Projeto de 1,88 milhões para medir o bem-estar do trabalhador

Investigação internacional pretende valorizar a vertente humana na indústria quando a automação ganha preponderância

Várias instituições, entre empresas e centros de investigação, uniram-se para estudar o bem-estar dos trabalhadores da indústria e dessa forma valorizar a vertente humana em tempos de digitalização dos processos.

Designado por “Operator”, o projeto envolve um investimento de 1,88 milhões de euros, financiado pelo MIT e pela Agência Nacional de Inovação. Tem por objetivo assegurar o bem-estar (físico e mental) do trabalhador da indústria.

Através de um acompanhamento direto do trabalhador, com sensores, pretende apurar-se, nomeadamente, a posição ergonómica, intensidade, tempo de trabalho e ambiente do local (temperatura, por exemplo).

Com esses elementos identificados, a ideia é “evitar lesões ou acidentes de trabalho e aumentar ainda a produtividade, competitividade e modernização industrial”, lê-se numa informação divulgada pelo centro de investigação Fraunhofer Portugal-AICOS, no Porto, um dos parceiros do projeto.

“A utilização de sensores vai permitir recolher vários dados, quantitativos e qualitativos, sobre o dia-a-dia do profissional do setor industrial, designadamente dados sobre os movimentos e posturas assumidas no exercício das suas funções e, numa vertente mais subjetiva, sobre as suas expectativas e ambições a nível profissional e perceção de qualidade de trabalho, tendo como referência o índice de qualidade do trabalho da tabela da Eurofound. Além dos sensores de recolha automática de dados, o profissional terá à sua disposição uma plataforma individual para inserção de dados e visualização da informação registada”, explica o centro Fraunhofer.

Na prática, esta instituição será responsável pelo desenvolvimento tecnológico dos sensores e da plataforma digital, assim como pelo estudo em tempo real e acompanhamento dos trabalhadores.

“Numa altura em que se discute a automatização como risco de substituição do homem na indústria, o Operator analisa não só o bem-estar físico dos trabalhadores, mas também o impacto dessa automatização na saúde mental das pessoas”, acrescenta-se.

Além do Fraunhofer, o projeto envolve várias instituições empresariais e académicas, como a Volkswagen Autoeuropa, a Faculdade para a Ciência e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, a Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, a Universidade do Minho e Instituto de Engenharia Médica e Ciência.

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