víamos nos grandes ecrãs do cinema, o responsável descreveu um panorama alarmante: "Em 2021, não é com um filme que estamos a aprender. É com a realidade."

Foi assim que, na grande feira de eletrónica de consumo do ano, o presidente da Microsoft deixou vários avisos sobre os riscos que a sociedade global está a enfrentar por causa da tecnologia.

Smith partiu do impacto que o filme "Wargames" teve em 1983 no então presidente norte-americano, Ronald Reagan, ao expor a ameaça que um ciberataque representava para as estruturas de controlo das armas nucleares. Quase quarenta anos depois, um ataque de proporções gigantescas, perpetrado por piratas russos sobre a companhia norte-americana SolarWinds, mostrou-nos como a infraestrutura de energia global está vulnerável e pode ser usada para disseminar malware um pouco por todo o mundo.

"É um perigo que não podemos permitir", afirmou Smith, descrevendo o sucedido em dezembro de 2020 como "um assalto indiscriminado" que não pode voltar a acontecer.

"Precisamos de nos juntar como indústria e dizer que este tipo de disrupção na cadeia de fornecimento não é algo que possamos permitir a alguém", afirmou. Sem nunca nomear a Rússia diretamente, Smith deu a entender que organizações e governos devem tomar uma atitude que contenha a estratégia de ciberataques do Kremlin. "Vamos precisar de trabalhar com governos e organizações não-governamentais para lidar com isto."

No entanto, não é só este tipo de investidas que está em causa. Smith citou também o grande aumento de ataques sobre redes de hospitais e até à OMS desde o início da pandemia, tentando obter ganhos financeiros com sequestro de dados e interrupções nos serviços.

"Isto deveria estar fora dos limites", considerou Smith. "A única forma de proteger o futuro é compreender as ameaças do presidente e isso requer que partilhemos dados de uma forma diferente."

O responsável lembrou como os ataques do 11 de setembro foram facilitados pela ausência de partilha de informação entre agências de inteligência e disse que "precisamos de deixar de ser uma cultura" em que as pessoas só partilham informação que os outros estritamente têm de saber. "É necessário proteger a privacidade pessoal, mas estas são as questões que temos de perguntar nos meses e anos que se seguem."

A ameaça da IA

Associada a todos estes dilemas está a evolução da inteligência artificial. "Estamos a ver a tecnologia a ultrapassar a nossa capacidade de exercer controlo", disse Brad Smith.

Apesar da promessa e progresso que a IA representa, "temos de pensar em quais serão as proteções que precisamos de criar para que a Humanidade se mantenha no controlo da nossa tecnologia."

O tom do presidente da gigante tecnológica não foi sombrio, mas deixou clara a urgência de agir. "Há o risco de que a Humanidade perca o controlo sobre as armas de guerra", disse.

Smith falou diretamente às empresas que compõem o sector. "Somos chamados, como indústria, a assegurar que a humanidade retém o controlo dos computadores que criamos."

O presidente falou da reflexão sobre o reconhecimento facial e como não deve infringir os direitos fundamentais das pessoas, e também alertou para os preconceitos e risco de discriminação que podem vir embebidos nos algoritmos de aprendizagem de máquina.

"Está na altura de pensar no caminho que se segue", afirmou. "Se nos juntarmos, levará a um futuro mais brilhante", sugeriu.

Mas Smith terminou com um alerta, socorrendo-se do famoso discurso de John F. Kennedy no lançamento da aventura espacial dos Estados Unidos, nos anos sessenta do século XX.

"A tecnologia não tem consciência. Mas as pessoas têm, e nós temos", disse Smith. "Como indústria, temos de exercer a nossa consciência. Vamos decidir se a tecnologia é usada para o bem ou para o mal", afirmou. "É a nossa oportunidade, desafio, e mais que isso, a nossa responsabilidade garantir que a tecnologia que criamos serve o mundo."

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