"Queremos ter em 2021 em Portugal a nossa carne de plantas que sabe mesmo a carne"

É o CEO de uma das empresas mais faladas nos últimos tempos nos EUA e quer chegar à Europa e a Portugal já em 2021. Patrick Brown explicou na Web Summit como o seu sonho de acabar com a pecuária é o caminho para poupar o ambiente e reduzir as emissões para a atmosfera.

É o sonho da vida de Patrick Brown, o bioquímico e professor da Universidade de Stanford que em 2009 tirou uma licença sabática de 18 meses para tentar eliminar a agricultura animal do mundo. Resultado? Fundou em 2011 a Impossible Foods, uma das empresas mais entusiasmantes dos EUA dos últimos anos, de acordo com a imprensa tecnológica americana.

O agora CEO da gigante dos produtos que substituem a carne admite que o grande crescimento aconteceu no último ano. "Foi quando começámos a ter mais produtos, chegámos a 15 mil lojas nos EUA, estamos nas principais cadeias de dinners americanas com produtos como salsicha de plantas para o pequeno almoço (que também está no Starbucks) e até temos um Impossible Wooper no Burger King", explica numa sessão de perguntas e respostas da Web Summit.

Patrick, ou Pat, como gosta de ser chamado, garante que "a agricultura animal é o maior problema ambiental da atualidade e é preciso fazê-la desaparecer".

Sobre a sua empresa, diz que apesar de muitos pensarem que é de comida: "na verdade somos uma empresa de ciência e tecnologia que cria produtos a partir de plantas".

E quando é que a Europa e Portugal podem ter acesso?

"Conto ter disponível por aí já em 2021, pedimos há um ano autorização às autoridades europeias e têm estado a examinar o nosso ingrediente mágico, que é o que permite ter o mesmo sabor da carne, mas devem aprovar em breve", explicou em resposta ao Dinheiro Vivo.

A preocupação deste cientista, além do seu negócio, é mostrar que as plantas podem substituir por completo a carne, mantendo o sabor e as proteínas, mas reduzindo em muito as calorias e eliminando colestrol e as hormonas".

Como é que se convence um amante de carne? "Basta convencer alguém a provar uma vez, temos um estudo que indica que 75% das pessoas que adoram carne e provam o nosso produto tornam-se clientes".

O maior obstáculo é que "durante muitos anos os substitutos de carne não eram feitos para gostava mesmo de apreciar carne", mas agora podem mostrar "que não é impossível fazer carne deliciosa com plantas".

O objetivo nos próximos anos é usar plâncton dos oceanos para produzir produtos alimentares e lançar também novos produtos que substituam "tudo o que vem dos animais", além de expandir a nível internacional. "Chegámos o mês passado a vários pontos da Ásia, onde já temos cinco mil lojas a venderem o nosso produto, queremos lançar na China e na Europa em 2021", explicou.

Reduzir os gases nocivos na atmosfera é o objetivo

"Se conseguirmos deixar de ter agricultura com animais e reutilizarmos esses terremos para favorecer biomassa e fotosíntese com plantas, podemos reduzir os gases nocivos na atmosfera para níveis de 2015, o que é incrível", explica o cientista, que diz que "seria como uma varinha mágica que nos faz voltar atrás no tempo".

É esse o seu sonho e espera que o resto do mundo veja "como tudo o que vem da pecuária é prejudicial", indicando que existe 10 vezes mais gado no mundo do que humanos "e devemos substituir o gado em excesso pela natureza". "Comer carne é tecnologia pré-histórica", adianta e com produtos como o seu "já é possível ter a mesma qualidade de proteínas dos produtos animais".

A trajetória das emissões para a atmosfera nos últimos 20 anos tem sido de crescimento "e mesmo com os compromissos para reduzir as emissões vai continuar a subir até 2040". "Só vamos conseguir parar o crescimento e até reduzir os gases existentes se formos pelo lado da pecuária", garante.

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