Teletrabalho recua e referência à Covid-19 para o justificar também

Numa altura em que o INE conclui que o acesso à internet em banda larga a partir de casa expande consideravelmente, a mesta entidade aponta que diminui hoje a proporção de trabalhadores a trabalhar a partir de casa.

O acesso à internet em casa continua em expansão. Ao dia de hoje 87,3% das famílias portuguesas têm acesso à internet em banda larga em casa, o que significa que oito em cada dez portugueses (82,3%) utilizam internet. Os números do acesso à internet sustentam a proporção de pessoas que trabalham a partir de casa, que atualmente é menor do que há um ano, e a referência à Covid-19 como justificação do teletrabalho já não é tão elevada.

As conclusões são do Instituto Nacional de Estatística (INE), no "inquérito à utilização de tecnologias da informação e da comunicação nas famílias", divulgadas esta segunda-feira. Ainda a procurar sair do contexto pandémico, e numa altura em que se regressa à discussão do teletrabalho por causa do aumento de casos, em Portugal - diz o INE - "diminuiu a proporção de trabalhadores a trabalhar a partir de casa" e também a referência à Covid-19 para o justificar.

Assim, em 2021, registam-se 20,1% dos trabalhadores em teletrabalho quando há um ano a proporção era de 31,1% (-11 pontos percentuais). Em simultâneo, apenas 17,5% justificam hoje o teletrabalho com a pandemia, quando há um ano essa proporção era de 29,6% (-12,1 pontos percentuais).

"A proporção de utilizadores de internet com emprego que trabalhavam a partir de casa durante o período de recolha [do inquérito, entre 9 de junho a 3 de setembro] diminuiu em relação ao ano anterior: 21,9% exerciam a sua profissão sempre ou quase sempre em casa no mês anterior à entrevista (em 2020 foram 33,1%), e 20,1% trabalharam em casa com recurso às tecnologias da informação e da comunicação (TIC), designadamente com utilização de computador e/ou smartphone (em 2020 eram 31,1%)", lê-se.

"Em 2021, a referência à pandemia Covid-19 como justificação para trabalhar a partir de casa é feita apenas por 17,5% dos utilizadores de internet com emprego", adianta o gabinete de estatística nacional.

É na Área Metropolitana de Lisboa que a percentagem de pessoas empregadas em trabalho remoto é mais elevada (34,6%), embora a proporção tenha quebrado 8,6 pontos percentuais face a 2020. "Nas restantes regiões, a percentagem de pessoas em teletrabalho é mais baixa nas regiões autónomas (10% na Madeira e 11,9% nos Açores)", lê-se. As regiões Centro, Algarve, Madeira e Açores foram onde se "reduziram as proporções de pessoas em teletrabalho".

"Apesar da diminuição generalizada do trabalho a partir de casa, a percentagem de pessoas em teletrabalho em 2021 continua a ser significativamente mais elevada", sobretudo entre a população com ensino superior (35,1%), face aos que possuem apenas o ensino secundários (15,4%) e ensino básico (3,6%).

"A proporção de mulheres em teletrabalho (22,7%) mantém-se superior à de homens (17,5%)", indica o INE.

A mesma entidade considera como tecnologias mais utilizadas para suportar o teletrabalho o uso de correio eletrónico (e-mail), videoconferências, uso de ligação por rede virtual privada (VPN), pastas partilhadas em espaço de armazenamento na internet e, ainda, a ligação remota ao computador na empresa e aplicações web ou extranet.

Oito em cada dez portugueses utilizam internet

De acordo com as conclusões do INE, o cenário de teletrabalho é possível devido à expansão do acesso da internet a partir de casa das famílias portuguesas. Em 2021, 87,3% dos agregados familiares em Portugal têm ligação à internet em casa, mais 2,8 pontos percentuais do que em 2020.

"Aumenta também a proporção daqueles que acedem à internet através de banda larga, de 81,7% em 2020 para 84,1% em 2021, o que equivale a uma diferença de mais 33,8 pontos percentuais em relação a 2010", acrescenta.

Contudo, apesar de se manter a tendência de crescimento, a taxa de penetração da banda larga nos lares portugueses continua a ser inferior à observada na União Europeia em 2020 (89%).

Não obstante, as famílias com crianças até aos 15 anos continuam a registar taxas de acesso à internet (98,2%) e de acesso em banda larga (97,0%) "mais elevados que a generalidade das famílias". Aliás, os "níveis de acesso são, em geral, mais reduzidos para as famílias sem crianças até aos 15 anos (84,8% referem ter acesso à internet em casa e 81,1% através de banda larga), exceto quando estas são compostas por três ou mais adultos".

Os níveis mais elevados de acesso à internet encontram-se entre os 20% das famílias com maiores rendimentos. "Para os 20% de agregados com menores rendimentos, as proporções de acesso à internet em casa e acesso através de banda larga são substancialmente mais baixas (72,2% e 68,3%, respetivamente)", lê-se.

Estes dados desaguam na conclusão que, em 2021, a população residente dos 16 aos 74 anos utiliza a internet. Ou seja, oito em cada dez portugueses têm acesso à internet.

"Estes resultados sustentam o reforço do crescimento verificado no ano anterior (mais 3 pontos percentuais em 2020 e mais 4 pontos percentuais em 2021) e a evolução significativa em relação a 2010, quando os utilizadores de internet representavam pouco mais de metade da população em análise".

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