Web Summit (pela tarde) atrai marcas como EDP, Samsung e companhia para a experiência online

EDP e Samsung são algumas das marcas que já fecharam acordo para substituir os stands de 2019 por presença online na Web Summit 2020. Como pode o online substituir o presencial?

EDP e Samsung são algumas das marcas que nos garantiram que fecharam acordos para estar na versão online da Web Summit em 2020 - a Mercedes é uma das várias que ainda está a considerar. As duas empresas tiveram stands consideráveis na FIL, em 2019, que representaram investimentos avultados (não divulgados) e encontraram agora novas formas de participar na nova plataforma online que "vai levar o nome de Portugal ao mundo" de acordo com Paddy Cosgrave.

O Dinheiro Vivo sabe que estas e outras empresas fecharam esta semana acordos com a Web Summit que definem alternativas para participação no evento online, que podem incluir além de presença numa espécie de área de stands online, webinares patrocinados integrados no evento, workshops, masterclasses com especialistas das empresas, entre outras hipóteses criativas ainda não divulgadas.

A alimentar tudo isto vai estar a ampla plataforma online onde vai decorrer a Web Summit 2020, que decorre de 2 a 4 de dezembro - entretanto já começaram a decorrer as gravações de algumas das conferências que serão emitidas nesses dias. A tal plataforma tenta acomodar um recorde de 100 mil participantes (vários milhares de bilhetes serão oferecidos) e um sem número de experiências que eram reservadas para o evento presencial - umas são adaptadas, outras excluídas e outras acrescentadas.

Na entrevista que fizemos o mês passado a um dos responsáveis da área tecnológica (com 40 engenheiros) que criou em tempo recorde a nova plataforma, o português Tomé Duarte, ficámos a saber que a Web Summit tem várias surpresas preparadas e testa os sistemas para que os 100 mil tenham uma boa experiência. Este ano os horários das sessões - irão ser das 12h às 20h -, tomando assim em consideração o facto de ser tudo online e também de muitos participantes e oradores estarem do outro lado do Atlântico.

A EDP, que o ano passado incluía no seu enorme stand na FIL uma área de pitches para as startups, revelou-nos que irão adaptar a presença "ao novo formato". "Mas o objetivo mantém-se inalterado: promover a marca EDP num palco internacional e captar a atenção de startups que possam acrescentar valor ao grupo EDP". A empresa portuguesa explica que embora se tenha "ajustado ao formato virtual", irá continuar "com a parceria na categoria mais elevada", que surge intitulada como premium". O que ficou por esclarecer foi se o investimento na versão online foi substancialmente reduzido, como se manifestará a presença e quais as expectativas.

E se empresas como a Microsoft, Huawei, Google ou a Accenture não quiseram divulgar nesta altura se vão ou não estar presentes, e de que forma, já a Samsung admitiu-nos que fecharam esta sexta-feira acordo para terem presença no evento online através da divisão de investimentos Samsung Next. "Vamos patrocinar uma masterclass dividida em quatro partes sobre a transição de startup para empresa global". Nessas sessões integradas na plataforma "os participantes vão aprender com especialistas a construir, expandir e chegar a milhões de pessoas".

Quem assumiu que ainda está a decidir se mantém a presença na versão online foi a Mercedes-Benz.io, a divisão tecnológica de experiências digitais da Mercedes, que tem um centro em Lisboa dividido em dois escritórios já com 180 pessoas - irá fixar-se no Hub Criativo do Beato em breve. "Estamos em conversações para perceber o impacto que uma versão online pode ter VS o modelo presencial", explica-nos Alexandre Vaz, o diretor do centro.

Plataforma de experiências

O primeiro grande teste da plataforma, que mais não é do que um site repleto de áreas e ferramentas, foi a Collision em julho, a conferência que pertence à Web Summit e que estava previsto decorrer presencialmente em Toronto, no Canadá.

Na altura a área de stands estava ainda limitada e já havia funcionalidades que são alternativa ao networking presencial, tal como a área de Mingle, uma zona ao estilo speed dating que permite conversar por videoconferência com pessoas ao acaso durante 3 minutos; webinares temáticos; workshops e as salas de conversação temáticas ou a área de perguntas e respostas (Q&A). Nesta última os participantes podem fazer perguntas diretamente aos oradores que, este ano, incluem o "tubarão" do empreendedorismo Mark Cuban, os atores Chris Evans, Aaron Paul, Bryan Cranston e Gwyneth Paltrow, o fundador da Zoom Eric Yuan, os co-fundadores do LinkedIn e do Slack ou o CTO do Facebook Mike Shroepfer - além de José Mourinho, Ridley Scott ou Jane Goodall.

Isto além dos canais/palcos habituais com as conferências - este ano haverá palco/canal só dedicado a Portugal, além de número recorde de oradores portugueses e vídeos ao estilo Eurovisão a mostrar várias cidades portuguesas. O funcionamento da plataforma permite agendar conversas por vídeo com qualquer um dos participantes, que vamos vendo a aparecerem em cada canal ou sala temática de conversa.

Nos 'palcos' habituais o mais surpreendente foi o sucesso dos emojis de interação, incluindo os tomates. Com a plataforma online que pode agora ser licenciada a outros eventos - um velho sonho de Paddy Cosgrave - aumentou a componente de machine learning e inteligência artificial a funcionar. "Ao termos o perfil e gostos que uma pessoa quis revelar, podemos dar-lhe as ligações relevantes que fazem a diferença a investidores, startups e participantes em geral - algo que ainda não estamos a usar na plenitude", explicava-nos o mês passado o engenheiro Tomé Duarte. O responsável dá o exemplo de um investidor que, assim, pode ter acesso ao tipo de startups que procura e separar de forma mais fácil o trigo do joio.

À experiência ajuda a que, por exemplo, um participante possa agora indicar se uma conversa com alguém foi relevante para si ou não, ajudando o sistema a afinar as preferências.

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