SAP. Como a nuvem quer mudar paradigmas de negócio

SAP propôs-se no SAP Saphire a apoiar a digitalização e a influenciar positivamente medidas sustentáveis junto do universo de empresas que recorrem ao grupo alemão, que já não fabrica apenas software. Quer ser um "veículo tecnológico", sempre com a cloud como suporte.

Praticamente todas as tecnológicas de referência mundial - como a Microsoft, a Google, a AWS, a IBM - recorrem aos serviços da SAP, pioneira na construção de sistemas de planeamento integrado dos recursos de uma empresa (ERP) e que hoje alicerça todos os serviços na cloud (nuvem). Mas o futuro da tecnológica alemã já não é só fabricar software. Há um novo posicionamento, a empresa, acima de tudo, quer criar condições para novos paradigmas. Foi isso que os responsáveis da SAP se esforçaram para mostrar no SAP Sapphire de 2022, na última semana em Orlando, EUA.

Criada há 50 anos, a SAP tornou-se numa referência mundial explorando o ERP. Conseguiu atrair as organizações a investir na modernização da tecnologia por detrás dos modelos operacionais de negócios e acabou, entretanto, por ser pioneira na exploração da cloud, um mercado que representa quase um bilião de euros segundo a consultora McKinsey. No fundo, a SAP fornece com plataformas de gestão outras empresas que servem milhões de consumidores em diferentes setores.

Ora, fazendo o rescaldo do SAP Sapphire, a SAP quer agora posicionar-se novamente, mas desta vez em resposta aos novos desafios nas cadeias de abastecimento, crescente preponderância dos dados e da digitalização dos negócios, colocando na equação o tema da sustentabilidade. "Criar um ecossistema de negócios mais resiliente, mais inteligente e mais sustentável" é o objetivo, afirmou Christian Klein, CEO da SAP, no arranque do evento.

Para isso, a SAP quer ser uma "enabler" (facilitadora ou potenciadora) num universo de mais de 400 mil empresas cliente e parceiros. O objetivo traçado far-se-á atuando junto das cadeias de abastecimento, uma área cada vez mais crítica para as empresas que recorrem à SAP, na digitalização dos negócios e na inclusão de critérios de sustentabilidade nas operações. Este terceiro eixo foi apresentado como essencial para que todos os outros funcionem.

Sustentabilidade? A força está do lado do investidor

"Queremos abrir caminho às empresas para descobrir o propósito dos negócios com objetivos de sustentabilidade. O propósito (purpose) é a aspiração e a sustentabilidade a ativação dessa aspiração", explicou ao Dinheiro Vivo Vivek Bapat, vice-presidente sénior (SVP) da SAP para a área de Purpose & Sustainability.

Segundo este gestor da operação mundial da SAP, que trabalha nos escritórios do Texas, EUA, a gigante alemã quer "criar condições para que as empresas (clientes e parceiras) sejam sustentáveis". O exemplo começa logo na própria organização, que quer atingir a neutralidade carbónica em 2023, de acordo com Bapat.

Vivek Bapat - há 16 anos na SAP - referiu que esta é "uma clara estratégia de negócio", embora o papel da SAP não seja "dizer que uma empresa é sustentável, outra empresa não é".

Então qual é a ideia? Criar condições, defendeu. Citando um estudo da Oxford Economics, este SVP da fabricante de software lembrou que só "17% das empresas estão envolvidas em projetos de sustentabilidade, enquanto 43% entram em pequenos projetos, ao mesmo tempo que o resto do mundo fica à espera do que aí vem".

"É um grupo muito pequeno que está a promover a sustentabilidade", opinou. "Se conseguirmos trabalhar e influenciar 1% dos clientes da SAP estamos a reduzir a um terço das empresas que estão a impactar negativamente", considerou, lembrando que a empresa trabalha com 24 das 25 empresas que são "responsáveis por 85% das emissões poluentes no mundo".

Esta vontade de influenciar outras organizações a enveredar por critérios ESG (governança social e ambiental) - segundo Vivek Bapat - porque os países começam a criar leis e regras para que as empresas sejam mais verdes. O gestor considera a regulação "imprescindível", mas realçou que os early adotpers "estão em vantagem porque poderão vir a dizer quais são as regras para outros seguirem".

