Um português na América. "Estados Unidos dão muito mais espaço para inovação"

Artur Melo e Castro trabalha em análise de dados em Los Angeles, Califórnia

Em 2020, a equipa de analistas de dados da Red Bull fez uma análise exaustiva do comportamento dos 12 milhões de utilizadores que entram no site da marca todos os meses. O projeto, de grandes dimensões, foi o ponto focal usado pela equipa de engenharia e designers de experiência de utilizador para redesenhar totalmente o site.

"O resultado final foi incrível", disse ao Dinheiro Vivo Artur Melo e Castro, o português que liderou o projeto. "Os dados que conseguimos passar enformaram os novos designs e o tráfego aumentou entre 20% a 30%." Não só o tráfego, mas todas as métricas relevantes, das sessões ao tempo no site e às pageviews.

Artur Melo e Castro está agora a trabalhar noutras ideias viradas para a melhoria da experiência online dos fãs da Red Bull, quer seja em aplicações, sites ou canais de Twitch e YouTube. Gestor sénior de analítica na sede da Red Bull América, em Los Angeles, o especialista português, de 28 anos, está a concretizar um longo sonho de carreira.

"Eu sempre soube que queria viver fora de Portugal, tanto a estudar como a trabalhar. O meu objetivo sempre foi Estados Unidos", explicou Artur Melo e Castro, que começou por estudar música e economia.

Fez um mestrado no pólo europeu da Universidade de Berklee, viveu na Hungria, Espanha e Áustria, e em 2021 conseguiu finalmente concretizar o objetivo de se mudar para os Estados Unidos.

"Sou uma pessoa muito orientada para o trabalho e para a carreira", descreveu. "A minha ideia de trabalhar nos Estados Unidos é de que era um sítio muito mais inovador, melhor para ter uma carreira, e até certo ponto isso provou ser verdade", continuou.

O trabalho na Red Bull North America é recompensador, algo que está relacionado não só com a cultura da empresa, mas também com o contexto norte-americano.

"É muito bom o acesso, o facto de estar tão próximo das empresas que sempre admirei, de estar num mercado onde sempre quis estar e uma cultura que sempre quis explorar, apesar dos seus prós e contras", sublinhou.

Uma das diferenças mais relevantes que Artur Melo e Castro identificou na forma de trabalhar dos dois lados do Atlântico foi o espaço para a autonomia profissional.

"Comparado com a Europa, os Estados Unidos dão muito mais espaço para inovação", afirmou. "Está ligado ao facto de ser um país muito mais individualista, o que vem com as suas coisas boas e más, é uma cultura que preza muito mais o trabalho que na Europa", continuou. "O cliché que diz que aqui se vive para trabalhar e na Europa trabalha-se para viver tem muito sentido."

Isto traduz-se de formas diferentes no dia-a-dia. Por exemplo, se um indivíduo tiver uma ideia totalmente nova nos Estados Unidos, há "muito mais probabilidade" de o chefe dizer para ir em frente, tentar e reportar. "Na Europa há muito mais status quo. Aliás, ter uma ideia nova é muitas vezes percebido de forma negativa. Perguntam: "Não estás contente com a forma como as coisas funcionam? Tens queixas?"", descreveu.

No futuro, Artur Melo e Castro gostaria de ver a Red Bull aumentar os seus projetos de realidade aumentada e virtual. "É uma oportunidade de futuro. Tudo o que seja wearable, tudo o que faça com que fiquemos mais embebidos com a tecnologia, vai crescer", vaticinou.

A explorar o potencial do sul da Califórnia, onde "o tempo é mesmo incrível", "a comida é ótima" e a diversidade salta à vista, o português considerou também que o tecido empresarial português beneficiaria de uma atitude mais aproximada à norte-americana.

"Acho que é preciso arriscar", afirmou. "Uma coisa que não fazemos assim tanto na Europa e em Portugal é tomar mais riscos: sair um bocadinho da zona de conforto."

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