Mas a mudança de paradigma dependerá, sobretudo, de quem investe. Porquê? Porque negócios menos amigos do ambiente serão um risco no futuro, segundo o SVP de Purpose & Sustainability da SAP. "Temos trabalhado com algumas das maiores empresas do mundo sobre como ser sustentáveis. Há hoje uma pressão dos consumidores, dos trabalhadores mas o maior agente de aceleração é o investidor. Antigamente já se falava em sustentabilidade, mas agora temos CEO a promovê-la. Isso acontece porque os investidores estão a pressionar. Para eles, tal como há indicadores financeiros, de acordo com reguladores, também devem existir outros indicadores que impactam nos negócios Havendo um indicador para a sustentabilidade, os investidores esperam pode saber os riscos e saber quanto podem investir. A verdadeira força está no investidor", argumentou.

Digitalização é um dos caminho

A questão de criar condições para negócios mais amigos do ambiente estará sempre relacionado com o negócio da cloud. Vivek Bapat notou mesmo que as empresas que já promovem a sustentabilidade "têm uma correlação direta com intensa digitalização".

"As empresas estão a investir milhões na digitalização dos negócios, procurando fazer a ligação entre a transformação dos negócios à sustentabilidade", disse Julie Sweet, CEO da SAP, num dos painéis.

E essa é uma oportunidade já identificada pela SAP. De acordo com Vivek Babat, a SAP pretende ser um "veículo tecnológico" para clientes e parceiros.

Nesse sentido, a SAP apresentou no SAP Sapphire, em Orlando, uma série de inovações que permitirão fazer a ponte entre a digitalização e a sustentabilidade, como a SAP Cloud for Sustainable Enterprises, que promete apoiar as empresas a inovar, "de forma transversal, nas áreas-chave de gestão da sustentabilidade". Outra solução é a evolução da SAP Product Footprint Management, que permitirá reduzir a pegada de carbono através da SAP S/4HANA Cloud, incluindo recursos de transporte e viagem.

A mais "aplaudida" foi RISE with SAP, utilizada por empresas como a Microsoft, e que permite a transição dos clientes para a cloud através do SAP S/4HANA Cloud, uma solução alicerçada também no produto da Microsoft Azure. Há também o SOAR with Accenture, que inclui a gestão de infraestruturas em cloud. Tanto a Microsoft como a Accenture têm uma relação estreita com a SAP pois conciliam infraestruturas e soluções.

Outras soluções evidenciadas foram as SAP Warehouse Operator e SAP Direct Distribution, criadas a partir de parcerias com a Apple, que prometem digitalizar cadeias de abastecimento permitindo aos utilizadores desenvolvem, num iPhone ou iPad, a sua atividade profissional.

A SAP também avançou com uma parceria com a Siemens. Ambas vão lançar até setembro uma solução que promete combinar diferentes soluções numa cloud privada, permitindo acesso a dados de clientes em todo o processo de desenvolvimento de produto ou serviço.

Cadeias de abastecimento e consumidores

"Quanto mais digitalizados forem os negócios melhor será a sua capacidade para apoiar coisas sustentáveis", disse Vivek Bapat, defendendo que "a maior parte da ação está na cadeia de abastecimento e procurement".

Estas soluções apresentadas não só permitem digitalizar ainda mais as organizações, mas também vão dar mais soluções às empresas do universo SAP, segundo contou ao Dinheiro Vivo Tony Harris, vice-presidente sénior e head of Marketing & Solutions da SAP.

Este gestor que trabalha toda a área das soluções de logística da SAP, a partir do Reino Unido, considerou que a questão das cadeias de abastecimento são hoje prementes. E "mesmo que a maior parte da ação da SAP esteja já nas cadeias de abastecimento e procurement", os consumidores "já olham para a escassez de produtos como o novo normal". E foi isso que a SAP prometeu também combater, "apoiando o seu universo de cliente e parceiros a encontrar soluções".

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de